Operação Spare revela uso de 98 franquias de O Boticário para lavar dinheiro do PCC

São Paulo — A Receita Federal deflagrou em 25 de setembro a Operação Spare, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio atribuído ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O grupo criminoso, chefiado por Flávio Silvério Siqueira, teria recorrido a 267 postos de combustíveis, motéis, empreendimentos imobiliários e 98 lojas franqueadas de O Boticário para movimentar recursos ilícitos.
Segundo as autoridades, Maurício Soares de Oliveira figura como principal alvo da operação por ser apontado como proprietário das franquias da rede de beleza envolvidas no esquema. As investigações indicam que as lojas apresentavam depósitos bancários feitos exclusivamente em espécie e aumento de faturamento durante a pandemia, período em que o varejo sofreu retração.
Volume financeiro
Levantamento da Receita Federal mostra que 21 CNPJs ligados às 98 unidades investigadas movimentaram cerca de R$ 1 bilhão entre 2020 e 2024, embora tenham emitido apenas R$ 550 milhões em notas fiscais. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) registrou comunicações sucessivas sobre essas transações.
Mandados e locais
Foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Santo André, Barueri, Bertioga, Campos do Jordão e Osasco. A operação é um desdobramento da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto, que já mirava 350 alvos em oito estados.
Outros ramos utilizados pelo grupo
Além das lojas de cosméticos e dos postos de combustíveis, as autoridades listaram motéis e empresas da construção civil controlados pelos investigados. Os motéis citados são: Maramores Empreendimentos Hoteleiros, Motel Uma Noite em Paris, Motel Chamour, Motel Casual, Sunny Empreendimentos Hoteleiros, Mille Motel, Marine Empreendimentos Hoteleiros, Ceesar Park Empreendimentos Hoteleiros e Motel Vison.
Instituições financeiras sob investigação
A Operação Carbono Oculto já havia apontado o uso da fintech BK Bank, que teria movimentado R$ 46 bilhões como “banco paralelo” do PCC. Também estão sob análise Reag Investimentos, Banco Genial, Trustee DTVM e Banvox, além de cerca de 40 fundos de investimento com patrimônio aproximado de R$ 30 bilhões.
Manifestação do Grupo Boticário
Em nota, o Grupo Boticário declarou não ter conhecimento nem responsabilidade sobre as atividades ilícitas atribuídas aos investigados. A empresa informou que busca detalhes com as autoridades e reforçou adotar políticas de prevenção à lavagem de dinheiro, anticorrupção, código de conduta e cláusulas contratuais que exigem cumprimento da legislação por parte dos franqueados.
As investigações continuam sob coordenação da Receita Federal, Ministério Público e Coaf.
Com informações de revistapegn.globo.com




