Bancos públicos ampliam crédito para médias empresas e especialistas explicam como acessar recursos

Linhas de financiamento voltadas a companhias de médio porte ganharam fôlego nos principais bancos de fomento do país. No BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), R$ 52 bilhões foram liberados para quase 43 mil empresas desse segmento. No BDMG (Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais), médios negócios responderam por 22,5% do montante concedido em 2024. Somente no primeiro semestre de 2025, o valor destinado ao segmento avançou 38%.
Apesar da maior oferta, muitos empresários ainda desconhecem as modalidades disponíveis, observa Felipe Albuquerque, sócio da consultoria de captação de recursos Albuquerque Paulo & Associados, sediada em São Paulo. Ele esclarece as principais dúvidas sobre como acessar o crédito subsidiado.
Conhecer as linhas é o primeiro passo
Antes de solicitar recursos, a empresa deve identificar a linha mais adequada. Um exemplo é a aquisição de máquinas: o Finame cobra cerca de 18% ao ano, com seis anos para quitação e um de carência. Caso o equipamento se enquadre no programa BNDES Mais Inovação, a taxa cai para 2,70% ao ano mais TR, com prazo total de 16 anos e quatro de carência.
Projeto precisa ser completo
O banco exige a apresentação do investimento como um todo, não apenas do item isolado. Detalhes sobre obras, adequações, softwares, treinamento e impacto financeiro devem constar no pedido, mesmo que parte dos custos seja bancada pelo próprio empreendedor.
Planejamento evita perda de oportunidades
Algumas linhas têm limite anual de orçamento e programas de inovação ou sustentabilidade podem ser abertos em períodos específicos. Planejar o envio da proposta reduz o risco de ficar sem recursos no fim do ano.
Governança e licenças obrigatórias
Não é necessário possuir todas as certificações possíveis, mas demonstrações financeiras consistentes, controles de governança e conformidade trabalhista, fiscal e ambiental são exigidos. Indícios de trabalho análogo à escravidão ou exploração ambiental inviabilizam a operação. Indústrias precisam de licença ambiental; empresas de alimentos, de autorização da Anvisa, por exemplo.
Valor depende da capacidade de pagamento
Não há fórmula fixa que limite o financiamento a um percentual do faturamento. O banco avalia se o fluxo de caixa projetado cobre as parcelas. Se uma empresa com receita anual de R$ 100 milhões deseja financiar R$ 50 milhões, deve provar que o investimento elevará o faturamento a cerca de R$ 300 milhões, garantindo folga para quitar a dívida.
Diferença entre empréstimo e financiamento
No empréstimo, o recurso é livre e as taxas costumam ser mais altas. No financiamento, o dinheiro é vinculado a um projeto específico, o que reduz o risco para o banco e possibilita juros menores. Programas de fomento contam ainda com subsídio governamental, ampliando prazos e barateando o custo.
Acesso direto ou indireto ao BNDES
Empresas com faturamento anual a partir de R$ 80 milhões podem buscar crédito diretamente no BNDES para projetos superiores a R$ 20 milhões. Para valores menores, o caminho é indireto, via bancos repassadores, que assumem o risco e aplicam um spread próprio, respeitando tetos de taxa e prazos definidos pelo BNDES. A escolha da instituição intermediária impacta na agilidade e nas condições finais.
Prazo de liberação pode chegar a um ano
A análise de um financiamento em bancos de fomento leva, em média, seis meses, podendo chegar a 12 meses nos projetos mais complexos. O processo inclui avaliação técnica, financeira, jurídica e, quando necessário, ambiental.
Com informações de revistapegn.globo.com




