BNDES libera só 10% da linha de R$ 40 bi para empresas afetadas por tarifas dos EUA em um mês

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) desembolsou R$ 4,952 bilhões em financiamentos no primeiro mês de operação da linha emergencial criada para apoiar empresas brasileiras atingidas pela tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos. O valor representa pouco mais de 10% dos R$ 40 bilhões colocados à disposição desde 18 de setembro.
Ao todo, 357 operações foram aprovadas, de um total de 448 solicitações que somam R$ 7,9 bilhões. Até agora, 63% dos pedidos analisados receberam aval do banco público; os demais seguem em avaliação.
Setores e porte das empresas
A indústria de transformação concentrou a maior fatia dos recursos liberados, com R$ 4,18 bilhões. A agropecuária ficou com R$ 336 milhões, o comércio e serviços, com R$ 308 milhões, e a indústria extrativa, com R$ 127 milhões.
Quanto ao porte, 38,2% dos valores aprovados beneficiaram micro, pequenas e médias empresas, enquanto 61,8% destinaram-se a grandes companhias.
Distribuição por estado
São Paulo lidera em volume contratado, com R$ 1,115 bilhão, seguido por Rio Grande do Sul (R$ 800 milhões), Paraná (R$ 658 milhões), Santa Catarina (R$ 553 milhões) e Goiás (R$ 330 milhões). Minas Gerais (R$ 298 milhões), Espírito Santo (R$ 291 milhões), Ceará (R$ 178 milhões), Pará (R$ 137 milhões) e Bahia (R$ 100 milhões) completam a lista dos dez estados com maior captação.
Origem dos recursos e elegibilidade
A linha conta com R$ 30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) e R$ 10 bilhões de recursos próprios do BNDES. Podem solicitar o crédito empresas que comprovem que ao menos 5% do faturamento bruto decorre de vendas aos EUA.
Segundo o BNDES, o prazo médio entre análise e aprovação tem ficado abaixo dos 60 dias usuais da instituição. Parceiros financeiros do banco estimam uma demanda potencial de R$ 14,5 bilhões.
Dificuldade de acesso e garantias pendentes
Parte dos exportadores alega dificuldade para obter os empréstimos porque o Congresso ainda não aprovou o projeto que oferece garantia da União às operações. A Medida Provisória que criou a linha está em tramitação, e a liberação plena depende de uma lei complementar que prevê aportes de R$ 1,5 bilhão no Fundo Garantidor do Comércio Exterior (FGCE), R$ 2 bilhões no Fundo Garantidor para Investimentos (FGI) e R$ 1 bilhão no Fundo de Garantia de Operações (FGO).
O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca), Eduardo Lobo, afirma que poucas companhias do setor conseguiram crédito por falta de garantias. Ele relata que bancos têm exigido contrapartidas “absurdas”, transformando a linha emergencial em operação convencional.
Na mesma linha, a Cais do Atlântico, de Santa Catarina, diz ter buscado crédito em oito instituições sem sucesso. Segundo o sócio-diretor Jean Gonçalves, a empresa enfrenta exigências como contratação de consórcios e retenção de parte do valor financiado.
No setor têxtil, o diretor-superintendente da Abit, Fernando Pimentel, ressalta que o processo de liberação não é imediato, exigindo apresentação de projetos e comprovação da capacidade de pagamento. Já Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Abicalçados, observa que, diante das incertezas e da possibilidade de negociação com Washington, muitas empresas preferem evitar novos endividamentos.
A sobretaxa norte-americana entrou em vigor em 6 de agosto e, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, atinge 35,9% das exportações brasileiras ao mercado dos EUA, incluindo café, carnes e pescado.
Com informações de revistapegn.globo.com




