Empresa de doces usa currículos como material de embalagem e é alvo de críticas nas redes

A Doces Biba, fábrica instalada em Mococa (SP), foi duramente criticada após uma cliente receber uma encomenda embalada com 32 currículos impressos. O caso veio à tona no domingo (29/3), quando a consumidora, identificada no X pelo usuário @harryforemost, publicou imagens dos documentos utilizados para proteger os produtos dentro da caixa. A publicação ultrapassou 1,9 milhão de visualizações.
No relato, a cliente afirmou ter adquirido os doces por meio de uma plataforma de marketplace onde a empresa está cadastrada. Sem mostrar nomes ou fotos dos candidatos, ela destacou a exposição de dados pessoais: “Pegaram o currículo de pessoas que estão precisando de emprego para embalar mercadoria”, escreveu.
Empresa reconhece falha
Na segunda-feira (30/3), a fundadora e proprietária Érica Saboya divulgou nota no Instagram assumindo o erro. Segundo o comunicado, a Doces Biba suspendeu temporariamente os envios para auditar e reformular o descarte de documentos, além de iniciar treinamento de segurança da informação para os funcionários. A empresária disse estar contatando individualmente os donos dos currículos para pedir desculpas e oferecer suporte.
Possíveis implicações legais
Especialistas ouvidos pela reportagem alertam para violação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O professor Filipe Medon, da FGV Direito Rio, classificou o episódio como falha de segurança que pode gerar sanções civis e administrativas. Ele lembrou que a comprovação de dano adicional costuma ser exigida pelo Superior Tribunal de Justiça em casos de dados cadastrais.
A advogada Caroline D’Agostino, do Arnone Advogados Associados, apontou desvio de finalidade no tratamento das informações, infringindo princípios de adequação e necessidade. Segundo ela, multas podem chegar a 2% do faturamento, limitadas a R$ 50 milhões por infração, além de impactos reputacionais e riscos para o consumidor.
Para o advogado Alberto Goldenstein, sócio-fundador do GMP|GC Advogados Associados, a reutilização de currículos caracteriza incidente de segurança e tratamento irregular de dados. Ele destacou que a empresa não se exime de responsabilidade ao atribuir a conduta a um funcionário e pode enfrentar investigações de órgãos fiscalizadores, ações judiciais individuais ou coletivas, além de ver exposta a fragilidade de seus protocolos de descarte.
Embora a Doces Biba tenha afirmado que o episódio não reflete “o carinho e o cuidado” empregados em quase três décadas de atuação no mercado doceiro, a companhia corre para mitigar danos e retomar as operações somente após rever seus procedimentos internos.
Com informações de Revista PEGN




