Revolução dos costume e gênero uma análise da transformação dos costumes e da moda

Introdução

As décadas de 60 e 70 representaram um momento de transformação nos costumes. Os corpos transformaram-se, principalmente os corpos femininos, que neste período desnudaram-se como antes nunca tinham feito. Esse desnudamento envolto na Revolução Sexual da época encontrou diversas maneiras de ser em diferentes lugares, sendo um forte símbolo de transformação nos costumes e principalmente na moda. Por outro lado, a crítica a estes novos comportamentos também não se fez esperar. Observar a maneira como as revistas e jornais de circulação nacional e local discutiram esta transformação nos costumes e na moda é o objeto deste artigo. No entanto, é importante fazer um panorama mundial deste período, procurar compreender que época é essa, por que promoveu tantas repercussões sociais, culturais e políticas em diversos países. A década de 60 teve grande efervescência política, social, cultural e ideológica. Foi acentuada a rebeldia dos valores existentes, ditos tradicionais. A década de 70 foi marcada por golpes e revoluções, como se fosse um painel de acontecimentos diversos. Estuda-se a revolução dos costumes e a revolução sexual da época, através de fontes bibliográficas, para maior contextualização, além de artigos da Revista Realidade. É importante conhecer o processo de mudança de comportamentos no mundo e posteriormente na sociedade brasileira até chegar em Florianópolis. Procura-se historicizar a transformação dos corpos, principalmente femininos no período em destaque relacionando com a revolução dos costumes e sexual. Num segundo momento, remete-se a questão do desnudamento através da moda, principalmente em Florianópolis. O objetivo é observar como as roupas representaram um símbolo de liberação nos costumes, tais como: biquínis, shorts, míni-saias. Aqui estão envolvidas questões como os padrões de beleza da época, os papéis sexuais, pois as mulheres conquistam seu espaço e começam a usar roupas dos homens (calças), a trabalhar fora, ou seja, outros discursos a respeito das mulheres começam a surgir e a ganhar força. O movimento feminista neste contexto é o articulador de várias conquistas. No entanto procuro observar a maneira como as revistas nacionais e locais e jornais locais, discutiram o desnudamento dos corpos femininos através da moda. Além da questão de gênero inserida nestes discursos, pois os encurtamentos das roupas estão diretamente relacionados aos papéis sexuais e com liberação das mulheres. Neste sentido, a moda também reflete a questão de distinção social observada entre as próprias mulheres, pois se destacam na sociedade através das roupas que usam. Declaram através da moda a classe social que pertencem. Pela análise de jornais e revistas, dos meios de comunicação e através das ruas, verifica-se como o corpo é colocado em evidência, principalmente quando está descoberto, ou seja, semi-nú. Ele representa liberdade, ser e estar moderno, sua imagem proporciona prazer. A discussão ao redor do desnudamento é também uma questão histórica, cuja análise mostra o afrontamento com a moralidade estabelecida na época, com a religião, com os costumes. É uma desconstrução de valores, ditos tradicionais da geração de nossos pais. Contudo, o desnudamento através da moda foi um processo de transformação que já foi observado em décadas anteriores, como, por exemplo, as melindrosas da década de 20, que apresentavam um comportamento avançado para sua época, pois fumavam, dirigiam carros e usavam cabelos curtos. Já na década de 50, quando as mulheres mostraram seus corpos através do biquíni. Pode-se encontrar exemplos disso, na revista o Cruzeiro de 1950. Nesta mesma revista, em 1973, também podemos encontrar os concursos de misses, nos quais chama a atenção para os trajes escolhidos. Antes eram os maiôs que faziam sucesso, mas logo depois adotaram-se os biquínis. A revista A Verdade, de circulação local, também procura destacar jovens de biquíni em suas capas. As principais fontes utilizadas são a Realidade, Cláudia, O Cruzeiro; e locais: A Verdade, jornais como O Estado, Diário Catarinense e a Gazeta. Destaca-se a revista Realidade rica em reportagens a respeito da revolução dos costumes e sexual, traz matérias interessantes para a discussão da “liberação” do comportamento. Já os jornais em geral, trazem trechos e fotos do desnudamento feminino principalmente nas praias e de Florianópolis. Verificamos no Jornal O Estado, a coluna de Marisa Ramos, que foi a primeira jovem a usar biquíni em Florianópolis. Em sua coluna, Marisa destaca-se pelas dicas de moda e tendências para a sociedade florianopolitana. Através de colunas deste tipo, observamos como a moda era influenciada pelos grandes centros, como Paris e o que chama mais a atenção são as roupas curtas que começam a aparecer e trazem consigo críticas dos mais conservadores. É o desnudamento e a mudança de costumes presente em Florianópolis.

