Conflito no Oriente Médio paralisa projetos de internacionalização de startups brasileiras

O agravamento das tensões no Oriente Médio desde o ataque norte-americano e israelense que matou o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, em 28 de fevereiro, interrompeu negociações e viagens de empreendedores brasileiros para a região do Golfo. Com bombardeios registrados nos Emirados Árabes Unidos (EAU), no Catar e o atingimento da embaixada dos Estados Unidos em Dubai em 3 de março, companhias que miravam expansão local entraram em compasso de espera.
Receio de retração nos Emirados Árabes
Rodrigo Paiva, presidente do LIDE Emirates, lembra que o Irã mantém relação cordial com os EAU, mesmo atacando bases americanas no país, enquanto os Estados Unidos continuam sendo um parceiro comercial importante. Segundo ele, a sequência de ataques pode afastar investidores e empreendedores brasileiros justamente quando a região vinha se consolidando como opção ao mercado norte-americano.
Levantamento Brazil Tech Diaspora, da Endeavor, mostra que apenas 2 % dos brasileiros que deixaram o país para trabalhar escolheram o Oriente Médio. Apesar da participação ainda pequena, programas governamentais locais vinham convidando startups do Brasil para acelerações e premiações.
Jade Autism adia mudança para Abu Dhabi
Vencedor do Zayed Sustainability Prize, Ronaldo Cohin, fundador da Jade Autism, planejava embarcar na próxima semana rumo a Abu Dhabi para fechar contratos aproveitando a visibilidade do prêmio. Com a escalada militar, as reuniões foram suspensas. A edtech, que atende 200 mil usuários e cresce 2,5 vezes ao ano desde 2021, mantém operação nos EAU com equipe local, mas a mudança definitiva de Cohin e família para julho ficou condicionada ao desfecho dos confrontos. Enquanto isso, a empresa priorizará projetos em Portugal e nos Estados Unidos.
Surpresa no Catar
Leonardo Braga, da Indulge Me, está em Doha desde o início de fevereiro participando de um programa de pré-aceleração do banco de fomento catariano. Ele relata ter recebido alerta por SMS em pleno shopping no último sábado, orientando a procurar abrigo. Mísseis foram interceptados sobre a capital nos dias seguintes, mas Braga pretende permanecer até junho para concluir a residência e abrir filial da startup, que oferece experiências gamificadas usando realidade aumentada e blockchain.
Tecnologia israelense em alerta
Radicado em Israel há duas décadas, o carioca Shaul Shashoua, fundador da IBI-Tech, acompanha a situação de emergência instaurada desde sábado. Sem voos, aulas ou deslocamentos, ele calcula que a paralisação deva durar de 15 a 30 dias. A empresa conecta soluções israelenses a corporações brasileiras como BRF, Raízen e Hospital Israelita Albert Einstein. Durante a pandemia, Shashoua criou a CyberGate, distribuidora de cibersegurança que atua no Brasil e na América Latina — operação que agora também enfrenta ajustes no cronograma.
Enquanto governos e forças militares travam impasses na região, os empreendedores aguardam uma trégua para retomar viagens, reuniões e novas contratações. Até lá, planos de expansão seguem suspensos ou redirecionados para outros mercados.
Com informações de revistapegn.globo.com




