Falta de profissionais e estrutura integrada freia uso de IA nas empresas, aponta estudo

A adoção da inteligência artificial permanece no centro das prioridades corporativas, mas a escassez de mão de obra qualificada, a fragmentação de dados e a baixa governança estão atrasando a entrega de resultados concretos. O alerta aparece no relatório 2026 State of the CIO, do portal CIO.com, que indica que 40% dos executivos de tecnologia listam a falta de talentos internos como o principal entrave para estratégias de IA nos últimos 12 meses.
Para a o9 Solutions, plataforma global de planejamento baseada em inteligência artificial, o obstáculo vai além de contratar especialistas. Segundo o CEO Latam da companhia, Gabriel Vasconcellos, muitas organizações não conseguem inserir a IA nos fluxos reais de decisão por trabalharem com áreas isoladas, bancos de dados descentralizados e processos pouco integrados. “O mercado ainda enxerga a IA como uma camada de tecnologia separada, quando, na prática, ela exige mudança na forma como as decisões são tomadas”, afirma.
Projetos-piloto emperram
Embora boa parte das empresas já disponha de grandes volumes de dados e de ferramentas analíticas, transformar essas informações em decisões rápidas e coordenadas segue difícil. Estudos internacionais citados pela o9 revelam que cerca de 95% dos pilotos de IA não geram impacto mensurável, e mais de 40% são encerrados antes da etapa operacional.
O problema, segundo Vasconcellos, não está necessariamente nos modelos de IA, mas na ausência de contexto empresarial estruturado. “As empresas registram transações, metas e resultados, mas raramente preservam o porquê de cada decisão, as restrições envolvidas ou os trade-offs considerados”, explica.
Governança e confiança em pauta
Com isso, cresce a demanda por sistemas capazes de operar dentro das regras corporativas, garantindo rastreabilidade e explicabilidade. A o9 destaca o avanço da chamada IA neuro simbólica, que combina modelos generativos a regras de negócio, prescrições e restrições operacionais para oferecer maior segurança em ambientes críticos.
Falhas de interpretação podem resultar em excesso de estoque, rupturas de produção, perda de margem ou desalinhamento entre áreas, reforça o executivo: “Uma decisão ruim tomada por IA aparece na operação, nos custos e no resultado financeiro”.
Novo perfil profissional
Com a rápida evolução da tecnologia, a tendência é que o mercado passe a exigir menos especialistas isolados e mais profissionais capazes de conectar tecnologia, operação e estratégia. “O valor estará cada vez mais na capacidade de transformar inteligência em ação”, diz Vasconcellos, apontando a necessidade de conhecimentos em planejamento, risco, cadeia de suprimentos, finanças e tomada de decisão.
Nesse contexto, empresas já revêm seus programas de capacitação. A aposta recai sobre treinamento prático, requalificação de equipes internas e modelos colaborativos entre setores técnicos e de negócio. Para a o9 Solutions, a falta de talentos em IA reflete a transição das organizações para estruturas mais integradas, adaptativas e orientadas por decisões em tempo real.
“Quem continuar operando com estruturas rígidas, áreas desconectadas e decisões lentas terá dificuldade para capturar o valor real dessa transformação”, conclui Vasconcellos.
Com informações de revistapegn.globo.com