1. Gênero e Moda nas décadas de 60 e 70

As décadas de 60 e 70 representaram uma época de efervescência na transformação dos comportamentos principalmente femininos. A década de 60 foi marcada pelas ditaduras, pelos movimentos estudantis, pelo movimento hippie e pela míni-saia de Mary Quant. Na década de 70, têm-se o ressurgimento do movimento feminista no Brasil, cujas idéias são de intensa circulação. Nesse sentido, observa-se a constituição da mulher moderna nas colunas sociais, das mulheres consideradas “elegantes” nas colunas sociais da imprensa de Florianópolis, passaram para a sociedade, nos jogos de poder existentes neste contexto. Para iniciar esta análise e discussão das questões levantadas é preciso antes definir alguns conceitos fundamentais tais como moda e gênero. A Moda vem o latim modus, significando modo, maneira. Em inglês, moda é fashion, alteração da palavra francesa façon, que quer dizer “modo” maneira.   A moda expressa mudança, possui uma leitura antropológica, com crenças, nos quais articula diversos signos, sendo um deles a roupa, que tem um significado social. A moda funciona na roupa como um distintivo social, valoriza o corpo, a sexualidade, dependendo da época e do contexto histórico, manifesta-se em cada momento diferente e tem, é produtora de sentidos e provoca mudanças. A moda é uma expressão coletiva, faz uma leitura das classes sociais, ela se materializa no vestuário, ela tem relação com a historicidade de uma época, tem uma linguagem simbólica e comunicativa.

Estamos imersos na moda, um pouco em toda parte e cada vez mais se exerce a tripla operação que a define propriamente: o efêmero, a sedução, a diferenciação marginal. É preciso deslocalizar a moda, ela já não se identifica ao luxo das aparências e da superficialidade, mas ao processo de três cabeças que redesenha de forma cabal o perfil de nossas sociedades.  

Percebe-se que as mulheres alcançam a emancipação em todos os aspectos, inclusive na maneira de vestir. Passam a usar roupas antes permitidas somente aos homens, como as calças, os smokings e até shorts. É fundamental perceber que o desnudamento através da moda como as minissaias, vestidos curtos, biquínis, que acabam borrando as fronteiras do gênero, pois as mulheres podem igualar-se aos homens. Embora o desnudamento não ocorreu com o objetivo de ser libertador ou com propósitos feministas, permitiu apagar um pouco as diferenças entre os sexos, vemos aqui as relações de gênero inseridas neste contexto.  As relações de gênero e, ou seja, focaliza relacionamentos entre homens e mulheres, “enfatiza o aspecto relacional das definições normativas de feminilidade”  implica em perceber que “os homens e mulheres são definidos em termos recíprocos e nenhuma compreensão de um deles pode ser alcançada por um estudo separado. Além disso, o “gênero é construído diferentemente nas diversas classes sociais”.

A categoria gênero é novidade na produção historiográfica brasileira. As ciências sociais têm tomado a dianteira, trabalhos inovadores, utilizando o conceito, têm sido publicados. Entre as historiadoras/es o conceito ficou submerso em pesquisas que tem se dedicado muito mais à história das mulheres. Pesquisas inovadoras tem apontado as tensões sociais nas quais as relações entre as classes, os sexos e as etnias determinam os lugares sociais das mulheres e constróem as exclusões ao recorrer a mitos e estereótipos presentes na cultura ocidental.  

Desde a década de 70, o termo gênero é usado para teorizar a questão da diferença sexual. Foi inicialmente utilizado para acentuar o caráter fundamentalmente social das distinções baseadas no sexo. A palavra direciona para uma rejeição ao determinismo biológico implícito no uso de termos como sexo ou diferença sexual. Desta forma o gênero marca o aspecto relacional entre as mulheres e os homens, é uma forma de compreender as relações complexas entre diversas formas de interação humana.  Por todos estes aspectos, percebe-se a importância da moda no universo feminino desta época. Ela encontrará recursos infinitos de quando a curiosidade sexual se contém sob o puritanismo dos costumes de uma sociedade burguesa, a moda descobrirá meios de satisfazer um impulso reprimido como, por exemplo, o desnudamento através da moda.  Limita-se à ligação da moda com a divisão em classes e a divisão sexual da sociedade. Tem seu valor histórico e por isso merece ser objeto de estudo também aqui em Florianópolis nos anos 60 e 70, momento marcado pela pílula anticoncepcional, pela revolução dos costumes, pela ditadura militar e muitos outros acontecimentos de ordem mundial que são refletidos no comportamento da sociedade desta época.  Contudo, ao longo da pesquisa foram utilizadas informações contidas exclusivamente nos jornais e revistas já citados, registrando e fotografando suas páginas, procurando identificar como discutiram a moda em Florianópolis, nas décadas de 60 e 70, enfocando o desnudamento como forte exemplo de transformação nos costumes.

