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Cade investiga mercado de delivery em meio a suspeitas de espionagem corporativa

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) passou a monitorar o mercado de delivery em cinco cidades brasileiras — Goiânia, Rio de Janeiro, Santos, São Paulo e São Vicente. A iniciativa consta de documento assinado pelo superintendente-geral Alexandre Barreto de Souza, que solicita a elaboração de estudo ou parecer econômico para acompanhar práticas comerciais no setor.

Em 1º de novembro, o órgão já havia instaurado um procedimento administrativo voltado ao mercado de delivery on-line de alimentos, com o objetivo de prevenir possíveis infrações à ordem econômica.

Empresas sob pressão

A movimentação do Cade ocorre enquanto o segmento é alvo de investigações internas envolvendo suspeitas de espionagem. Os casos ganharam força após a chegada das chinesas Keeta e 99Food ao país e incluem relatos de ex-funcionários do iFood e da 99Food, consultorias estrangeiras e furtos de notebooks durante eventos e visitas a restaurantes.

Em 15 de outubro, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) rejeitou ação da 99Food contra o iFood. A empresa acusava a rival de tentar eliminar a visibilidade de sua marca ao dificultar o uso das bags laranjas pelos entregadores. A 99Food recorreu, alegando que o acessório é essencial para reconhecimento da marca durante sua entrada no mercado brasileiro.

Duas semanas atrás, a 99 — controladora da 99Food — abriu investigação interna sobre possível vazamento de dados confidenciais. A suspeita recai sobre o furto de laptops corporativos e sobre consultorias que teriam assediado funcionários com ofertas de US$ 200 a US$ 1 mil para fornecer informações estratégicas.

O iFood já havia denunciado situação semelhante à Polícia Civil de São Paulo. A UPJ de Piracicaba cumpriu mandado de busca na casa de um ex-colaborador, e o 32º Distrito Policial realizou operação contra outro ex-empregado acusado de repassar dados sensíveis. Segundo o processo, consultorias estrangeiras questionavam colaboradores sobre volume de vendas por cidade, formação do preço das taxas de entrega, número mensal de pedidos e impacto da chegada de concorrentes estrangeiras. Em uma das reuniões investigadas estaria presente um executivo da Meituan, controladora do aplicativo Keeta.

Posicionamento das empresas

99Food — Disse considerar natural o interesse do Cade e afirmou que a atuação da autoridade é essencial para garantir a entrada de novos players e ampliar a concorrência.

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iFood — Avaliou a medida como oportuna diante do que classifica como práticas predatórias de concorrentes recém-chegados, citando políticas comerciais que considera insustentáveis. A empresa reiterou compromisso com um setor competitivo e afirmou que continuará colaborando com o Cade.

Keeta — Declarou estar comprometida com um mercado livre e justo e lembrou que, em agosto, solicitou ao Cade abertura de investigação sobre eventuais práticas anticompetitivas. A companhia manifestou confiança nas instituições brasileiras.

A Rappi não se pronunciou até o fechamento desta reportagem.

Com a abertura do procedimento e a produção do estudo econômico solicitado, o Cade pretende reunir subsídios para avaliar condutas e garantir condições de concorrência no mercado brasileiro de delivery.

Com informações de Revista PEGN

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