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Franquias transformam lojas físicas em hubs logísticos, estúdios de conteúdo e pontos de coleta

O ponto de venda tradicional, baseado apenas na exposição de produtos, deixou de ser suficiente para sustentar a rentabilidade do varejo. Diante de consumidores que exigem rapidez, conveniência e interação permanente, grandes redes de franquia passaram a estimular suas unidades a exercer papéis múltiplos, como expedição de pedidos on-line, produção de lives e operação de serviços de entrega.

Loja física como centro operacional

Ao integrar estoque, showroom e distribuição em um mesmo endereço, as marcas reduzem custos logísticos e ampliam receitas. “O metro quadrado está caro; é preciso rentabilizar cada centímetro”, afirma Adir Ribeiro, CEO da consultoria Praxis Business. Já para Alberto Serrentino, fundador da Varese Retail, a loja ganha força ao se tornar “plataforma multifuncional”, atuando como elo de captação e engajamento de clientes.

Integração presencial e digital

O desafio é fazer canais físicos e on-line funcionarem como um único sistema. Segundo relatório da plataforma Optimove para 2025, 84 % dos consumidores consultam preços on-line dentro da loja. Estudo EY Future Consumer Index mostra que 57 % preferem ver o produto pessoalmente e 32 % sentem falta do atendimento presencial. Apesar da demanda, “há grande distância entre desejo e prática”, observa Ribeiro, citando limitações de investimento, treinamento e resistência de franqueados.

“Vencerá quem conseguir a conexão mais eficiente com o cliente, não quem tiver o melhor canal isolado”, reforça Luiz Alberto Marinho, sócio da LAM Consultoria.

Novo mix de ferramentas

Social commerce, inteligência artificial e ambientes híbridos entram definitivamente na rotina do setor. Funcionalidades como TikTok Shop, programas de afiliados e social selling tendem a ganhar espaço, prevê o mercado. De acordo com a ABF, o franchising brasileiro registrou alta de 10,5 % e faturamento de R$ 301,7 bilhões em 2025.

Cuidados contratuais

A advogada Andrea Oricchio alerta que mudanças profundas — por exemplo, transformar lojas em centros de distribuição — podem exigir aditivos que prevejam novos investimentos, alteração de royalties ou metas específicas. Quando nem todos os franqueados conseguem aderir, recomenda-se buscar equidade baseada em percentuais, reduzindo custos proporcionais para unidades de menor faturamento.

Quanto custa adaptar

Para mensurar se vale a pena, Lyana Bittencourt, do Grupo Bittencourt, indica dois indicadores: participação do novo canal no faturamento e manutenção da margem de contribuição após os investimentos. Já Francisco José Ritondaro, da Gouvêa Malls, lembra que é preciso calcular o custo marginal: “Uma simples porta exclusiva para motoboys pode bastar; evitar aumento de custos fixos é fundamental”.

Modelos em prática

  • Mini-hub logístico: retirada em loja, ship from store, entrega no mesmo dia e despacho local.
  • Estúdio de conteúdo: produção de vídeos, lives e reels em horários ociosos.
  • Funcionário-embaixador: equipe cria conteúdo e humaniza a venda.
  • Plataforma de serviços: atendimento via WhatsApp, curadoria de produtos, trocas e personalizações.

Casos práticos

Domingo de matrícula na CNA – A rede de idiomas detectou aumento de 20 vezes nas buscas aos domingos (janeiro e fevereiro de 2026 ante 2025). A franqueada Solange Damato implantou plantões via WhatsApp, elevando a taxa de conversão para 90 %.

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Lave & Pegue vira ponto de coleta – Em Belém, Karla e Marcus Vinicius Pereira de Moraes dobraram o faturamento de R$ 6,5 mil para R$ 13 mil ao receber encomendas do Mercado Livre. O marketplace paga R$ 0,60 por pacote, gerando receita extra de R$ 1 mil/mês.

Influência local na Morana – A franqueada e influenciadora Amanda Melo (109 mil seguidores) responde por 20 % do faturamento de dezembro de 2025 com conteúdo diário produzido nas seis lojas em Minas Gerais e São Paulo.

Dark kitchen no Billy The Grill – No Shopping Metropolitano, no Rio, Marcelo Fernandes incluiu as marcas Papah e Braza na mesma cozinha. Dos 130 pedidos diários, 40 são delivery. O tíquete médio saltou de R$ 32 para R$ 40, sem expansão de área.

Bibi adota ship from store – Em Santo André (SP), a franqueada Marceline Siqueira Verli despacha 20 % dos 400 pares mensais vendidos pela loja on-line da marca. Para ampliar estoque, alugou um depósito e busca parceria com a Stone Entrega para envio em até três horas.

No varejo brasileiro, a tendência é clara: lojas físicas permanecem relevantes, mas agora como unidades multifuncionais que combinam venda, conveniência, serviços digitais e eficiência operacional.

Com informações de revistapegn.globo.com

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