2. Revolução dos Costumes e Revolução Sexual (1960-1970)

As décadas de 60 e 70 despertam diferentes opiniões, uns acham que é a idade áurea de novas liberdades, outros vêem nela uma época sombria que provocou o desmoronamento da moral, da autoridade e da disciplina. Porém, o que fica evidente são as mudanças e as conseqüências sociais, políticas e culturais refletidas até hoje na sociedade.  No mundo, foi intensa a implantação de ditaduras militares, principalmente na América Latina, pelos países imperialistas. Havia uma preocupação com as contestações, protestos, movimentos revolucionários dos anos 60. O ano de 1968 foi marcado por manifestações sociais, políticas e culturais em várias partes do mundo, sendo palco de protestos contra a ditadura, destacando a rebeldia do movimento estudantil e do movimento operário. No Brasil, por exemplo, os anos de 60 e 70 foram reconhecidos como anos de mudanças, as quais promoveram transformações na estrutura da produção e da sociedade, nos comportamentos políticos e nas manifestações culturais. Lutava-se contra o regime de ditadura militar implantada em 1964, contra a reforma educacional, o que mais tarde provocou o fechamento do Congresso e na decretação do Ato Institucional nº 5. Além disso, o país foi palco de grande “expansão da massificação das informações e dos padrões de comportamento de consumo. Nos meios de comunicação a televisão foi o principal veículo que penetrou de forma incomparável numa década em que as redes de telecomunicações atingiram distantes regiões do país. Ela generalizou-se em todas as camadas sociais. Ou melhor”, a informação era dominada pelo rádio e pela televisão. ”  Esse papel tornava-se importante pelo fato de transmitir em cores, ao vivo, partindo de São Paulo – Rio de Janeiro “os últimos ditames da moda, a coqueluche dos fliperamas e das discotecas, o culto ao corpo e a valorização dos padrões de beleza, a exaltação do individualismo e do consumismo.           Assim, a revolução dos costumes inseriu-se em diferentes países, a partir da década de 60, com o apoio de importantes veículos de informação, entre eles a televisão, como já havia mencionado. Exerceu grande influência na transformação dos costumes.  Desta forma, volta-se ao objetivo central deste artigo: observar por meio de artigos de revistas e jornais, além das fontes bibliográficas, a revolução dos costumes (cultural e social) envolta na revolução sexual que promoveu uma ruptura nos fios das gerações. Percebe-se que ocorre um choque cultural entre as gerações dos nossos pais e as gerações dos jovens pós-modernos. As gerações adultas depois da II Guerra Mundial, sofrem sem sombras de dúvidas, com as neuroses da transição histórica. Essa geração, pois tem os pés nos dois mundos, porém existem fios ligando-os, a um senso de conquista e continuidade. Mas o jovem sente falta de pontos de referência. Está aí inserida uma revolta, trancada em si própria, hostil às tradições e também ao futuro predeterminado pelos seus pais e mentores. Porém, esse choque cultural não é exclusividade dos anos 60 e 70. É importante esclarecer que o conflito entre pais e filhos, ou seja, de gerações diferentes é bastante antigo, mas nesta época foi mais intenso. Desta maneira, o melhor enfoque para observar a revolução cultural, mediante o estudo da família e da casa, ou melhor, por meio da estrutura de relações entre os sexos e gerações. O que ocorre nos anos 70 é uma mudança de atitude, pois as mulheres pensam mais no controle da concepção, percebe-se uma substancial diminuição no casamento formal. Desta forma, pode-se verificar uma aceleração dessa tendência nos desvairados anos 60. No fim da década de 1970, houve mais de 10 divórcios para cada mil casais casados na Inglaterra e Gales ou cinco vezes mais que em 1961. No ano de 1970, a Revista Realidade de circulação nacional, apresenta bem esta questão de revolução dos costumes refletida na sociedade brasileira. Ela trouxe um artigo intitulado: “O Corpo é o refúgio onde os jovens querem achar sensações novas. É a Revolta contra a Alma” , de Paulo Francis, onde discute a mudança radical dos costumes, a liberdade sexual, que envolve relacionamentos, a maneira de vestir-se e de comportar-se. As mulheres têm mais liberdade, principalmente em falar de prazer, sentem-se mais livres.  Observam-se essas mudanças na própria cultura jovem que se apresenta como a sede principal da revolução cultural. Trata-se de uma revolução nos modos, nos costumes e nas formas de usufruir o lazer, que forma o cenário dos homens e mulheres urbanos e modernos desta época.  No tocante as gerações mais velhas, o autor percebe que elas cedem ao impacto das novas liberdades. É como se “a revolução dos costumes, tivesse ultrapassado os limites da moralidade sexual nas manifestações extremas” , pois ela está presente em todos os aspectos. Os jovens rejeitam os valores e costumes das gerações de seus pais com um novo estilo de ser, o informal. Usam uma nova linguagem através das roupas, do comportamento, para mostrar ao mundo, que não faz sentido para eles os valores dos mais velhos.  Percebe-se que este período incorporou a revolta juvenil em suas atitudes. Insere-se em todas as camadas sociais diversos rótulo, que vão: do moleque ao boêmio e ao playboy, dependendo da condição econômica de cada um.  Há que observar o comportamento hippie, como um estilo informal, uma nova linguagem usada pelos jovens neste período.   A Revista Realidade, intitulada: “Ser hippie é adotar uma nova moral entre os sexos, subverter o significado das coisas. Ensaio das cores” , discorre sobre a conduta desses jovens rebeldes. Torna-se clara a liberação pessoal e social destes jovens, que se uniam através do sexo e das drogas para romper com o convencional, com as leis dos pais, do próprio poder. Portanto, responder a pergunta que época foi esta? Permite-se afirmar que ela assistiu a proliferação de uma imensa diversidade de comportamentos, tendências culturais e estilos de vida. Compreende-se que ocorreu um vendaval que atingiu corações e mentes com movimentos por liberdade e direitos tais como: sindical popular, dos estudantes, das mulheres, dos negros, dos homossexuais. Sendo que o determinante primordial do fim da década foi os movimentos pelos direitos das denominadas minorias, que se organizaram e promoveram seus próprios debates, congressos e manifestações públicas. Contudo, o que mais chama a atenção nesta época é a atuação das mulheres na sociedade, promovendo fortes mudanças. Elas avançaram na questão de emancipação econômica e sexual, além da sua presença crescente nos movimentos reivindicatórios e políticos da década.  Ou seja, as mulheres tiveram o desenvolvimento de uma ação mais direta e organizada, pois os movimentos feministas lutaram contra a ditadura e por problemas específicos das mulheres tais como: sexualidade, o controle da concepção, o aborto, o prazer sexual, a dupla jornada de trabalho, a discriminação econômica, social e política. Todos estes fatores foram primordiais para a Revolução Sexual inserida na Revolução dos Costumes. A busca de liberdade atingiu também a vida privada da população em geral.   As mulheres através da pílula anticoncepcional apresentaram um comportamento mais liberal, que também se refletiu na maneira de vestir-se. As roupas curtas são também “símbolos de desinibição. Elas queriam a igualdade de direitos, de salários, de decisão. Esses aspectos constroem o modelo de uma terceira mulher, considerada uma autocriação feminina. O modelo da primeira mulher foi o belo sexo, a educadora dos filhos, fada do lar, já a denominada segunda mulher era enaltecida, idolatrada. Ou seja, tanto a primeira quanto a segunda mulher estavam subordinadas ao homem, mas a terceira é sujeita de si mesma.   Desvitalização do ideal da mulher do lar, legitimidade dos estudos e do trabalho feminino, direito ao voto, “descasamento”, liberdade sexual, controle da procriação: manifestações do acesso das mulheres à inteira disposição de si em todas as esferas da existência, dispositivos que constroem o modelo da “terceira mulher.   

