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Artesãs do Marajó transformam grafismos indígenas em roupas de gala e miram crescimento com a COP30

Na Ilha de Marajó, no Pará, costureiras e artesãs resgatam a arte marajoara em peças de vestuário e buscam espaço no mercado nacional da moda. As criações unem bordados manuais, cultura ancestral e expectativa de novos negócios com a realização da COP30, em 2025, em Belém.

Dona Cruz, 77 anos, e a camisa de gala marajoara

Em Soure, a costureira Dona Cruz confecciona camisas de algodão inspiradas nos grafismos das antigas cerâmicas indígenas. Cada peça, voltada para ocasiões especiais, leva de um a três dias para ficar pronta e custa entre R$ 290 e R$ 410, dependendo do tamanho e do modelo.

A procura aumentou depois que o governador Helder Barbalho (MDB) usou uma de suas criações na Cúpula da Amazônia, em 2023. Mesmo enviando encomendas para Brasília, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, a artesã segue trabalhando de forma independente. “O que ganho gasto em materiais para ter produtos disponíveis quando o cliente chega”, explica.

Com apoio do Sebrae e do programa Polo de Moda do Marajó, Dona Cruz recebeu orientação sobre precificação, apresentação e acesso a novos mercados, além de uma máquina de costura industrial doada em parceria com a prefeitura local. No fim de outubro, ela ministrará curso de camisaria marajoara para multiplicar a técnica de bordado que aprendeu com o artesão Baiano, morto na pandemia de covid-19.

Rosilda Angelim leva a identidade amazônica às passarelas

Em Salvaterra, a quilombola Rosilda Angelim, 56 anos, comanda um ateliê de seis pessoas, produzindo roupas e acessórios com tecidos 100 % algodão. Ex-professora e ex-servidora pública, ela encontrou na costura o caminho para superar dificuldades financeiras e depressão há 16 anos.

Suas peças são vendidas em lojas de Belém e atraem consumidores de outras regiões. As sobras de tecido viram matéria-prima para tapetes e outros artesanatos, gerando renda para famílias vizinhas. Com a proximidade da COP30, Rosilda prepara maior volume de produção: “Quero ganhar dinheiro, mas também divulgar nossa cultura”.

Mang Marajó aposta no turismo local

A ex-professora de francês Glauciane Pinheiro, 40 anos, criou a marca Mang Marajó após concluir curso de costura industrial. Com duas máquinas presentes do marido, montou ateliê no próprio quarto e passou a desenvolver estampas autorais e bordados produzidos por famílias terceirizadas da região.

Artesãs do Marajó transformam grafismos indígenas em roupas de gala e miram crescimento com a COP30 - 11

O aumento de turistas em Soure, impulsionado pelos preparativos para a COP30, tem ampliado as vendas. “Recebo gente todos os dias, até à noite ou aos domingos. Acreditamos que o turismo pode sustentar o Marajó”, afirma.

Desafios para crescer

Segundo a diretora do Sebrae no Marajó, Renata Rodrigues, ainda faltam equipamentos modernos, capacitação contínua, canais de comercialização e linhas de crédito. Para avançar, ela defende a expansão de parcerias institucionais, a abertura de novos mercados – físicos e digitais – e políticas públicas de apoio ao desenvolvimento local com identidade cultural.

As artesãs veem em novembro de 2025, mês da conferência climática, um possível ponto de virada. Enquanto isso, seguem costurando, bordando e promovendo a arte marajoara em cada peça que sai da ilha rumo a diferentes regiões do país.

Com informações de Revista PEGN

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