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Marca familiar dos EUA ganha visibilidade global com uniformes de Cabo Verde na Copa

A campanha surpreendente de Cabo Verde na Copa do Mundo alavancou a Capelli Sport, empresa familiar de Nova York responsável pelos uniformes da seleção africana. Fundada em 2011 como braço esportivo do conglomerado GMA Group, a companhia divide agora espaço nos gramados com multinacionais como Adidas, Nike e Puma.

Do anonimato ao principal palco do futebol

George Altirs, cofundador e CEO, acompanha a equipe a 5.600 quilômetros de seu escritório em Manhattan. Há quatro anos ele era apenas espectador; hoje, vê os modelos criados com a esposa, Liz, ocuparem o mesmo cenário de marcas tradicionais patrocinadoras do torneio, como Coca-Cola, McDonald’s e Visa.

O desempenho de Cabo Verde – empates com a campeã europeia Espanha e com o bicampeão Uruguai – multiplicou a visibilidade da Capelli. Após a partida contra os espanhóis, o goleiro Josimar José Évora Dias, o Vozinha, saltou de 50 mil para mais de 17 milhões de seguidores no Instagram.

Parceria fechada em 2025

A aproximação começou durante o Mundial anterior, no Catar. Com foco em federações fora do radar das gigantes, Altirs e o vice-presidente executivo Brian Remedi identificaram Cabo Verde como parceiro potencial. O acordo plurianual foi assinado em outubro de 2025, e os uniformes – com padrões geométricos inspirados nas ilhas e camisas de aquecimento estampadas com bocas de tubarão – ficaram prontos em apenas uma semana, graças à cadeia de suprimentos verticalmente integrada.

Hoje, a Capelli emprega cerca de 3.000 pessoas em fábricas próprias na China e em Bangladesh, além de 500 funcionários administrativos. A produção atende a alta repentina de pedidos, incluindo reservas antecipadas da camisa do goleiro Vozinha, vendida a US$ 95 no site oficial.

Estratégia para romper o domínio das gigantes

Na Copa, aproximadamente 75% das seleções vestem Adidas, Nike ou Puma. Para Altirs, esse cenário cria espaço para fornecedores que aceitam projetos ignorados pelos líderes do mercado. Paulo Santos, vice-presidente da Federação Cabo-Verdiana de Futebol, destaca que a Capelli “vai além do fornecimento” e atua como parceira comprometida com as ambições da equipe.

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Entre avanço e desafios

A rápida ascensão também gerou disputas. A Capelli notificou extrajudicialmente a austríaca Tempo, ex-fornecedora de Cabo Verde, por vender uniformes antigos a US$ 39, menos da metade do preço oficial. Altirs minimiza o impacto e reforça o lema adotado nas redes: “Pequeno demais para ser visto. Grande demais para ser ignorado”.

Com faturamento anual superior a US$ 300 milhões no atacado e quase US$ 1 bilhão no varejo, o GMA Group transformou a divisão esportiva em companhia independente em 2024, após rodada minoritária de investimentos entre amigos e familiares. Além do Mundial, a Capelli já garantiu participação nos Jogos Olímpicos de 2028, em Los Angeles, fornecendo uniformes das seleções norte-americanas de lacrosse e hóquei em campo.

A seleção cabo-verdiana volta a campo nesta sexta-feira, 3 de julho, contra a Argentina, enquanto a Capelli acompanha cada partida como vitrine inédita para seus produtos.

Com informações de PEGN

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