EUA derrubam tarifa recíproca de 10% sobre café, tomate, banana e açaí, mas mantêm sobretaxa de 40%

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou ontem (data não especificada) uma ordem executiva que elimina a tarifa recíproca de 10% aplicada desde abril sobre carne bovina, café, tomate, banana, açaí e outros produtos agrícolas importados. A decisão, segundo a Casa Branca, pretende reduzir os custos para o consumidor americano após a pressão gerada pelos preços elevados.
Alívio parcial para o Brasil
No caso brasileiro, a medida derruba apenas a alíquota de 10%. A sobretaxa punitiva de 40%, anunciada em julho e em vigor desde agosto, permanece. Com isso, as exportações brasileiras seguem pagando 40% para entrar nos EUA.
Integrantes da equipe econômica do governo Lula consideraram a decisão “positiva, porém insuficiente”, uma vez que o tarifaço total recuou de 50% para 40%. Técnicos lembram que o café e a carne bovina continuam sujeitos a “tarifas substanciais”.
Motivações e contexto
Em texto publicado no site da Casa Branca, Trump atribuiu a mudança ao “progresso significativo” alcançado em acordos bilaterais firmados recentemente com países da Ásia, América Latina e Europa. O documento menciona entendimentos com Malásia, Camboja, Tailândia, Vietnã, Argentina, El Salvador, Equador, Guatemala, Reino Unido, União Europeia, Suíça, além de promessas de investimento de Japão e Coreia do Sul.
O representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, afirmou mais cedo que a redução se deve à ampliação de fontes de abastecimento externo de produtos como café, cacau e bananas.
Impactos nos preços e no comércio
Dados do governo americano indicam que o consumidor nos EUA pagou quase 20% a mais pelo café em setembro na comparação anual. Já as vendas de café brasileiro recuaram 51,5% entre agosto e outubro frente ao mesmo período de 2024, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
Repercussão no Brasil
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, avaliou que a retirada da tarifa recíproca “beneficia o Brasil” e reforça a retomada do diálogo entre Brasília e Washington, iniciada após encontro entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no fim de outubro, na Malásia.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) classificou a decisão como “muito positiva” por devolver previsibilidade ao setor; os EUA são o segundo maior mercado da carne bovina brasileira. O Cecafé informou estar analisando os efeitos da medida junto a parceiros americanos.
Já a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) considerou a mudança “decepcionante”. Para o presidente executivo José Augusto de Castro, a redução de 10 pontos percentuais não é suficiente para alterar o cenário de preços altos no mercado norte-americano.
A Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) recebeu “com entusiasmo” a inclusão de banana e açaí, mas lamentou que a uva tenha ficado fora da lista num momento em que as exportações da fruta aos EUA caíram 73% em valor e 68% em volume no terceiro trimestre ante igual período de 2024.
Apesar da retirada parcial das tarifas, fontes do escritório Barral Parente Pinheiro Advogados avaliam que um alívio mais amplo ainda depende das negociações em curso entre os dois governos.
Com informações de Revista PEGN



