Saúde de SP recolhe 117 garrafas em bares investigados por venda de bebidas com metanol

Autoridades de saúde do Estado de São Paulo apreenderam, na segunda-feira, 29, 117 garrafas de bebidas alcoólicas em bares e adegas suspeitos de vender produtos adulterados com metanol. As ações ocorreram nos bairros dos Jardins, na Zona Oeste, e da Mooca, na Zona Leste, onde foram registradas suspeitas de intoxicação.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), os recipientes não tinham rótulos nem comprovação de origem e foram encaminhados ao Instituto de Criminalística (IC) para análise. Dois estabelecimentos receberam autuações por irregularidades sanitárias, enquanto os donos de três locais prestaram depoimento; os relatos serão anexados à investigação.
Casos de intoxicação
Na Mooca, um homem de 54 anos morreu após ingerir bebida supostamente contaminada. Nos Jardins, a designer de interiores Radharani Domingos, 43, consumiu três caipirinhas feitas com vodca, apresentou mal-estar e precisou ser internada na UTI; ela perdeu a visão e aguarda o resultado do exame que detecta metanol.
Outras duas mortes suspeitas ocorreram em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. A prefeitura aguarda laudo do Instituto Médico Legal (IML) para confirmar ou descartar a presença do solvente. Ao todo, dez casos são investigados no estado, incluindo os três óbitos, e cinco pessoas continuam hospitalizadas.
Participação de órgãos de fiscalização
As blitze foram realizadas pela Secretaria Estadual da Saúde (SES) em parceria com o Centro de Vigilância Sanitária (CVS) e a Vigilância em Saúde do Município de São Paulo (Covisa). Os endereços dos estabelecimentos autuados não foram divulgados.
Riscos do metanol
Utilizado em diluentes, anticongelantes, vernizes e fluidos para fotocopiadoras, o metanol é um líquido incolor de custo baixo, o que incentiva sua adição ilegal a bebidas alcoólicas. Após ingerido, o fígado converte o composto em formaldeído, formato e ácido fórmico, substâncias que podem causar danos ao cérebro, aos olhos e levar à cegueira, coma ou morte.
Os sintomas iniciais geralmente aparecem entre 40 minutos e 72 horas e se assemelham à embriaguez comum: dificuldade de coordenação, vômitos e confusão. Nas fases seguintes, podem ocorrer insuficiência renal, convulsões e alterações graves na frequência cardíaca.
Tratamento imediato
A suspeita de intoxicação exige atendimento médico rápido. Em ambiente hospitalar, o paciente pode receber medicamentos para remover o tóxico do sangue ou ser submetido à diálise. Em alguns casos, administra-se etanol para retardar o metabolismo do metanol, reduzindo seus efeitos.
As investigações prosseguem para identificar a origem das bebidas adulteradas e responsabilizar os envolvidos.
Com informações de revistapegn.globo.com




