Peixeiro da Paraíba transforma venda de tilápia em negócio digital que rende até R$ 14 mil por mês

Em Solânea, cidade do brejo paraibano com cerca de 26 mil habitantes (IBGE 2022), o vendedor de peixes Josivando Barbosa da Silva, 26 anos, uniu a venda porta a porta de tilápia à produção de vídeos em redes sociais e passou a faturar entre R$ 6 mil e R$ 14 mil por mês.
Conhecido como “Josivando Peixeiro”, o jovem comercializa o pescado em municípios vizinhos e publica o dia a dia do trabalho em plataformas como Instagram, TikTok, YouTube, Kwai e Facebook. A receita gerada pela monetização dos vídeos, que varia de R$ 3 mil a R$ 10 mil mensais, já supera o ganho direto com a venda dos peixes, hoje estimado entre R$ 3 mil e R$ 4 mil.
Negócio herdado da família
A atividade começou há seis anos, inspirada no pai, Antônio Pereira da Silva, 74, que ainda percorre a zona rural vendendo peixe porta a porta. Inicialmente, pai e filho pescavam em açudes da região, mas a seca de 2017 obrigou a migração para a compra de tilápia em pisciculturas.
Rotina de madrugada
Morador da zona rural, a 23 quilômetros de Solânea, Josivando sai de casa às 3h da manhã para buscar de 40 kg a 65 kg de tilápia em criadouros localizados a até 50 km de distância. O investimento diário vai de R$ 500 a R$ 800. Sem usar gelo, ele vende todo o carregamento em até dez horas, circulando principalmente por comunidades rurais de Damião, Casserengue, Arara e Remígio.
O quilo da tilápia é comprado a R$ 12 e revendido, limpo na frente do cliente, por R$ 18. O tíquete médio, entre R$ 36 e R$ 54, corresponde a compras de 2 kg a 3 kg. A clientela, formada em grande parte por famílias humildes e aposentados, costuma pagar no fim do mês, prática de fiado mantida pela confiança construída ao longo dos anos.
Viralização com câmera no capacete
Em agosto de 2024, Josivando começou a postar vídeos nas redes sociais, primeiro sobre apicultura e, um mês depois, sobre a rotina de peixeiro. O conteúdo ganhou força quando ele adaptou uma câmera ao capacete, mostrando a venda em ponto de vista (POV). Um dos primeiros vídeos atingiu até 50 mil visualizações em menos de 20 minutos, motivando o investimento em equipamento melhor.
A audiência na internet também ajudou a refinar o trabalho offline. O peixeiro passou a eliminar rotas com alta inadimplência e a concentrar visitas em áreas onde os moradores acompanham seus vídeos, o que ampliou as vendas presenciais.
Planos de expansão
Agora, o empreendedor pretende montar uma grande criação própria de tilápia para reduzir custos e, futuramente, abrir um espaço onde o pescado seja preparado para os clientes, demanda frequentemente mencionada nos comentários dos vídeos.
Com a combinação de tradição familiar, presença digital e foco no público rural, Josivando Barbosa da Silva projeta novas formas de agregar valor ao simples — e lucrativo — negócio de vender tilápia.
Com informações de revistapegn.globo.com




