iFood processa Keeta por suposta espionagem e pede R$ 1 milhão por danos morais

São Paulo — O iFood ajuizou, em 19 de maio, uma ação na 1ª Vara Empresarial e de Conflitos Relacionados à Arbitragem de São Paulo contra a Keeta, braço internacional da chinesa Meituan. A plataforma brasileira de delivery acusa a rival de concorrência desleal e solicita indenização de R$ 1 milhão por danos morais, além da interrupção imediata de contatos em busca de informações sigilosas, sob pena de multa diária de R$ 100 mil.
Assédio a funcionários
De acordo com a petição elaborada pelo escritório E.Munhoz Advogados, a Keeta teria recorrido a mais de 30 consultorias, nacionais e estrangeiras, para abordar cerca de 240 colaboradores do iFood ao longo do último ano. As ofertas incluíam pagamentos entre R$ 4 mil e R$ 5,5 mil por hora de conversa, com o objetivo de obter dados estratégicos sobre operação, indicadores financeiros, planos de expansão e estratégia competitiva da companhia brasileira.
Segundo o iFood, as primeiras abordagens coincidiram com o anúncio de entrada da Keeta no Brasil, feito em maio do ano passado durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China. Na ocasião, a empresa chinesa anunciou um investimento de R$ 5,6 bilhões no país até 2030.
Expansão e demissões
A Keeta iniciou operações em outubro nas cidades de Santos e São Vicente, litoral paulista, e chegou à capital em dezembro. A projeção de estreia no Rio de Janeiro foi adiada, segundo a própria empresa, devido a contratos de exclusividade em vigor. Aproximadamente 200 funcionários foram desligados nesse período.
Notificações ignoradas
Em abril de 2025, o iFood enviou notificações extrajudiciais a várias consultorias exigindo a suspensão das abordagens, classificadas como ilegais. Apesar disso, relatos de novas tentativas foram registrados até maio de 2026, motivando a ação judicial.
Investigação interna
Denúncias ao canal de integridade do iFood revelaram conversas de WhatsApp em que o funcionário Matheus Santana admitia ter recebido cerca de R$ 5 mil da China Insights Consultancy (CIC) para compartilhar informações confidenciais. Em outubro de 2025, a empresa abriu inquérito policial e apresentou queixa-crime contra o empregado, que confessou ter respondido questionários e participado de reuniões via Zoom.
Análise de dispositivos apreendidos confirmou cinco videoconferências com sete usuários identificados por e-mails terminados em “@meituan.com”. Para o iFood, as evidências ligam diretamente Keeta e Meituan às abordagens.
Posicionamento das empresas
Procurada, a Keeta negou contratar terceiros para obtenção de dados, afirmou não ter sido notificada oficialmente e reiterou o compromisso com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e com a livre concorrência. O iFood, por sua vez, declarou que seguirá adotando medidas judiciais e extrajudiciais para coibir práticas que considera desleais e para identificar todos os envolvidos.
Com informações de revistapegn.globo.com




