Especialistas recomendam conversar com franqueados e ex-franqueados antes de fechar contrato de franquia

Conversar com franqueados em operação e com empresários que já deixaram a rede é etapa decisiva para quem avalia investir em uma franquia, afirmam consultores do setor. Segundo Lyana Bittencourt, CEO do Grupo Bittencourt, esses diálogos oferecem “uma visão prática da operação, do suporte real da franqueadora e da rotina do negócio”, pontos que não aparecem com clareza apenas em planilhas e apresentações comerciais.
Quando iniciar o contato
Especialistas aconselham que as abordagens ocorram depois de o candidato receber a Circular de Oferta de Franquia (COF). O documento, obrigatório pela Lei nº 13.966/2019, deve ser entregue pelo franqueador ao interessado pelo menos dez dias antes da assinatura do contrato e contém dados financeiros, regras do sistema e contatos de todos os franqueados atuais e dos que saíram nos últimos dois anos.
“É nesse momento que o investidor confere se o que está previsto na COF acontece na prática”, explica Américo José, sócio-diretor da Cherto Consultoria. A recomendação é realizar um contato “respeitoso e transparente”, detalhando o objetivo da conversa, completa Bittencourt.
Roteiro sugerido
Américo José indica um passo a passo:
- priorizar franqueados que atuam na região onde o candidato pretende abrir a unidade;
- combinar visitas presenciais e reuniões on-line;
- agradecer o tempo dispensado;
- demonstrar reciprocidade, por exemplo, convidando o interlocutor para a futura inauguração.
Perguntas-chave
Após a leitura da COF, os especialistas sugerem questionar:
- a franqueadora auxiliou na implantação da unidade?
- promessas comerciais foram cumpridas?
- quais desafios surgiram no início da operação?
- faturamento e rentabilidade ficaram dentro do previsto?
- como é o suporte diário e o relacionamento com a franqueadora?
- há consultoria de campo para decisões estratégicas?
- que tipo de apoio existe em marketing, gestão e capacitação?
- qual foi o prazo para retorno do investimento?
- o franqueado possui outras fontes de renda?
- (para ex-franqueados) o que motivou a saída do sistema?
- se pudesse voltar no tempo, compraria novamente a franquia?
Sinais de alerta
Relatos recorrentes sobre alta rotatividade de franqueados, falta de suporte pré e pós-inauguração, divergência entre informações da franqueadora e a realidade das unidades, insatisfação com margens, queixas de concorrência interna ou fechamento precoce de lojas indicam necessidade de investigação aprofundada, ressalta Bittencourt.
Para Luciana Ikedo, educadora financeira, coletar informações de qualidade amplia a segurança do investimento: “uma visão abrangente do negócio traz clareza à tomada de decisão”.
Com informações de revistapegn.globo.com




