Mercosul e União Europeia firmam acordo que zera tarifas para mais de 90% do comércio entre os blocos

O Mercosul e a União Europeia assinaram neste sábado, 17 de janeiro, em Assunção (Paraguai), o acordo comercial que vinha sendo negociado há mais de 25 anos. A cerimônia contou com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e representantes dos dois blocos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Pelo texto, serão eliminadas tarifas sobre 91% das exportações europeias e 92% das exportações do Mercosul. A proposta recebeu o aval de maioria qualificada dos Estados-membros da UE em 9 de janeiro.
Possível atraso jurídico
Apesar da assinatura, a entrada em vigor pode demorar. Um grupo de 145 parlamentares europeus defende que o Tribunal de Justiça da UE analise pontos legais do tratado antes da votação final no Parlamento Europeu, o que pode postergar a ratificação por até dois anos. A decisão sobre o envio ao tribunal está prevista para 21 de janeiro.
Volume de comércio
A União Europeia aparece como segundo maior parceiro do Mercosul em bens, com exportações que atingiram € 57 bilhões (R$ 369 bilhões) em 2024. Nos serviços, um quarto das operações do bloco sul-americano envolve a UE, que somou € 29 bilhões (R$ 187 bilhões) em 2023.
Capítulo dedicado a pequenas e médias empresas
O acordo inclui um capítulo específico para Pequenas e Médias Empresas (PMEs). O texto prevê a criação de portais oficiais com informações sobre tarifas, exigências sanitárias e oportunidades de negócios, além de um coordenador responsável por atualizar esses dados nos países signatários.
Oportunidades para exportadores brasileiros
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) estima que o novo marco pode elevar em cerca de US$ 7 bilhões as vendas brasileiras para a Europa. Após a adoção de tarifas adicionais pelos Estados Unidos, a agência reforçou a estratégia no mercado europeu e registrou aumento de 4% nas exportações para a região em 2025.
Setores já tradicionais devem ser beneficiados, como a agroindústria — com carne bovina, suco de laranja, café, soja e frutas tropicais — e a indústria de autopeças, calçados, têxteis, móveis e artigos de couro. Produtos abundantes na América do Sul, como ferro, celulose e etanol, também tendem a ganhar espaço.
Do lado europeu, a expectativa é de maior presença de máquinas, equipamentos, automóveis, produtos farmacêuticos e químicos, além de serviços de engenharia, finanças e consultoria.
Especialistas apontam que a redução de tarifas deve aumentar a competitividade de itens nacionais frente a concorrentes de fora do acordo. Alimentos típicos, por exemplo, podem conquistar nichos em localidades europeias com grande população brasileira antes de avançar para outros mercados.
Com informações de revistapegn.globo.com




