Cooperativa de crédito quem ganha com o crescimento desordenado

Conforme a Lei 5764/71 a  cooperativa de crédito é uma instituição financeira formada por uma associação autônoma de pessoas unidas voluntariamente, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, sem fins lucrativos, constituída para prestar serviços a seus associados. Os associados das cooperativas de crédito, podem ser pessoas físicas e jurídicas.

 O objetivo da constituição de uma cooperativa de crédito é prestar serviços financeiros de modo mais simples e vantajoso aos seus associados, possibilitando o acesso ao crédito e outros produtos financeiros (aplicações, investimentos, empréstimos, financiamentos, recebimento de contas, seguros, etc. ), desenvolvendo o espírito de cooperação e ajuda mútua.

As cooperativas de crédito, prestam serviços semelhantes aos bancos, mas não são bancos, sendo vedado pelo Banco Central do Brasil, BACEN, o uso da expressão Bancos, para estas instituições. A norma que rege as cooperativas de crédito, é a Lei 5764/71, além da lei 4. 595, resoluções do Banco Central, e no tocante ao aspecto contábil, a Lei 6. 404/76,  e as NBC-T’s.

Atualmente existem no Brasil, 1. 429 cooperativas de créditos nos  10  segmentos por ramos de atividades. O total de pontos de atendimento já ultrapassa  a marca de 4 mil  e mais de 3 milhões de associados.

Algumas das vantagens inerentes á cooperativas de crédito, são descritas a seguir, e é este o foco deste texto, comentar sobre estas vantagens, existente no papel e nas estratégias de Marketing e a sua real aplicação  na prática e a percepção do associado; neste sentido, destaca se as principais:

A cooperativa de crédito, por tratar se de instituição financeira, subordinada aos normativos do BACEN, (Banco Central do Brasil) normalmente são filiadas a uma Central, órgão que tem a incumbência de representa-la em diversas instâncias. Por serem estruturadas,  para atender diversas cooperativas filiadas, nas mais variadas demandas, estas centrais possuem entre outros, departamento jurídico especifico para sua filiadas, área de tecnologia da informação e desenvolvimento, Departamento de Recursos humanos com  assistencia de psicólogos etc. com isso, evita se que cada cooperativa “singular”, tenha em suas unidades estas estruturas, que via de regra, possuem um alto custo de aquisição e manutenção, que por ser rateado por diversas filadas, torna suportável e menos oneroso. As centrais, são chamadas de cooperativas de segundo grau, e seus associados, são as cooperativas de primeiro grau ou singulares.

É notório portanto, a importância das Centrais para o bom funcionamento das cooperativas singulares, entretanto, um problema constatado na maioria das Centrais, é o excesso de poder e inversão do papel. As cooperativas singulares, que possuem dirigentes fracos na liderança, inseguros e as vezes despreparados, exageram na dependencia e acabam por outorgar poderes excessivos a estas centrais,  que passam de apoiadoras(que deveriam ser) a executivo, interferindo nas mais simples decisões. Nas cooperativas onde os dirigentes são conscientes de seu papel estatutário e assumem de fato, esta interferência é limitada, cabendo as centrais o papel de organizadora do sistema e consultora, além de auditoria  e suporte operacional.

Outro problema comum, é o crescimento. Existe neste sentido, um paradoxo. As cooperativas de crédito, no intuito de oferecer produtos de qualidade, tecnologia de informação a seus associados, no mínimo parecido com o que os bancos oferecem, precisaram nos últimos 15 anos, investir cifras milionárias em TI ( Tecnologia da Informação) e na implantação e manutenção destes produtos tais como seguros, consórcios, cartões de crédito etc. Para manter estas carteiras, precisam de um grande número de pessoas para entrar no “baile” e ajudar a pagar a conta. Por outro lado os cooperados precisam , adquirir estes produtos e serviços, para que o mesmo  seja viável e justifique a sua implantação. Surge então, o perfil da cooperativa de crédito contemporânea. Um negócio criado pelos associados, para os associados, mas que na medida do seu crescimento, indispensável para manter a pesada estrutura criada pelas Centrais, vai aos poucos distanciando de seu objetivo: ser cooperativa, tornando se uma empresa comum, com um planejamento estratégico que define metas arrojadas, estratégias operacionais nada convencionais para vender, vender e vender. Algumas cooperativas de crédito possuem taxas de manutenção de conta corrente, além de outras tarifas bancárias que custam o dobro em relação ao valor fixado pela maioria dos bancos. Isso pode ser constatado em diversos segmentos, principalmente as de crédito rural e as cooperativas de livre admissão de associados. Existem também, um grande número de associados, que nem se quer sabem que são associados, não conhecem o estatuto social, e consequentemente, seus deveres e direitos

