Empresas ampliam treinamentos internos para formar profissionais de tecnologia

A aceleração da 4ª Revolução Industrial, marcada pela adoção de inteligência artificial (IA), internet das coisas (IoT) e computação em nuvem, expôs uma lacuna na preparação de mão de obra especializada. Para reduzir o desequilíbrio, empresas brasileiras vêm apostando em programas de capacitação interna, apontam especialistas.
A estratégia de formar dentro de casa
Na Next Fit, plataforma de gestão para academias e negócios esportivos, 90% da equipe não tinha experiência prévia em tecnologia, relata o CEO, Douglas Waltricke. A companhia estruturou um método próprio de desenvolvimento, sustentado por disciplina na aplicação de conteúdos e acompanhamento constante de metas.
Para Tavane Gurdos, diretora-geral da Alura para Empresas e Fiap Empresas, o momento é propício para aprofundar competências técnicas em quem já atua em TI e estender o aprendizado a áreas como marketing e recursos humanos. “Todas as áreas devem estar prontas”, afirma.
Emerson Costa Santos, diretor da Unidade de Formação Profissional do Senai-SP, reconhece a demanda crescente por especialistas, mas considera a percepção de escassez por vezes exagerada. “Há necessidade de profissionais mais qualificados, mas também existe maior rotatividade. As empresas vivem a brincadeira do ‘rouba-monte’: sai daqui, vai para lá”, resume.
Passo a passo para capacitar equipes
Especialistas listam principais etapas para implementar treinamentos internos:
- Acompanhamento de tendências: monitorar mudanças de consumo, identificar tecnologias críticas e programar investimentos em cursos ou mentoria.
- Treinamento inclusivo: digitalização tornou a familiaridade com softwares transversal; dashboards, por exemplo, devem ser operados por profissionais de marketing ou RH.
- Avaliação individualizada: formações e experiências distintas exigem trilhas de aprendizado personalizadas, combinando aulas presenciais, conteúdo on-line assíncrono, webinars e podcasts.
- Estrutura e programação: talentos seniores compartilham conhecimento em modelo de aprendizagem colaborativa, apoiados por parceiros externos sempre que necessário.
- Guia de processos: playbooks reúnem procedimentos, ferramentas, métricas e fluxogramas para padronizar tarefas e garantir consistência.
- Orientação contínua: enablement managers revisam o progresso, aplicam testes de retenção e ajustam rotas para cumprimento de metas.
- Revisão permanente: processos são dinâmicos e devem ser aprimorados periodicamente para manter eficácia.
Papel da liderança
Compartilhar conhecimento é essencial, reforça Santos. Segundo Waltricke, o próprio empreendedor deve buscar noções mínimas de tecnologia para promover discussões produtivas; caso não seja possível, recomenda-se contar com sócios ou gestores de confiança que assumam a função.
A visão encontra eco em uma frase atribuída ao ex-presidente da Intel, Andy Grove: contratar os melhores é menos importante do que criar processos capazes de serem executados por todos.
Com o avanço da digitalização e a perspectiva de diminuição da população economicamente ativa no país, companhias que estruturam programas internos de formação pretendem assegurar produtividade e eficiência a longo prazo.
Com informações de revistapegn.globo.com




