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Reality show de Viih Tube e Eliezer com funcionários provoca críticas e levanta debate jurídico

A influenciadora Viih Tube e o marido, o também influenciador Eliezer, viraram alvo de críticas nas redes sociais nesta quarta-feira (1º/07) após divulgarem o reality show “As Patroas”, competição que colocaria empregados da casa do casal em diferentes desafios.

O anúncio foi feito na noite de terça-feira (30/06), em vídeo que previa dez episódios. Diante da repercussão negativa, o conteúdo foi retirado do ar poucas horas depois.

Como seria a disputa

Babás, motorista, governanta, cozinheiras e auxiliares de limpeza participariam de provas filmadas e publicadas na internet. Os vencedores receberiam prêmios em dinheiro, folgas e presentes — incluindo massagens e refeições em restaurantes — além de um valor final de R$ 20 mil para quem somasse mais pontos.

No primeiro desafio, exibido no vídeo removido, os funcionários precisavam localizar moedas coloridas espalhadas pela residência. Algumas delas estavam em locais como vaso sanitário, lixo do banheiro e penico das crianças; a maioria foi depositada na piscina, obrigando os participantes a se molharem.

Reação do público

Usuários das redes sociais acusaram os influenciadores de expor os trabalhadores a situações vexatórias. Comentários apontaram humilhação e desrespeito à dignidade dos empregados. Procuradas, as assessorias de Viih Tube e Eliezer não responderam até o fechamento desta reportagem.

O que diz a legislação trabalhista

Para o advogado trabalhista Rafael Galle, da GMP G&C Advogados Associados, competições internas podem funcionar como ferramenta de engajamento, desde que cumpram critérios objetivos e não gerem constrangimento. “Há risco de assédio moral organizacional quando a disputa provoca humilhação ou exposição pública”, alerta.

Segundo Galle, prêmios ou punições precisam ser aplicados de forma igualitária; caso contrário, podem ferir o princípio da isonomia. A divulgação de imagens amplia o potencial dano à honra e à imagem do trabalhador, ainda que a intenção seja “brincadeira”.

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Ele lembra que empresas que descumprem essas regras estão sujeitas a indenizações por danos morais, ações do Ministério Público do Trabalho, e até responsabilização penal — enquadramentos como constrangimento ilegal ou injúria.

O doutor em Direito do Trabalho Ricardo Mendonça acrescenta que dinâmicas mal planejadas podem deteriorar o clima organizacional, instaurando ambiente “hostil, individualista e violento”. A pressão para superar colegas mina a solidariedade e estimula comportamentos egoístas, aponta.

Direito de imagem

Mendonça reforça que gravações são permitidas apenas quando justificadas pela atividade e desde que não afrontem direitos de personalidade. Imagens que exponham o empregado ao ridículo ou à degradação configuram conduta ilícita e podem gerar reparação integral dos danos.

Até o momento, Viih Tube e Eliezer não informaram se o projeto será reformulado ou cancelado.

Com informações de revista PEGN

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