Empreendedores paraenses reforçam investimentos e qualificação às vésperas da COP30 em Belém

Faltando dois meses para a COP30, que será realizada em Belém (PA) em 2025, empresas, órgãos públicos e lideranças locais intensificam ações para aproveitar a visibilidade do encontro climático.
Marcas de olho no mercado internacional
A AMZ Tropical, criada em 2021 e voltada a destilados com insumos amazônicos, aposta na conferência para fechar contratos de exportação. O fundador, Leandro Daher, investiu entre R$ 10 mil e R$ 15 mil em cursos de idiomas para a equipe e cerca de R$ 200 mil na abertura de uma loja conceito na Avenida Brás de Aguiar, em frente a um dos hotéis que receberão delegações estrangeiras. O objetivo é ampliar a rede de distribuidores em até três anos.
Entre os produtos de destaque da marca está o drinque à base de jambu. “A COP30 será a vitrine perfeita para mostrar ao mundo o potencial de produtos que unem inovação, sustentabilidade e biodiversidade”, diz Daher.
Cosméticos sustentáveis pedem inclusão
Na Mahá Biocosméticos, que utiliza óleo de buriti, castanha-do-pará e patuá, a cofundadora Bruna de Souza mantém postura cautelosa. Ela critica decisões como a tentativa, depois revertida, de proibir alimentos tradicionais — açaí, maniçoba e tucupi — durante o evento. “É uma chance de sermos vistos, mas o interesse precisa ir além do encerramento da conferência”, afirma.
Voz indígena no centro do debate
Indígena da etnia Omágua/Kambeba, a escritora e geógrafa Márcia Wayna Kambeba reforça a necessidade de protagonismo das comunidades tradicionais. Ela teme que produtos como açaí e cacau virem apenas símbolos, sem remuneração justa aos produtores. Durante a COP30, Kambeba venderá seus livros nas imediações do evento, entre eles “Matinta Pajé” e “Saberes da Floresta”.
Capacitação em larga escala
O programa Capacita COP30, coordenado pelo Governo do Pará, já formou mais de 25 mil pessoas gratuitamente em turismo, gastronomia, infraestrutura, segurança e inglês. A Secretaria de Estado de Turismo projeta 1,44 milhão de visitantes em 2025 — alta de 20% sobre 2024 — e receita estimada de R$ 1 bilhão.
Para micro e pequenos negócios, o Banpará e o Sebrae lançaram o CredCOP, linha de crédito de até R$ 50 milhões. Há também financiamentos específicos a motoristas de aplicativo, batedores de açaí e MEIs com pelo menos seis meses de atividade.
Estratégia de longo prazo
Desde 2022, o estado desenvolve o Plano de Bioeconomia (PlanBio), anunciado na COP27, e ergue o Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia no Porto Futuro II, em Belém. O espaço reunirá laboratórios, incubadoras, um Centro de Gastronomia Social e um Showroom de Inovação.
O Sebrae-PA trabalha há dois anos em quatro frentes — hospitalidade, alimentos e bebidas, mobilidade e economia criativa — e registra procura crescente por cursos de atendimento a estrangeiros e cardápio bilíngue. “Queremos deixar um legado de capacitação que torne os micro e pequenos empresários mais fortes, competitivos e resilientes”, afirma o diretor superintendente, Rubens Magno.
A iniciativa privada também se organiza. A Jornada Amazônia, da Fundação CERTI, enxerga a COP30 como ocasião para que startups apresentem soluções baseadas em biodiversidade, rastreabilidade e energia limpa. A coordenadora executiva Janice Maciel alerta que o ambiente requer planejamento: “A COP não é feira comercial; exige posicionamento estratégico”.
Com investimento público, linhas de crédito e mobilização do setor produtivo, empreendedores locais buscam transformar a COP30 em plataforma para negócios sustentáveis e maior reconhecimento da cultura amazônica.
Com informações de revistapegn.globo.com




