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Temu abre marketplace a todos os vendedores brasileiros e eleva disputa por lojistas locais

A Temu liberou, na quinta-feira (30/10), o cadastro de qualquer vendedor brasileiro em sua plataforma, encerrando a exigência de convite e adicionando pressão à concorrência no comércio eletrônico nacional.

Para atrair novos sellers, a companhia chinesa promete entregas em até dois dias úteis para itens armazenados no Brasil e custos iniciais reduzidos. A estratégia inclui parcerias com sistemas de gestão (ERP) locais — Olist, Base, Bling e Tray — que automatizam etapas como emissão de notas fiscais, controle de estoque e gerenciamento de pedidos.

Corrida pela entrega rápida

A ampliação da base de vendedores está ligada à disputa por frete mais barato e entregas velozes num mercado que movimentou R$ 204,3 bilhões em 2024 e deve chegar a R$ 234 bilhões em 2025, segundo a Abiacom.

“Com mais sellers espalhados pelo país, consigo entregar em até 24 horas em muitos lugares”, afirma Roberto Wajnsztok, sócio-diretor da Gouvêa Consulting. Ele lembra que sortimento e estoque são pilares decisivos para competir em preço e prazo.

Panorama dos concorrentes

• Shopee — mais de 3 milhões de vendedores nacionais respondem por mais de 90% das vendas no Brasil. Pesquisa de 2025 mostrou que, para 30% dos lojistas, a plataforma foi a primeira oportunidade on-line; mais da metade a considera a principal fonte de faturamento, e 30% ampliaram operações físicas após ingressar no marketplace.

• Shein — supera 30 mil parceiros locais, concentrados em roupas, calçados e casa. Planeja adicionar livros e alimentos em 2025. Oferece isenção de comissão nos primeiros 30 dias (depois fixa em 16%) e expandiu centros de apoio em 2024 por Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná; em 2025, voltou-se a Santa Catarina.

• AliExpress — segundo a diretora Briza Bueno, a base de vendedores nacionais cresce desde 2022, impulsionada por logística própria, comissões competitivas e ações promocionais como lives. Para ela, vendedores locais garantem prazo menor e itens grandes; os internacionais trazem produtos que não existem no mercado interno.

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• Mercado Livre e Amazon — ambas foram procuradas, mas não responderam até a publicação.

Perfil do e-commerce brasileiro

De acordo com Léo Homrich Bicalho, head de Negócios da Neotrust, o comércio eletrônico representa entre 15% e 20% do varejo nacional — porcentual inferior aos cerca de 50% observados em China, Estados Unidos e Europa. Aproximadamente 60% das vendas concentram-se no Sudeste. Ele ressalta ainda uma segmentação por classe social: Amazon, Mercado Livre e Magalu alcançam principalmente públicos A-B e parte do C; Shopee e Temu concentram consumidores das classes C, D e E, mas já registram vendas relevantes de eletrônicos.

Com a abertura total do marketplace, a Temu busca ganhar capilaridade nacional e acelerar prazos de entrega, enquanto rivais reforçam incentivos semelhantes para fidelizar vendedores locais.

Com informações de revistapegn.globo.com

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