Rio de Janeiro será pioneiro no país ao monitorar motociclistas de aplicativo

Os condutores do serviço 99Moto na capital fluminense terão, a partir do último trimestre deste ano, acesso ao Relatório de Direção com Telemetria, ferramenta que apresentará um raio-x do comportamento no trânsito. O anúncio foi feito pelo diretor de negócios da 99, Leandro Abecassis, em coletiva à imprensa.
Com a telemetria, a plataforma vai registrar frenagens bruscas, curvas em alta velocidade, excesso de velocidade e outras manobras consideradas arriscadas. Cada motociclista receberá uma pontuação individual. Segundo Abecassis, a reincidência em práticas perigosas poderá resultar em bloqueio temporário do motorista, mas o foco principal é educativo: “Precisamos que os acidentes não aconteçam”, afirmou.
Parceria com a prefeitura
O monitoramento integra um acordo firmado em maio entre a 99 e a Prefeitura do Rio de Janeiro para compartilhamento de dados, respeitando a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). As informações serão repassadas à Companhia de Engenharia de Tráfego do Rio de Janeiro (CET-Rio) e servirão de base para planejamento urbano. A mesma parceria foi estabelecida pelo município com o iFood.
Tecnologia já usada na China
A telemetria é aplicada há cinco anos na China pela DiDi Chuxing, controladora da 99. No Brasil, o desenvolvimento conta com apoio do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT). Atualmente, a plataforma depende do GPS dos celulares para aferir limites de velocidade e de denúncias dos passageiros para identificar outras infrações.
Crescimento da frota e impacto na saúde
Entre dezembro de 2018 e agosto de 2025, o número de motos no Rio saltou de 305 mil para 462 mil, alta superior a 50%, de acordo com a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). De janeiro a junho deste ano, a rede municipal de saúde registrou 14.497 atendimentos a vítimas de sinistros com motocicletas.
Números de sinistros no 99Moto
Estudo encomendado pela 99 ao Instituto Cordial indica que, em 2023, ocorreram nove sinistros leves — sem internação — a cada 1 milhão de corridas no Rio, acima da média nacional de cinco. Já os sinistros graves ficaram em menos de um a cada 1 milhão, contra a média nacional de três. Casos com morte permanecem abaixo de uma ocorrência por 1 milhão de viagens tanto na capital quanto no país. A pesquisa conclui que a taxa de sinistros graves e fatais no aplicativo é 12 vezes menor que a média das viagens de moto na cidade.
Para Luis Fernando Villaça, diretor de operações do Instituto Cordial, o acompanhamento profissional contribui para reduzir a imprudência dos motociclistas. Ele destaca o excesso de velocidade como principal fator de risco, citando dados da Federação Mundial do Transporte: atropelamentos a 30 km/h apresentam 15% de chance de morte, enquanto a 70 km/h o índice se aproxima de 100%.
Debate sobre limites de velocidade
A professora Marina Baltar, da Coppe/UFRJ, defende rever limites nas vias expressas, apesar da resistência de moradores. A prefeitura chegou a propor limite de 60 km/h para motos, mas voltou atrás em maio deste ano. Já o diretor de engenharia de tráfego da CET-Rio, André Drummond, aponta a necessidade de padronizar velocidades e lembra que faixas exclusivas para motos e pontos de apoio para motociclistas de aplicativo estão em expansão.
Gravidade das lesões
O ortopedista Marcos Musafir, da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), alerta que mesmo sinistros considerados leves podem gerar lesões detectadas apenas depois. A entidade lançará em 2025 a campanha “Na Moto, Na Moral – não mate, não morra” para chamar atenção de autoridades e da sociedade sobre o aumento e a gravidade dos acidentes com motocicletas.
Com a nova ferramenta de telemetria, a 99 pretende aprimorar a segurança de motoristas e passageiros enquanto auxilia o poder público a planejar ações para um trânsito mais seguro.
Com informações de Revista PEGN




