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Mercado fitness ganha força no Brasil e abre espaço para negócios personalizados

O interesse dos brasileiros por atividade física e bem-estar impulsiona uma série de oportunidades para empreendedores do setor fitness. Entre 2013 e 2023, a parcela de adultos que praticam ao menos 150 minutos semanais de exercício moderado subiu de 33,8% para 40,6%, segundo o Vigitel, levantamento telefônico do Ministério da Saúde.

A economia do bem-estar

Em 2022, o país movimentou US$ 96 bilhões (cerca de R$ 520 bilhões) em produtos e serviços ligados ao viver saudável, valor equivalente a 5% do PIB. O montante coloca o Brasil na 12ª posição mundial e na liderança latino-americana de acordo com o Global Wellness Institute (GWI). Os segmentos com maior participação são beleza e cuidados pessoais, alimentação saudável e atividades físicas.

Personalização em alta

O estudo Tendências do Fitness Brasil, produzido pelo American College of Sports Medicine (ACSM), aponta o treinamento sob medida como principal demanda do público. A lógica da personalização atinge treinos, suplementos, cosméticos e roupas. “As pessoas querem produtos que se encaixem em características pessoais”, afirma Paulo Amaral, autor da versão brasileira do levantamento.

Academias butique

Para competir com redes de baixo custo, surgem academias que limitam vagas, oferecem horários flexíveis e serviços extras, como snacks, sessões de massagem e recovery com equipamentos de fisioterapia. A XN Leblon, no Rio de Janeiro, cobra mensalidades de até R$ 2,6 mil que incluem personal trainer, fisioterapia e sauna de LED. O modelo admite oito alunos por horário e soma 132 matriculados, além de 460 clientes da unidade da Barra da Tijuca.

Público mais diverso

Homens ainda são maioria, mas a participação feminina subiu de 27,4% para 36,2% na última década. O grupo acima de 45 anos também cresce, com atenção especial às pessoas 50+, que reúnem tempo livre e maior poder aquisitivo.

Athleisure e acessórios

A tendência de usar peças esportivas fora das academias — conhecida como athleisure — movimenta moda, maquiagem e acessórios. O setor de vestuário esportivo registrou 2,4 mil empresas e faturou R$ 23,2 bilhões em 2023, alta de 3,4% sobre 2022, segundo o Iemi. Tecidos com conforto térmico, proteção UV e secagem rápida estão entre os diferenciais mais buscados.

No nicho plus size, a Wonder Size vendeu 50 mil peças desde 2017 e faturou R$ 10 milhões. Em 2024, a marca cedeu exclusividade de vendas à Netshoes e passou a licenciar modelagens.

Cosméticos de performance

A Pink Cheeks nasceu em 2013, em Leme (SP), após 300 protótipos de um protetor solar em bastão criado pela farmacêutica Corina Cunha. Hoje, a empresa emprega 50 pessoas, vende em grandes redes varejistas e fechou 2024 com receita de R$ 54 milhões.

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Suplementos em expansão

O consumo de suplementos atinge 69% dos praticantes de atividade física, com destaque para whey, BCAA e creatina. O setor reúne 360 empresas e movimenta R$ 30 bilhões, segundo a Abenutri. A Dobro, criada em 2018 em São Paulo, estima faturar R$ 50 milhões em 2025 com barras energéticas, proteínas vegetais e géis de beterraba, vendidos em 2,5 mil pontos de venda.

Influência digital

Com 5,7 milhões de seguidores no Instagram, Patrícia Ramos transformou sua rotina de treinos em negócios e se tornou sócia de 5% da rede carioca Silva Gym. Ela também participou do desenvolvimento de um aplicativo que ensina execução de exercícios e oferece planos de corrida e nutrição.

Exercício como experiência social

A busca por pertencimento motiva projetos como o HipHop Workout Collective, criado em São Paulo em 2024 por três professoras de educação física. As aulas, embaladas por hip hop, reúnem cerca de 150 alunas a cada edição por R$ 69,90 o ingresso, incluindo debates e brindes de marcas parceiras.

Dados do relatório WGSN apontam que 29% de jovens da Geração Z e millennials preferem um primeiro encontro em aula de fitness a um bar, mostrando potencial para iniciativas que unam exercício e socialização.

A combinação de demanda crescente, diversificação do público e busca por personalização indica que o mercado fitness brasileiro continuará abrindo espaço para novos formatos de academias, marcas de vestuário, cosméticos, suplementos e experiências coletivas.

Com informações de revistapegn.globo.com

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