Baiana une aulas de dança e acessórios artesanais e mira faturamento de R$ 50 mil em 2026

A bailarina e empreendedora Tatiana Campêlo, 46 anos, criou um modelo que liga suas duas paixões em Salvador (BA): a Campêlo Cia de Dança e a marca de acessórios Black Luxo. A estratégia, que combina aulas de dança com a venda de brincos, colares e roupas, rendeu R$ 30 mil em 2025 e deve alcançar R$ 50 mil em 2026, segundo previsão da empresária.
Da sala de aula às feiras de artesanato
Filha de decoradora de festas, Campêlo cresceu em meio a trabalhos manuais. Antes de empreender, produziu quadros de arte francesa em 3D e customizou sandálias, experiências que a levaram a expor em feiras na Bahia.
Nascimento da Black Luxo
A marca surgiu em 2010, depois de viagens profissionais como bailarina pela Espanha e pela França. Campêlo percebeu a dificuldade de mulheres negras encontrarem brincos grandes que não pesassem na orelha e passou a fabricar peças de papelão revestido de lonita dourada. O sucesso nas feiras impulsionou as primeiras vendas.
Tentativa de loja física
Em 2015, a empreendedora investiu R$ 8 mil — cachê recebido em Barcelona — na abertura de um ponto comercial na Avenida Sete, em Salvador. A localização no primeiro andar exigia forte divulgação e, diante da dificuldade de conciliar o espaço com a carreira de bailarina, ela voltou a operar on-line.
Receita dividida entre dança e acessórios
Principal fonte de renda de Campêlo há 20 anos, as aulas na Escola de Dança da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) atraem público brasileiro e estrangeiro. Aproveitando o fluxo, sobretudo no verão, a empresária monta estandes na porta das salas para vender Black Luxo. Em 2017, o portfólio ganhou calças saruel, macacões e batas de malha.
Na pandemia, a venda de peças por amigas na Irlanda e na Califórnia financiou um ring light e um computador, permitindo que as aulas migrassem para o on-line. Atualmente, a companhia de dança conta com 10 bailarinos e capta recursos via editais como PNAB e Quarta que Dança.
Produção artesanal e expansão internacional
A produção dos acessórios continua artesanal, com apoio da mãe de Campêlo. No fim de 2025, a empreendedora levou 1.000 peças para a Argentina e obteve retorno equivalente ao dobro do investimento, mesmo após despesas de R$ 800 em taxas alfandegárias.
Próximos passos
Os planos incluem a retirada de visto para ministrar aulas nos Estados Unidos, a montagem do espetáculo “Oriô” com sua companhia e a participação da Black Luxo em desfiles de grande porte. Campêlo também pretende lançar uma coleção inspirada em deusas e rainhas e oferecer cursos para formar novos profissionais na montagem de brincos.
Com informações de PEGN




