De segurança de terminal a empresário global: a trajetória de Lucas Olivetti e da Papel para Mechas

Curitiba – Após três empresas fracassadas, o paranaense Lucas Olivetti, 35 anos, transformou uma ideia simples em um negócio presente em 19 países. Fundada em 2020, a Papel para Mechas já inseriu seu papel biodegradável para descoloração capilar em mais de 60 mil salões de beleza e comercializou mais de 260 milhões de folhas.
Da falência ao terminal de ônibus
Depois de tentar, sem sucesso, fabricar tampas de isopor (2009), produzir sacolas de papel (até 2014) e atuar na representação comercial de produtos para supermercados (2015-2016), Olivetti reconheceu que o próprio ego e a dificuldade em liderar equipes prejudicavam seus resultados. Em 2016, buscou disciplina como segurança no terminal de ônibus de Londrina (PR), onde permaneceu até 2018.
No emprego, ele lidava com rígidas hierarquias, cumpria escalas alternadas entre dia e madrugada e atendia públicos diversos. O período, apelidado por ele de “faculdade da vida”, ajudou a desenvolver habilidades de relacionamento que faltavam às experiências anteriores.
O insight dentro de um salão
Já de volta às vendas como representante comercial, Olivetti ouviu a queixa de um cabeleireiro sobre a reação do alumínio com o pó descolorante. A familiaridade com o setor de papel, adquirida na gráfica do padrasto, o levou a pesquisar um substituto sustentável. Com testes na própria gráfica e validações em salões parceiros, nasceu o protótipo do Papel para Mechas.
Private label como solução
Em 2019, o empresário conheceu Adailton Maciel, que se tornou sócio e sugeriu produzir para marcas de terceiros (private label) para driblar a escassez de recursos. A estratégia convenceu uma multinacional de cosméticos a antecipar R$ 250 mil em 9 de março de 2020, uma semana antes das restrições da pandemia.
Com o lockdown, Olivetti percorreu 12 estados, levantando cerca de R$ 2 milhões em novas antecipações de clientes. O capital financiou a montagem da fábrica própria, concluída no fim de 2020.
Sustentabilidade e tecnologia
O papel é produzido com madeira de reflorestamento, tintas atóxicas e adesivo vegetal extraído da goma de mandioca. Biodegradável e livre de metais, o produto possui duas patentes: o Grip System, que evita deslizamentos, e o Airflow, que permite circulação de ar para clareamento uniforme sem manchas.
Números e projeções
A companhia registrou faturamento de R$ 4,5 milhões em 2025, com média mensal de R$ 375 mil. Para 2026, a meta é alcançar R$ 10 milhões e chegar a até 50 países, com atenção especial ao mercado norte-americano. A empresa também planeja lançar uma linha global com identidade brasileira, valorizando a diversidade nacional.
Com informações de PEGN




