Ataque a dados da Qantas expõe fragilidade da cibersegurança australiana e limites da legislação

O vazamento de mais de 150 gigabytes de informações de clientes da Qantas colocou em evidência falhas na proteção digital de grandes empresas australianas e levantou dúvidas sobre a capacidade das leis locais de punir responsáveis quando a violação parte do exterior.
Grupo ameaça apenas empresas australianas
Em setembro, o coletivo criminoso Scattered Lapus$ Hunters divulgou, em um canal do Telegram que foi posteriormente banido, a mensagem: “Nossa guerra é apenas com a Austrália. Não com os americanos, britânicos ou qualquer outro”. No mesmo texto, ofereceu pagamento a funcionários de empresas avaliadas em mais de US$ 1 bilhão que estivessem dispostos a vender credenciais de acesso.
Escalada de ataques em números oficiais
O relatório anual da Direção de Sinais da Austrália (ASD), publicado em outubro, mostra aumento de 16% nas ligações para a Linha Direta de Cibersegurança em comparação com o ano anterior. O Centro Australiano de Cibersegurança (ACSC) registrou:
- mais de 1.200 incidentes – alta de 11%;
- 1.700 notificações a organizações sobre atividade maliciosa potencial – crescimento de 83%;
- alertas a infraestruturas críticas subiram 111%.
No ano fiscal de 2024-25, os prejuízos médios autorrelatados também avançaram:
- pequenas empresas: AU$ 56.600 (aumento de 14%);
- médias empresas: AU$ 97.200 (alta de 55%);
- grandes empresas: AU$ 202.700 (salto de 219%).
Segundo a ASD, a maioria dos crimes cibernéticos continua sem notificação, o que sugere números reais ainda maiores.
Brecha veio de fornecedor estrangeiro
Investigação inicial apontou que os dados da Qantas foram acessados via software de gestão de clientes mantido por terceiro fora do país, e não por meio dos sistemas centrais da companhia aérea. A descoberta complica a aplicação de penas previstas em legislação recente, que permite à Comissão Australiana de Informações multar empresas em até AU$ 50 milhões por falhas graves de privacidade.
A Qantas obteve liminar na Suprema Corte de Nova Gales do Sul proibindo qualquer pessoa de acessar, divulgar ou publicar os dados roubados. O grupo hacker afirmou que a ordem “apenas impede jornalistas e pesquisadores australianos de verificarem a violação”.
Governo cobra atualização de sistemas
O ministro da Defesa, Richard Marles, classificou o relatório da ASD como um alerta: “Para grandes empresas, o custo de cada incidente mais que triplicou. Isso mostra o impacto na economia. Sistemas de TI antigos são a porta de entrada dos criminosos. Trabalhem com seus contratados e terceiros para evitar que eles sejam essa porta”.
Com informações de Business News