Outro fato interessante, é que as cooperativas, por sua natureza jurídica, não são sujeitas a falência e nem visam o lucro. Então qual o motivo da agressividade em sua atuação no mercado? Destaca-se as principais:

a)    Algumas centrais, remuneram seus executivos, em níveis iguais ao dos grandes bancos, muito além da realidade do mercado em geral, criando um orçamento pesado que é rateado entre as filiadas;

b)    Esbanjam  recursos financeiros em reestruturações físicas desordenada, para impressionar o público e atrair mais clientes (associados), para o negócio;

c)    Para atender as diversas demandas, precisam desembolsar quantias milionárias em Tecnologia da Informação, que tornam se obsoletas com muita rapidez;

 Nada mais justo e normal, se fosse uma empresa comum. O problema, é que o fato de ser cooperativa tudo isso é pago pelos associados, e, se ao final do exercício, o resultado líquido for negativo, eles ainda são obrigados, por força de lei e do estatuto social a pagá-lo , no caso de a instituição não possuir fundos de reserva suficientes para suportar.

Outro aspecto negativo, relacionado ao crescimento desordenado, é a questão  da gestão administrativa. u governança cooperativa.  As cooperativas de crédito de grande porte, são basicamente administrada por executivos contratados, que não tem nenhum compromisso estatutário com os associados. (seu compromisso é com as metas, fundamentais para garantia do emprego) Neste caso, o dono do negócio, manda, mas apenas no papel, pois na prática, esta participação não se concretiza. O cooperado passa a ser um cliente comum, consumidor de produtos e serviços. Existem cooperativas, que já possuem mais de oito mil  associados, e estes, tem oportunidade de contato com o presidente e o Conselho de Administração por eles eleitos para representa-los, somente nas assembléias, ou seja,  normalmente uma vez por ano. E existem centrais, que trabalham para distanciar mais ainda os dirigentes estatutários dos associados, alegando que a interferência destes dirigentes atrapalha  a ação dos executivos contratados. É pertinente destacar, que estas práticas não corroboram com a visão do BACEN ( Banco Central do Brasil) que não tem poupado esforços na busca de soluções práticas. O Banco Central exige das cooperativas, planejamento que viabilize a participação dos associados nas decisões relevantes.

E por falar em poder de decisão dos associados nas assembléias, este de fato existe, amparado pela lei 5764/71 e pelo estatuto. Entretanto, o que ocorre na prática,  é que os associados que comparecem nas AGO/E, ( Assembléia Geral Ordinária ou Extraordinária) normalmente não passam de 20% do total de associados,e destes, mais de 90% não estão ao par dos negócios da cooperativa, limitando se a votar a favor das propostas da Diretoria, por razões das quais destacamos:

a)    Conforme foi dito, por despreparo técnico para questionar;

b)    Desinteresse nos assuntos relacionado ao Balanço e relatório de gestão, por acharem complexo ( deveriam buscar assessoria)

c)    Participação nas Assembléias motivada pelo clima de festa, pelo jantar e brindes que estrategicamente são ofertados;

d)    E finalmente, por ter confiança , nos conselheiros por eles eleitos para administrar o negócio.

É importante frisar, que isso ocorre em um cenário de vacas gordas, quando a cooperativa apresenta resultados positivos, mesmo que em índices medíocres em relação ao patrimônio Líquido. Em um cenário contratio, de fechamento do exercício com perdas, o clima é outro bem diferente,  cobranças, questionamentos, mas aí já é tarde, pois o resultado já aconteceu.

Finalizando, o autor deixa claro que acredita no sistema de cooperativa de crédito, desde que estes seja levado a sério, que seu Conselho Administrativo tenha opinião própria e conhecimento das matérias, que sigam as recomendações do BACEN (Banco Central do Brasil) no tocante a importância devida aos associados; que os associados não tenham timidez e questionem sempre nas Assembléias, sobre qualquer tema, exercendo de fato seu direito; que busquem assessoria externa, para interpretação do balanço ou questões duvidosas, pois a maioria não questionam nas assembléias, não por concordar, mas porque não conseguem expressar o seu ponto de vista.

 

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