Tarifa de 74,9% nos Estados Unidos ameaça exportações brasileiras de moda praia

São Paulo – Fabricantes brasileiros de biquínis e maiôs enfrentam o risco de perder completamente o mercado norte-americano após a aplicação de uma sobretaxa de 50% sobre parte dos produtos enviados aos Estados Unidos. Com o novo percentual, a carga tributária total sobre itens de moda praia chega a 74,9%, inviabilizando as vendas, segundo empresários do setor.
De acordo com dados do Comex Stat, compilados pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), as exportações de vestuário brasileiro para os EUA somaram US$ 4,1 milhões em 2024. O país é o principal destino dos itens de moda praia nacionais, absorvendo 40% das vendas externas, principalmente de biquínis e maiôs.
Mar Egeu vê contratos suspensos
Fundada em 1967 e sediada no bairro do Brás, em São Paulo, a Mar Egeu destina cerca de 80% de sua produção ao exterior, dos quais 70% vão para os Estados Unidos. O proprietário, Nicolas Katsorchis, 62 anos, afirma que todos os pedidos em carteira foram suspensos após o anúncio da nova tarifa.
“Recebemos ligações de clientes dizendo que não saberão como importar neste mês. Corremos o risco real de perder a clientela norte-americana”, relata. A empresa, que fabrica aproximadamente 60 mil biquínis por ano, produz peças biodegradáveis que se decompõem em até três anos. “Com 50% em cima de qualquer produto, a exportação fica inviável. Concorrentes de outros países devem ocupar esse espaço que levamos anos para conquistar”, lamenta.
Areia Dourada procura novos mercados
No Rio Grande do Norte, Graça Meneses, 58 anos, proprietária da Areia Dourada, também sente o impacto. A empreendedora, que havia acabado de participar de uma feira de negócios em Miami, relata que as vendas para o mercado norte-americano foram interrompidas.
“Conseguimos embarcar produtos antes de 6 de agosto, mas não sabemos como proceder daqui para frente”, explica. As exportações aos EUA representam 30% do faturamento da marca natalense. Meneses agora mira feiras na Europa, procurando oportunidades em países como França e Itália.
Setor teme perda de competitividade
Para Fernando Valente Pimentel, diretor-superintendente da Abit, a manutenção das sobretaxas compromete a competitividade brasileira. “Se o quadro não for revisto, dificilmente conseguiremos continuar atendendo o mercado norte-americano. Não há margem para repassar esse custo, e o comprador também não consegue absorvê-lo”, afirma.
A taxa inicial de 24,9% sobre os produtos de moda praia brasileiros já havia sido elevada para 34,9% após um acréscimo de 10%. Com o tarifaço de 50%, a alíquota total chega a 74,9%, cenário que leva fabricantes a buscar alternativas em novos mercados e a repensar estratégias de exportação.
Com informações de PEGN




