Mulheres avançam na indústria do esporte com inovação, governança e novos serviços

Startups de tecnologia, consultorias especializadas e arenas voltadas ao público feminino estão abrindo novas frentes de receita no esporte brasileiro e global. Dados da EY indicam que o setor movimentou R$ 183,4 bilhões em 2023, o equivalente a 1,7% do PIB, enquanto a Deloitte projeta que a receita mundial do esporte feminino alcançou US$ 2,35 bilhões em 2025, 2,4 vezes o montante de 2023.
Mercado em transformação
O fluxo financeiro, antes concentrado em bilheteria e patrocínios, migrou para áreas como estruturação de ativos, monetização de audiência, experiência do torcedor e uso de dados para decisões de negócio. Esse cenário abriu espaço para empreendedoras que oferecem soluções a clubes, atletas, federações e marcas.
Principais barreiras de entrada
Entre os desafios relatados pelas fundadoras estão ciclos mais longos de captação de recursos, necessidade de provar legitimidade em um setor historicamente masculino e acesso restrito a redes de investimento. Para superar esses obstáculos, elas têm recorrido a aceleradoras, programas de ESG, leis de incentivo e geração própria de dados de mercado.
Casos de destaque
Afroesporte
Criada em 2020 por Mia Lopes, 38 anos, a sportech paulista acelera carreiras de 210 atletas negros com foco em marca, mídia e negócios. O faturamento foi de R$ 1,6 milhão em 2025, com meta de R$ 5 milhões para 2026.
StadiumGo
Fundada por Bruna Botelho, 36 anos, a butique tech-fin organiza contratos e receitas de clubes e arenas para atrair bancos, fundos e investidores. O portfólio atual soma R$ 16 bilhões em projetos, dos quais R$ 5 bilhões ligados a operações esportivas e imobiliárias.
Nossa Arena
Lançado em 2021 na Barra Funda, em São Paulo, o complexo poliesportivo idealizado por Júlia Vergueiro, 36 anos, foca no recreativo feminino. A estrutura reúne campos de society, áreas de areia, bar e eventos. O negócio faturou quase R$ 4 milhões em 2025 e projeta R$ 4,51 milhões para 2026.
Bicipr3ta
Em Salvador, Lívia Suarez, 38 anos, desenvolveu um capacete adaptado a cabelos afro. O produto impulsionou a receita da marca para R$ 225 mil em 2025; a previsão para 2026 é R$ 380 mil, com 70% das vendas para organizações públicas e privadas.
Cada Uma É Uma
A médica Tathiana Rebizzi Parmigiano, 48 anos, e a psicóloga Carla Di Pierro, 47 anos, fundaram em 2025 uma consultoria para performance feminina. O serviço principal é a capacitação on-line de treinadores e clubes, já adotada por Corinthians, ESPN, Palmeiras, Santos, São Paulo e Yes Tennis Academy.
Oportunidades até 2027
A realização da Copa do Mundo Feminina da FIFA no Brasil, em 2027, deve acelerar negócios em mídia, turismo, patrocínios e eventos voltados ao esporte feminino. As consultorias Kearney, PwC e Deloitte apontam crescimento no consumo de novos formatos de competição, transmissão via streaming e experiências ao vivo.
Entre os segmentos com maior potencial de expansão estão dados e performance, educação esportiva, gestão de carreira, saúde feminina e governança. Modelos baseados em assinaturas, licenciamento e creator economy ampliam margens e geram receita recorrente.
Mesmo diante de desafios estruturais, as fundadoras destacam que métricas de retorno financeiro, compliance e tecnologia proprietária já são decisivas para atrair capital e transformar iniciativas em negócios escaláveis.
Com informações de PEGN




