Oito passos para organizar o planejamento fiscal de empresas em 2026

Com a proximidade do encerramento do exercício de 2025 e a entrada em vigor de novas regras tributárias a partir de 2026, especialistas alertam que o planejamento fiscal deve ganhar prioridade nas médias empresas. A advogada tributarista Paula Kantek, da Mazutti Ribas Stern Sociedade de Advogados, e o professor Alexandre Evaristo Pinto, da FGV EAESP, elencam oito ações fundamentais para evitar problemas de caixa, reduzir riscos de autuações e manter a conformidade.
1. Antecipar o planejamento
Deixar as decisões para o último mês do ano encurta o prazo para correções e eleva a exposição a erros contábeis, segundo Kantek. Para Pinto, o planejamento fiscal deve acompanhar o orçamento anual, permitindo avaliar riscos e benefícios de cada regime tributário com antecedência.
2. Reavaliar o regime tributário
A escolha entre lucro real e lucro presumido precisa basear-se em dados da própria operação, não em médias do setor. Simulações financeiras e tributárias ajudam a comparar impactos econômicos, riscos e vantagens de cada modelo.
3. Evitar inconsistências e erros frequentes
Autuações costumeiramente decorrem de falhas em obrigações acessórias e divergências entre informações declaradas e documentos fiscais. Revisões periódicas e pareceres técnicos reduzem a probabilidade de lançamentos incorretos.
4. Monitorar obrigações acessórias
Com fiscalização em tempo real, arquivos como SPED, EFD-Contribuições e DCTFWeb exigem conciliações contínuas entre o ERP e as escriturações. Kantek recomenda calendário centralizado e definição de responsáveis; Pinto sugere roteiros padronizados e ajustes rápidos diante de mudanças legais.
5. Revisar créditos de PIS, Cofins e ICMS
Antes do fechamento do exercício, a revisão dos créditos pode reduzir a carga tributária. Para PIS e Cofins, é essencial identificar insumos relevantes segundo as teses de essencialidade e relevância. Como 2026 será o último ano de apuração desses tributos, decisões sobre creditamento precisam ser tomadas dentro do período.
6. Realizar auditoria preventiva
Auditorias internas detectam divergências entre dados fiscais e contábeis, cadastros desatualizados e documentos faltantes. Ajustes em lançamentos, provisões e créditos aumentam a segurança e oferecem visão clara da situação fiscal para o próximo exercício.
7. Acompanhar incentivos e benefícios fiscais
Incentivos de ICMS possuem prazos e condições específicas. Mapear vigências, custos de manutenção e impacto no fluxo de caixa ajuda a decidir se o benefício realmente compensa.
8. Preparar-se para a reforma tributária
A partir de 2026, mudanças na emissão de notas fiscais e na apuração dos tributos sobre consumo exigirão adequação de sistemas e cadastros. Empresas que não se ajustarem podem ficar impedidas de emitir notas. É recomendado testar parametrizações que incluam os novos tributos IBS e CBS e envolver todas as áreas no processo.
As oito medidas, segundo os especialistas, formam um roteiro para atravessar a transição tributária com menor exposição a riscos e maior eficiência na gestão fiscal.
Com informações de Revista PEGN




