Treinamento orienta bares e restaurantes a reconhecer bebidas falsificadas

A Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe), a Associação Brasileira de Bebidas Destiladas (Abbd) e a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) iniciaram, na tarde de quarta-feira (01/10), uma série de treinamentos voltados a empreendedores que desejam aprender a identificar bebidas alcoólicas falsificadas e reduzir o risco de comercializar produtos irregulares.
Segundo Daniel Monferrari, coordenador do Comitê de Proteção de Marca da Abrabe e responsável pela iniciativa, os encontros serão diários e continuarão “por tempo indeterminado”, enquanto houver demanda de interessados no tema.
Quatro pontos de análise
Durante o curso, os participantes são orientados a avaliar quatro aspectos antes de comprar ou servir destilados, vinhos e cervejas: tampa, líquido, preço e embalagem.
Tampa — A garrafa original apresenta lacre íntegro, sem folgas entre tampa e gargalo, impressão de boa qualidade e ausência de plástico externo em tampas que possuem arte. Sinais de falsificação incluem bordas irregulares, cores diferentes da versão legítima, espaço entre tampa e gargalo, amassados, arte desgastada e lacre plástico de baixa qualidade. Em bebidas importadas, deve haver selo IPI em papel-moeda, com códigos próprios.
Líquido — Monferrari reforça que produtos da mesma marca exibem coloração idêntica e nível de enchimento uniforme. Destilados como uísque, vodca, gim e cachaça não devem apresentar partículas, impurezas ou corpos estranhos, pois processos de destilação e filtragem removem resíduos.
Preço — Valores muito abaixo da média de mercado indicam possível irregularidade. A recomendação é comprar apenas de canais homologados, no mesmo estado de operação, sempre com nota fiscal e nunca de vendedores de rua.
Embalagem — Garrafas sujas ou com rótulo desgastado devem ser evitadas, exceto nos casos de recipientes retornáveis, como cervejas e algumas cachaças. Rótulos de qualidade exibem alto-relevo, impressão nítida e, no verso, informações em português, telefone de atendimento ao consumidor, dados de produtor ou importador, ingredientes e número de registro no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).
Perigo do metanol
A preocupação com a presença de metanol, solvente altamente tóxico usado na indústria, tem crescido, mas especialistas reforçam que a substância só pode ser detectada com precisão em laboratório, por cromatografia em fase gasosa. Verificar odor, cor ou sabor não é suficiente, pois o metanol se mistura facilmente ao etanol e à água.
De acordo com o Ministério da Saúde, a intoxicação por metanol pode ocorrer por ingestão, inalação ou contato dérmico. Os sintomas surgem entre 12 e 24 horas e podem incluir forte dor de cabeça, confusão mental, convulsões, visão borrada, náuseas, vômitos, acidose metabólica e risco de cegueira irreversível.
Penalidades
A adulteração de bebidas é crime e pode levar a pena de até oito anos de prisão, lembram as entidades do setor.
O treinamento permanece aberto e gratuito para proprietários de bares, restaurantes e demais profissionais interessados em se capacitar no combate ao mercado ilegal de bebidas alcoólicas.
Com informações de PEGN




