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Bares do Rio registram reação nas vendas de drinques após crise do metanol

A queda brusca na procura por coquetéis, provocada pela contaminação de destilados com metanol reportada em setembro, começa a ser revertida nos bares e restaurantes do Rio de Janeiro. Estabelecimentos que chegaram a ver as vendas despencarem mais de 90% já observam recuperação gradual, ainda que abaixo do patamar anterior à crise.

Movimento volta a crescer

No PAlma, uma das casas do complexo Casa Horto, em Humaitá, a bartender e consultora Jessica Sanchez relata que a saída semanal de drinques caiu de 500 para apenas 50 logo após as primeiras notícias sobre intoxicação. Hoje, a marca gira em torno de 350 unidades por semana.

“A confiança foi restabelecida”, afirma Sanchez. Durante o período mais crítico, o bar apostou em opções como Aperol Spritz, enquanto a desconfiança dos consumidores se concentrava em vodca e gin — bebidas mais visadas pelos falsificadores. O fato de a Casa Horto produzir seu próprio gin artesanal, o OBY, elaborado com 22 botânicos da Mata Atlântica, ajudou a amenizar o impacto.

Perdas e retomada parcial

No Cafofo Pub, em Botafogo, a venda semanal de coquetéis, que antes alcançava cerca de 1.000 unidades, desabou 95% nas duas primeiras semanas da crise. Atualmente, o bar comercializa cerca de 500 drinques. De acordo com o sócio Marcos Tulio Filho, muitos clientes migraram temporariamente para cervejas — em especial, as sem álcool — enquanto buscavam reduzir riscos.

Já o Quartinho, também em Botafogo e parte de um grupo com 11 casas na cidade, viu a saída de coquetéis cair de 1.500 para 200 por semana no pior momento. O volume agora está perto de 1.000. Segundo o sócio Jonas Aisengart, o episódio acelerou o plano de lançar marcas próprias de gin, vodca, cachaça e rum, com produção terceirizada e lançamento previsto para o primeiro semestre do próximo ano.

Setor sente o baque

Para Fernando Blower, presidente do Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro (SindRio), “todo estabelecimento com destilados relevantes no mix de vendas sentiu o impacto”. Segundo ele, muitos locais que nunca comercializaram bebidas adulteradas foram penalizados pela desinformação.

Bares do Rio registram reação nas vendas de drinques após crise do metanol - Imagem do artigo original

Balanço de casos no país

Boletim mais recente do Ministério da Saúde aponta 97 casos de intoxicação por metanol em bebidas no Brasil: 62 confirmados e 35 em investigação. O número de mortes chegou a 16 — nove em São Paulo, três no Paraná, três em Pernambuco e uma em Mato Grosso. Outros 10 óbitos seguem sob análise (cinco em São Paulo, quatro em Pernambuco e um em Minas Gerais).

Apesar dos efeitos ainda presentes nas receitas de bares e restaurantes, empresários do setor avaliam que a retomada do consumo de drinques avança semana a semana.

Com informações de PEGN

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