“Turismo de SC não é de um foco, mas de 30 focos”

Santa Catarina é muito grande em território e produtos turísticos, por isso pode atrair público diversificado. O turismo do Estado não é de um foco, mas de 30 focos. Estas afirmações são do espanhol catalão Josep Chias, um dos maiores especialistas em marketing turístico do mundo e sócio da Chias Marketing, empresa contratada pelo governo do Estado por R$ 500 mil para fazer o Plano Catarina. Trata-se de um conjunto de estratégias de marketing para ser implementado até 2020 e viabilizar salto maior ao setor turístico, que representa cerca de 13% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual, conforme estudo da Oxford Economics.

Josep Chias esteve no Estado na última semana de agosto, onde fez uma série de reuniões com o trade turístico das regiões do Vale Europeu, Caminho dos Príncipes, Costa Verde Mar, Serra Catarinense e coletou opiniões. Segundo ele, dos 105 planos de marketing turístico que elaborou pelo mundo, 103 tiveram êxito. É autor, por exemplo, do slogan “Brasil Sensacional”, criado para a Embratur; e da marca espanhola Sol de Miró. Chias conversou com a coluna sobre SC, Brasil e crises no setor.

O senhor elaborou 105 planos de marketing turístico. Quais tiveram melhor êxito?

Josep Chias – Se respondo do ponto de vista mais emocional, com o coração, acho que foi o plano que eu fiz para Barcelona, minha cidade. Se falarmos do ponto de vista de resultados, dos 105 planos, 103 foram bons e dois não tiveram o êxito esperado. Desses, um foi na Paraíba, contratado pelo setor privado e o governo não participou. O outro, foi para um lugar pequeno, o prefeito faleceu e nunca foi implantado. Mas a maioria são planos que, no final, sempre são concretizados porque eles definem 50 coisas que precisam ser feitas, e também me preocupo muito em estabelecer os mecanismos para garantir a continuidade. Se isso não ocorrer, não faço o trabalho.

Como avalia a evolução do Plano Aquarela, que fez para impulsionar o turismo brasileiro?

Chias – O Brasil é um país diferente. Para mim, é uma mistura do emocional com o racional porque tenho com ele um relacionamento muito afetivo. É o único país do mundo onde tenho escritório, além de Barcelona. Comecei no Brasil com o plano do Rio de Janeiro, depois o de São Paulo e outros. O Plano Aquarela, que fiz para o Ministério do Turismo e Embratur, vai muito bem porque, a cada ano, a receita é recorde sobre o ano anterior. Fazemos avaliação com um indicador objetivo, que é o dinheiro que passa pelo Banco Central.

Mas os visitantes gastam mais do que é registrado pelo BC?

Chias – As pessoas, quando viajam, levam muito mais. Mas estabelecemos que seria usado o dado do BC porque é um indicador objetivo. A quantidade de dinheiro que o turista leva é muito maior. Em média, a receita gerada é equivalente a três vezes a que aparece no BC. Um argentino, que gosta muito do Brasil, traz no bolso quase todo o dinheiro que vai gastar. Como eles não confiam nos seus bancos, têm dinheiro no bolso e não no banco.

O que o senhor tem a dizer sobre o potencial de SC ?

Chias – Eu gosto de colocar dois aspectos. O Brasil é um país que, turisticamente, tem muito potencial, pela sua imensidão. Mas o fator limitante é o transporte aéreo, tanto internacional quanto interno. Este é o maior problema. Imagina que você vem da minha cidade, Barcelona, e quer ir a Manaus. Você tem que ir até São Paulo, pegar mais um avião para Brasília e, depois, pegar outro, para Manaus. Acredito que todo mundo quer visitar uma vez na vida a Amazônia. O Brasil tem atrativos importantes, mas o problema é a mobilidade. Este obstáculo ocorre também para vir a Florianópolis. Não é fácil chegar aqui. Além disso, há muitos recursos naturais e algumas coisas culturais que ainda não foram transformados em produtos turísticos.

Qual a sua avaliação sobre o marketing turístico no Brasil?

Chias – O nível de qualidade do marketing turístico do Brasil, em geral, ainda é bastante fraco. Você trabalha muito em promoção, dentro de uma perspectiva mais operacional de curto prazo, mas numa estratégia de longo prazo há pouca gente trabalhando. O marketing ainda não foi entendido como investimento, mas sim como promoção e despesa. É bom ter um fundo de promoção e lei que obriga o desenvolvimento de um plano de marketing. Isso garante continuidade em mudanças de governo.

Como será o Plano Catarina?

Chias – Estamos na fase de diagnóstico. Anotamos as ideias e vamos avaliar. É evidente que temos que trabalhar uma nova mensagem do Estado como destino turístico, que inclui uma marca. O Estado deve ser o guarda-chuva das marcas regionais, que devem se relacionar em nível de cidades e com o setor privado de turismo. Também vamos definir uma estratégia de mercado porque, como os recursos são escassos, precisamos estabelecer prioridades. É preciso partir de uma ideia que temos de reforçar os destinos importantes, porque são eles os indutores dos demais. O destino sol e praia é um que acrescenta porque o inverno daqui é suave. Todas as pessoas do sul do Chile e Argentina ou do norte da Europa gostariam de ter esse verão. É uma questão de saber informar bem onde estamos.

Que tipo de turista o Estado deve buscar?

Chias – Santa Catarina é muito grande em território e produtos, por isso pode atrair um público diversificado. Pode ter público para o turismo mochileiro, de aventura, ecológico, de eventos, sol e praia… Não é um lugar para apenas uma aposta de turismo, o que pode ser feito numa cidade. O conjunto do Estado não é de um foco, mas de 30 focos, como estamos trabalhando neste plano.

O turismo sofreu com a crise global, queda de aviões e gripe A. Como foi o impacto de todas essas crises no setor?

Chias – Vamos superar todas. Cada vez que há uma crise, o setor cai, mas depois volta ao patamar anterior e continua crescendo. Isto porque quando as pessoas atingem um certo patamar de renda, sua vida agrega o turismo, mesmo se depois há uma queda dessa renda. Elas até podem ter uma queda de renda, mas continuam viajando. “Turismo de SC não é de um foco, mas de 30 focos” Josep Chias, consultor espanhol que elabora o Plano Catarina.

*Os textos aqui apresentados são extraídos das fontes citadas em cada matéria, cabendo às fontes apresentadas o crédito pelas mesmas.


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3 Resultados

  1. setembro 25, 2009

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  3. setembro 25, 2009

    “Turismo de SC não é de um foco, mas de 30 focos”: Santa Catarina é muito grande em território e prod.. http://bit.ly/VElm7

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