Dono de rede de tênis divulga vídeos de supostos furtos e divide opiniões no Reino Unido

Ali Mansour, proprietário da rede de lojas de calçados Sneaker Hut, passou a publicar em redes sociais gravações de circuitos internos que mostram supostos furtos ocorridos em suas unidades na Inglaterra. A estratégia, adotada para pressionar os suspeitos, ganhou repercussão em veículos britânicos como o Daily Mail e gerou debate entre internautas.
Vídeo viral
No dia 3 de fevereiro, Mansour compartilhou no TikTok imagens em que, segundo ele, três jovens retiram um par de tênis de uma prateleira. O conteúdo, acompanhado da frase “Quer saber? Chega”, superou 203 mil visualizações. Nos comentários, parte do público criticou a ausência de funcionários no momento do furto; outra parcela condenou a atitude dos jovens, enquanto alguns usuários reprovaram a exposição feita pelo empresário.
Método de cobrança
Ao ser procurado pela imprensa, o empresário afirmou que a publicação dos vídeos se mostra mais eficaz que uma queixa formal à polícia. “A vergonha de ser exposto a centenas de milhares de pessoas na internet geralmente lhes ensina uma lição para nunca mais roubar”, declarou. Segundo Mansour, a tática ajuda a negociar a devolução ou o pagamento dos produtos supostamente levados.
A rede Sneaker Hut
Fundada em março de 2020, a Sneaker Hut conta com três lojas localizadas em Guildford, Miranda e Wetherill Park, na Austrália, além das operações mencionadas no Reino Unido.
Como seria no Brasil
Em setembro de 2024, a varejista brasileira Havan publicou vídeo semelhante no TikTok, que chegou a quase 12 milhões de visualizações. Especialistas lembram que, no Brasil, a divulgação de imagens de suspeitos pode esbarrar em dispositivos constitucionais que garantem a inviolabilidade da honra e da imagem, além da presunção de inocência.
A advogada Ana Júlia Moreira, do escritório Abe Advogados, destaca que a exposição pública não substitui a denúncia formal às autoridades. Já Luis Fernando Prado, do Prado Vidigal Advogados, acrescenta que a prática afronta a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), pois envolve compartilhamento de dados sem consentimento. Para ele, a empresa pode buscar reparação criminal e civil, mas a divulgação aberta fere o direito fundamental à privacidade.
Os debates sobre a legalidade e a ética da exposição virtual seguem sem consenso, enquanto vídeos do tipo continuam a atrair milhões de visualizações nas redes.
Com informações de PEGN




