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Movimento “kidult” alavanca vendas de brinquedos para adultos e abre espaço para novos empreendedores

O consumo de brinquedos por pessoas acima dos 18 anos, batizado de “kidult”, ganhou força nos últimos anos e tornou-se um filão para pequenas empresas em todo o país. A tendência, que mistura nostalgia e desejo de pertencimento, é resumida pela presidente da Abral – Licensing International, Marici Ferreira: “o público não quer novidade, quer emoção”.

Relatório da Circana aponta que adultos já respondem pelo avanço do mercado de brinquedos nos Estados Unidos. No Brasil, até maio de 2025, enquanto o setor cresceu 6 % em faturamento, as vendas de itens voltados aos “kidults” saltaram 18 %. Levantamento da Abrinq mostra que 76 % dos brasileiros maiores de idade se veem como potenciais compradores desse tipo de produto.

Negócios que surfam na onda

Seis empreendedores ilustram como a nostalgia virou oportunidade:

Mimos Store (Manaus – AM)

A engenheira civil Stefanny Costa, 30, abriu a loja on-line em 2020 com R$ 300. Hoje tem quatro pontos físicos, 237 mil seguidores no Instagram e um tíquete médio de R$ 124. O faturamento passou de R$ 2 milhões em 2024 e deve chegar a R$ 2,3 milhões em 2025.

Raposa Nerd (Santos – SP)

O casal Emerson Rodrigo de Jesus, 42, e Jade Souza Santana, 32, investiu R$ 35 mil em uma loja de colecionáveis. A empresa fechou 2024 com R$ 60 mil em receitas e projeta R$ 65 mil neste ano. O negócio se soma ao bar temático Save Point, também administrado por eles.

Cores do Lucas (on-line)

Arquiteto e designer, Lucas Medeiros, 30, viralizou nas redes colorindo livros. Criou um curso on-line de R$ 77 com 2,5 mil alunos e faturamento de R$ 200 mil em 2024. Em junho lançou o livro “Jardim Mágico” (R$ 39,90) pela Sextante; a primeira tiragem de 20 mil unidades esgotou.

A Lojinha Geek (São Paulo – SP)

A analista de TI Graziela de Oliveira Souza, 37, começou em 2024 e aprendeu, após erros de estoque, a focar no que vende. Os quadros 3D de personagens viraram carro-chefe, elevando o tíquete médio de R$ 50 para R$ 150. A receita de R$ 15 mil no primeiro ano deve dobrar em 2025.

PB Arts (Ribeirão Preto – SP)

Lucas Ribeiro Bueno e Rafael Pippa dos Santos, ambos de 39, transformaram o boneco “Unny” em artigo de luxo. A peça padrão (36 cm) custa R$ 5,8 mil e já ganhou espaço em programas da TV Globo e na casa de celebridades como Neymar. A empresa, que inclui galeria, restaurante e espaço de eventos, projeta crescimento de 10 % em 2025.

Movimento “kidult” alavanca vendas de brinquedos para adultos e abre espaço para novos empreendedores - Imagem do artigo original

Silvia Valente Handmade (Belém – PA)

A artesã Silvia Helena Rodrigues Valente, 60, produz amigurumis de lendas amazônicas a R$ 170. Para a COP30, que ocorre em Belém em novembro, planeja cem unidades do Curupira e quarenta de outros personagens. A meta é elevar a receita de R$ 25 mil em 2024 para R$ 35 mil neste ano.

Nostalgia como estratégia

Consultores de mercado observam que o apelo emocional dos produtos serve como autocuidado e cria comunidade entre consumidores. Parcerias entre marcas e produções de cultura pop, como as colaborações em torno da série “Wandinha”, expandem o fenômeno para além dos brinquedos, alcançando alimentação, serviços financeiros e telecomunicações.

Especialistas não veem sinais de desaceleração no curto ou médio prazos. Para o professor José Mauro Nunes, da FGV-RJ e UERJ, movimentos saudosistas são cíclicos, mas a atual fase deve continuar impulsionada por colaborações entre empresas e pelo poder de compra de adultos com menos filhos e maior renda disponível.

Enquanto o ciclo da nostalgia se renova, pequenos empresários seguem convertendo memórias de infância em oportunidades de negócio.

Com informações de revistapegn.globo.com

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