Ex-cozinheira da Marinha transforma cultivo de vitória-régia em atração turística no Pará

No Canal do Jari, braço de água que liga os rios Tapajós e Amazonas, perto de Santarém (PA), a aposentada Dulce Oliveira, 53 anos, mantém um jardim de vitórias-régias que se tornou ponto de visitação desde 2018. Conhecida como Dona Dulce, a ex-cozinheira da Marinha começou a plantar a espécie aquática em 2014 e, quatro anos depois, passou a receber turistas interessados em conhecer as flores gigantes e provar receitas elaboradas a partir da planta símbolo da Amazônia.
Visita paga dá direito a menu exclusivo
Para entrar no Jardim da Dona Dulce, o visitante paga uma taxa de sustentabilidade de R$ 30. O valor inclui degustação de pipoca, brownie, picles, geleia e bombom preparados com a vitória-régia. No total, a empreendedora já desenvolveu 21 receitas.
Receita vem também da venda de geleias
Além do turismo, Dulce comercializa geleias artesanais produzidas no próprio sítio. A fabricação mensal varia entre 50 e 60 potes, vendidos por valores de R$ 25 a R$ 32. Os produtos chegam às prateleiras da loja Deveras Amazônia, em Santarém, da Flor de Jambu, em São Paulo, e também ao Mercado Livre. A parceria com a Deveras responde por cerca de 40% do faturamento total.
Pesquisa sobre valor nutricional
Em 2018, a empreendedora buscou apoio da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) para analisar a composição da planta. Dados preliminares indicam alto teor de proteínas, fibras, carboidratos e antioxidantes.
Sazonalidade e seca histórica afetam produção
O acesso ao jardim depende do nível dos rios. Quando a água sobe ou baixa em excesso, as visitas são suspensas — situação que se repete desde o fim de setembro. A renda obtida nesses períodos cobre apenas custos do MEI; a aposentadoria garante as despesas pessoais.
Em 2024, a região enfrentou a maior seca em cinco décadas, destruindo toda a plantação. Dulce precisou reiniciar o cultivo, germinando sementes em casa e transferindo as mudas para o lago protegido por cercas contra tartarugas, aves e peixes.
Em épocas normais de funcionamento, o negócio fatura cerca de R$ 6 mil por mês, combinando a taxa de visitação e a venda de geleias.
Com informações de revistapegn.globo.com




