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Sorveteria Cairu acelera abertura de lojas em Belém para receber público da COP 30

Belém (PA) – Prestes a completar seis décadas de atividade, a sorveteria paraense Cairu corre contra o relógio para inaugurar novas unidades antes da 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 30), marcada para outubro em Belém. A meta é saltar das atuais 14 lojas próprias para 20 pontos de venda, incluindo operações no Aeroporto Internacional de Belém, no Parque da Cidade – onde ocorrerá parte do evento – e no complexo Porto Futuro 2, próximo à Estação das Docas.

Raízes familiares desde 1963

A marca surgiu em 1963, quando o bar da família Henriques, chamado Cairu, enfrentava dificuldades após dois anos de funcionamento. Para complementar a receita, Ruth Henriques – bisavó do atual diretor, Roberto Bino – passou a produzir picolés. A iniciativa sustentou o negócio, que viraria oficialmente uma sorveteria em 1990. Hoje, Bino representa a quarta geração à frente da empresa.

Sorvetes com sabor amazônico

O crescimento acelerou quando a família decidiu transformar ingredientes típicos da região em sorvetes. Cupuaçu, bacuri, açaí, taperebá e castanha-do-pará são alguns dos insumos que se tornaram carros-chefe. Entre os 40 sabores, destaca-se o Carimbó, combinação de castanha-do-pará com doce de cupuaçu, classificado entre os 20 melhores do mundo no Festival Mundial do Gelato, na Itália, em 2022.

Capacidade de produção

Em sua fábrica, a Cairu produz 10 mil picolés por hora e até 10 litros de sorvete a cada dez minutos. Mesmo assim, o volume ainda é considerado restrito. A empresa trabalha com pequenos fornecedores locais e não utiliza conservantes, o que limita a distribuição fora do Pará. Atualmente, 160 colaboradores respondem pela operação, e cada loja fatura, em média, R$ 400 mil por ano.

Aposta de até R$ 3 milhões

O investimento mais robusto da nova fase ficará na avenida Mundurucus, em Belém. O ponto reunirá sorveteria, café e padaria, com aporte de até R$ 3 milhões – o maior da história da marca. “Queremos estar prontos para apresentar a Amazônia em forma de sorvete durante a conferência”, afirma Bino.

Reconhecimento como patrimônio

No ano passado, a empresa recebeu o título de Patrimônio Cultural de Natureza Material e Imaterial do Pará, refletindo a ligação afetiva com a população local. Segundo Bino, o boca a boca sempre foi o principal motor de divulgação, mais forte que qualquer campanha de marketing.

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Desafios para além das fronteiras

A ausência de conservantes garante sabor, mas encarece a logística e impede que o produto viaje longas distâncias sem perda de qualidade. Mesmo recebendo dezenas de pedidos de franquia diariamente, a direção afirma que só avançará quando encontrar um modelo de expansão que não comprometa a essência artesanal.

A COP 30 é vista pela empresa como vitrine internacional e oportunidade de aprendizado, tanto para a Cairu quanto para os pequenos produtores que abastecem a fábrica. A expectativa é aproveitar o evento para solidificar a marca e testar novos formatos de atendimento aos visitantes.

Com informações de revistapegn.globo.com

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