Demitida em abril, baiana vira personal chef, viraliza nas redes e lota agenda

RIO DE JANEIRO – Após ser dispensada do setor administrativo de uma multinacional em abril deste ano, a baiana Deborah Pataxó, 31 anos, transformou o desemprego em oportunidade e criou um serviço de personal chef que rapidamente ganhou visibilidade nas redes sociais.
Filha de uma família indígena do extremo sul da Bahia, Pataxó aprendeu a cozinhar ainda criança e decidiu recorrer a esse conhecimento quando o seguro-desemprego se aproximava do fim. Em busca de orientação, recebeu uma mentoria informal de uma amiga que já atuava como personal chef em São Paulo.
A primeira contratação ocorreu antes mesmo de concluir o treinamento: ela preparou refeições na casa de um casal de amigos e publicou a experiência no X (antigo Twitter). O post ultrapassou 200 mil visualizações em poucas horas e gerou centenas de pedidos de orçamento.
Modelo de atendimento
Hoje, a cozinheira atende de dois a quatro clientes por semana, alternando Rio de Janeiro e São Paulo. O serviço consiste em ir à residência dos contratantes para produzir refeições que podem abastecer a família por até 15 dias. A diária custa R$ 500 para casas com até três pessoas; acima desse número, o valor sobe para R$ 680 e inclui uma assistente.
Segundo Pataxó, a maioria dos clientes são jovens em regime de home office que buscam alimentação saudável sem recorrer a ultraprocessados. Cada cardápio é elaborado de acordo com preferências, restrições e hábitos alimentares, garantindo sabor mesmo após o congelamento.
Dois formatos
No Chef em Casa Clássico, a profissional cozinha na residência do cliente e deixa as refeições embaladas. Já no Chef em Casa Conforto, os ingredientes são entregues em sua própria casa, onde ela prepara os pratos para retirada posterior. Ela não utiliza aplicativos de entrega para preservar a qualidade dos alimentos.
Processo e rotina
O contato inicial ocorre pelo X ou Instagram. Após a solicitação, a chef envia um PDF com detalhes do serviço, cardápios e valores. O cliente paga 50% adiantado, recebe uma lista de compras dividida por hortifruti, açougue e mercado, e escolhe as marcas dos produtos. Nos dias de produção, Pataxó inicia às 8h e encerra por volta das 17h, seguindo um mise en place rigoroso para cumprir o cronograma.
Expansão e planos
Com a agenda cheia, a cozinheira já programou um tour de atendimentos em São Paulo para novembro, com quatro contratos confirmados. Ela também concorre a uma bolsa integral na escola de gastronomia Le Cordon Bleu, onde pretende se especializar em 2026. Os próximos passos incluem formalizar o negócio, abrir CNPJ, organizar planilhas de custos e desenvolver identidade visual.
Apesar do crescimento acelerado, Pataxó afirma que manterá o foco no contato direto com os clientes e na qualidade dos preparos. “Gosto de conversar, entender o que cada pessoa precisa e cozinhar com afeto”, diz.
Com informações de Revista PEGN




