Copom corta Selic para 14,75% ao ano; redução deve levar meses para aliviar crédito de PMEs

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, na noite desta quarta-feira (28/1), reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual. Com o ajuste, a Selic passa de 15% para 14,75% ao ano, primeira queda desde que atingiu o maior patamar desde 2006.
Segundo a ata da segunda reunião de 2026, as tensões no Oriente Médio continuam elevando a volatilidade nos preços de ativos e commodities, exigindo cautela de economias emergentes. No cenário interno, os indicadores apontam desaceleração da atividade, mercado de trabalho ainda resiliente e inflação em arrefecimento, porém acima da meta.
Ambiente externo pressiona, mas juro real segue alto
Analistas lembram que o juro real brasileiro, em torno de 10,60% ao ano, abriu espaço para o início do ciclo de cortes. Mesmo assim, a escalada do petróleo e a instabilidade cambial provocadas pelo conflito no Oriente Médio permanecem como riscos inflacionários. Para o economista Bolivar Godinho, da Unifesp, o Brasil se beneficia da alta do petróleo como exportador, mas o eventual repasse de preços pela Petrobras pode reacender pressões internas.
Crédito às pequenas e médias empresas
A queda da Selic representa sinal positivo para micro e pequenos empresários, mas o repasse às linhas de financiamento tende a ser lento. De acordo com Renan Pieri, professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV EAESP), as mudanças na política monetária podem levar até 18 meses para chegar plenamente ao mercado de crédito.
Enquanto a Selic recua em frações, o spread cobrado de PMEs gira em torno de 20% ao ano, lembra Godinho. A inadimplência elevada — 8,7 milhões de empresas negativadas em outubro de 2025, segundo a Serasa Experian, somando R$ 204,8 bilhões em dívidas em atraso — mantém os bancos cautelosos.
Planejamento exigido do empresário
Com o Produto Interno Bruto de 2025 projetando expansão modesta nos serviços (1,8%) e na indústria (1,4%), especialistas recomendam análise minuciosa antes de novos investimentos. A professora Clara Brenck, da UFMG, sugere atenção especial a negócios expostos ao câmbio, enquanto aqueles voltados ao mercado interno encontram ambiente relativamente mais estável.
Para os próximos meses, economistas apontam três variáveis centrais: movimento do dólar, evolução das contas públicas em ano eleitoral e a postura dos bancos privados em relação ao risco. A continuidade do ciclo de cortes dependerá da combinação desses fatores.
O Copom volta a se reunir em março e já sinalizou que poderá adotar novos ajustes graduais, a depender do comportamento da inflação e das condições externas.
Com informações de revistapegn.globo.com




