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Governo avalia cotas de exportação para atenuar tarifa de 50% dos EUA

Uma semana depois do encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em Kuala Lumpur, negociadores brasileiros já admitem negociar cotas de exportação caso não consigam a suspensão integral da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos nacionais.

O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou que a prioridade continua sendo a retirada total do chamado “tarifaço”, mas reconheceu que há espaço para discutir “alíquotas mais baixas para uma quantidade específica de alguns itens”. Segundo ele, setores como o café — cujo preço subiu no mercado norte-americano após a nova tarifa — poderiam ser contemplados. “Se a redução vier por meio de cota, ela precisa cobrir, no mínimo, o volume que já exportávamos”, ressaltou.

Disputa interna entre setores

A possibilidade de acordos por segmento intensificou a competição entre cadeias produtivas. Café e carne bovina, por exemplo, mobilizam lobby no Brasil e em Washington para entrar na lista de exceções. Representantes da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e o empresário Joesley Batista, do grupo J&F, acompanharam Lula na viagem ao Sudeste Asiático para defender o pleito. A Abiec disse acreditar em um entendimento que “preserve a competitividade” da carne brasileira no segundo maior mercado de destino do produto.

Do lado industrial, porém, há resistência. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, declarou que negociar caso a caso beneficiaria apenas commodities com impacto direto na inflação dos EUA, deixando para trás segmentos como calçados e têxteis, igualmente atingidos pela tarifa de 50%.

Planos A e B

Empresários ouvidos relatam que o plano A do governo é obter uma trégua temporária enquanto as tratativas avançam, proposta que ainda não recebeu sinal verde de Washington. O plano B, exposto pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, prevê justamente a ampliação das isenções setoriais.

No caso do café, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) pleiteia uma suspensão geral de 90 dias. Se não for possível, quer ver o produto incluído na lista de exceções assinada por Trump em 5 de setembro. O setor exportou 8,1 milhões de sacas para os EUA em 2024 e estima que uma cota deveria alcançar pelo menos 9 milhões.

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Efeito etanol

Entre as alternativas ventiladas por empresários está reabrir a antiga cota de 600 milhões de litros anuais de etanol norte-americano com tarifa zero, encerrada em 2020. A ideia esbarra na resistência do segmento sucroalcooleiro e do próprio MDIC. Hoje, o Brasil cobra 18% de imposto sobre o etanol de milho dos EUA, que por sua vez taxa em 2,5% o combustível brasileiro de cana-de-açúcar. Elias Rosa nega que o tema faça parte das conversas atuais.

O governo aguarda o retorno da equipe de Trump que negocia com a China para retomar o diálogo e prepara uma missão do chanceler Mauro Vieira e de Alckmin a Washington nos próximos dias.

Com informações de Revista PEGN

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