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Previsões para 2026 indicam juros menores, inflação sob controle e mudanças tributárias; veja efeitos nas PMEs

Empreendedores brasileiros entram em 2026 de olho em três frentes que podem redesenhar custos e oportunidades de negócio: crescimento moderado da economia, recuo lento da inflação e da taxa Selic, além do início da implementação da reforma tributária.

PIB deve subir 1,8%

O Boletim Focus projeta expansão de 1,8% no Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, abaixo dos 2,26% esperados para 2025. Segundo Ahmed El Khatib, professor e coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fecap, o ritmo mais fraco tende a conter a demanda interna e limitar a velocidade de crescimento de vendas no comércio e nos serviços.

Inflação estimada em 4,05%

A previsão de inflação para 2026 é de 4,05%, dentro da banda de tolerância do Banco Central e inferior à média de 4,32% projetada para 2025. Para Khatib, a acomodação dos preços deve aliviar custos operacionais. José Carlos de Souza Filho, da FIA Business School, avalia que o cenário mais estável facilita planejamento de estoque e formação de preços. Já Ruy Afonso Santacruz, da Universidade Federal Fluminense (UFF), lembra que menor pressão inflacionária tende a sustentar ou elevar o faturamento dos negócios voltados a serviço e varejo. Setores dependentes de insumos importados ou energia ainda podem enfrentar oscilações de preços, alerta Khatib.

Selic pode recuar para 12,13%

A taxa básica de juros, atualmente prevista em 15% para o fim de 2025, deve cair para 12,13% até dezembro de 2026. Santacruz projeta cortes já no primeiro trimestre, puxados pela inflação em queda. Mesmo assim, o patamar segue considerado elevado para financiamentos, pondera Khatib. A redução, embora modesta, tende a baratear empréstimos, estimular consumo e reativar linhas de crédito, inclusive por meio de fintechs e outras modalidades alternativas.

Nova fase da reforma tributária

Em 15 de dezembro de 2025, o Congresso aprovou o PLP 108/2024, que cria o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). A partir de 2026, PIS, Cofins, ICMS e ISS começam a ser substituídos pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e pelo IBS, prevendo transição até 2033. Incentivos fiscais vinculados ao ICMS serão extintos gradualmente, explica Graziela Fortunato, do IAG PUC-Rio. As empresas precisarão adaptar sistemas, capacitar equipes e revisar estratégias de precificação, o que pode gerar custos de curto prazo.

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Eleições geram cautela

A disputa eleitoral de 2026 adiciona incerteza às decisões de investimento, observa Khatib. Alterações na agenda fiscal ou regulatória podem influenciar planos de expansão tanto de grandes companhias quanto de pequenas e médias empresas.

Embora PIB modesto, inflação controlada, juros em queda e mudanças tributárias apontem desafios, especialistas destacam que a leitura cuidadosa desses indicadores será essencial para definir a estratégia de cada negócio ao longo do ano.

Com informações de Revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios

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