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Fundador da Fictor entra com pedido de recuperação judicial após fracassar na compra do Banco Master

São Paulo, 2 de fevereiro de 2026 – O Grupo Fictor, controlado pelo empresário Rafael Góis, protocolou nesta segunda-feira (2/2) pedido de recuperação judicial para renegociar aproximadamente R$ 4 bilhões em dívidas. A holding afirma que a sua liquidez se deteriorou depois da liquidação do Banco Master, fato que, segundo a companhia, desencadeou boatos e notícias negativas que abalaram a reputação do conglomerado.

Origem e trajetória de Rafael Góis

Formado em Administração de Empresas pela Universidade Candido Mendes, em 2000, Rafael Góis fundou a Fictor em 2007, na capital paulista. Desde então, ocupa o cargo de presidente-executivo e comandou a expansão do grupo durante quase duas décadas.

Do início como startup à estratégia de aquisições

Iniciada como uma empresa de tecnologia, a Fictor acelerou o crescimento ao adquirir companhias dos setores de agronegócio e alimentos. Em 2020, a holding passou a se apresentar como gestora de investimentos com atuação típica de private equity, após realizar um IPO reverso para ingressar na bolsa sem oferta pública tradicional de ações.

Hoje, o portfólio reúne cerca de dez negócios espalhados pelos ramos financeiro, de alimentos, agronegócio e infraestrutura. A sede principal fica em São Paulo, com escritórios adicionais em Miami e Lisboa. A comercialização de commodities agrícolas, intensificada a partir de 2018, foi apontada como motor da expansão via fusões e aquisições.

Tentativa de comprar o Banco Master

Em novembro de 2025, a Fictor negociava a compra do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, por cerca de R$ 3 bilhões. O negócio não avançou e o Banco Central decretou a liquidação da instituição um dia após a data prevista para a conclusão da operação.

Documentos da Junta Comercial de São Paulo mostram que o capital social da Fictor Holding é de R$ 4,2 milhões, bem abaixo do valor projetado para a aquisição, o que levantou dúvidas sobre a estrutura financeira da transação.

Patrocínio esportivo em destaque

Em março de 2025, a Fictor firmou contrato de patrocínio com o Palmeiras, tornando-se patrocinadora master das categorias de base. O acordo, de R$ 30 milhões anuais, inclui exposição da marca na parte traseira do uniforme das equipes masculina e feminina e o naming rights da Copa Fictor Sub-17. Após o anúncio da recuperação judicial, o clube informou que o departamento jurídico avalia a situação.

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Executivos que ganharam visibilidade

• André Vasconcellos deixou o cargo de diretor de estratégia, planejamento e relações com investidores da Fictor Alimentos em 29 de janeiro. Ele ocupava a função desde outubro de 2024, quando a empresa passou a ser negociada na B3 sob o ticker FICT3, após a compra de 76% da Atom Participações e a mudança de foco para o agronegócio.

• Rafael Paixão, sócio e diretor da Fictor, foi citado nas investigações que resultaram na prisão de Daniel Vorcaro durante a Operação Compliance Zero. Paixão e o ex-acionista da Fictor Luiz Phillippe Gomes Rubini tentaram comprar um precatório ligado ao Banco Master, mas desistiram diante do risco jurídico após a liquidação.

• Luiz Phillippe Gomes Rubini solicitou ao Banco Central, em julho de 2025, autorização para adquirir o Banco Porto Real, sediado no município fluminense de mesmo nome.

Com o pedido de recuperação judicial em curso, o Grupo Fictor busca agora renegociar seus compromissos e preservar as operações de suas controladas.

Com informações de Revista PEGN

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