Posts com Príncipe William gerado por IA impulsionam pequenos negócios, mas levantam alerta jurídico

Pequenos empreendedores brasileiros estão utilizando imagens criadas por inteligência artificial (IA) do príncipe William em publicações nas redes sociais, aproveitando a passagem do herdeiro britânico pelo país para compromissos relacionados à COP30, em Belém (PA). A estratégia vem gerando grande engajamento, mas especialistas alertam para riscos de violação de direitos de imagem e de propriedade intelectual.
Visita ao Rio impulsionou a tendência
A onda de montagens começou após o príncipe visitar o tradicional boteco Belmonte, em Ipanema, Zona Sul do Rio de Janeiro. Acompanhado de cerca de 20 pessoas, William teria provado linguiça, bolinho de bacalhau, empadas, chope e caipirinhas, segundo reportagem do jornal O Globo. Logo depois, restaurantes, farmácias e salões de beleza do Rio e de Belém passaram a publicar ilustrações geradas por IA que mostram o monarca em seus estabelecimentos.
Frases como “Invejosos dirão que é IA, mas a gente prefere acreditar que o Príncipe William não deixaria de provar a comida mais saborosa de Botafogo” e “Nossas ofertas de Black Friday estão tão incríveis que até o Príncipe William voltou ao Brasil para aproveitar” acompanharam as imagens. Uma das postagens alcançou mais de 1,6 mil comentários no Instagram.
Riscos legais para quem usa imagem de celebridade
A advogada Nahla Ibrahim lembra que a Constituição Federal garante a inviolabilidade do direito de imagem. “Mesmo criada por inteligência artificial, a utilização da imagem de famosos exige autorização expressa”, afirma. Segundo ela, o uso indevido pode resultar em indenizações por danos morais ou materiais.
Além da legislação brasileira, há diretrizes da própria Família Real britânica que proíbem o uso publicitário de fotografias ou representações de seus membros, exceto em livros ou matérias jornalísticas. O documento orienta profissionais de marketing a consultarem o Committee of Advertising Practice (CAP) antes de mencionar a realeza em campanhas.
Como utilizar IA de forma segura
Para a coordenadora do Instituto Científico e Tecnológico da ESPM, Priscila Rezende da Costa, é possível empregar criações de IA de modo ético e legal:
- Transparência: informar quando o conteúdo foi produzido por IA;
- Respeito a direitos autorais: evitar marcas, pessoas ou obras protegidas sem autorização;
- Autenticidade: não manipular imagens que possam confundir o consumidor.
Ibrahim acrescenta que a adoção de licenças ou o registro de obras produzidas em colaboração com IA ajuda a resguardar direitos autorais. Caso a empresa ignore essas recomendações, pode sofrer não apenas sanções judiciais, mas também danos à reputação por promover desinformação.
Especialistas reforçam que, embora a IA ofereça novas possibilidades de engajamento, o uso de imagens de figuras públicas deve respeitar limites legais e de transparência para evitar consequências financeiras e de credibilidade.
Com informações de revistapegn.globo.com