O sexo foi considerado um divisor de águas entre as gerações. A revolução dos costumes da época apresentou o sexo, sem marcas de pecado, como uma função fisiológica normal”. A pílula anticoncepcional e o reconhecimento do direito da mulher à auto-subsistência econômica livram o sexo de muitos dissuasivos legais. Agora, o jovem contemporâneo redescobriu o corpo e se entrincheirou nele. Porém, a revolução dos costumes e a revolução sexual podem ser caracterizadas pela época do consumo de massa, não somente pela proliferação de produtos diversos, mas principalmente pela profusão de signos e referenciais de sexo. Ou seja, a revolução dos costumes está intrinsecamente relacionada com a revolução sexual. A liberdade sexual feminina deixou de ser um sinal de imoralidade, a atividade profissional feminina se beneficiou de julgamentos amenos.   Dessa forma, a revolução sexual aparentemente elimina os últimos tabus, pois  a noção de atentado aos bons costumes desaparece . Após o direito à informação sexual, nas escolas, através da televisão, é a proclamação do direito ao prazer sexual. Além disso, percebe-se o reconhecimento do trabalho social feminino relacionado com o liberalismo sexual. O reconhecimento social do trabalho feminino traduz o reconhecimento do direito de viver mais para si própria com independência econômica. Contudo, a evolução dos costumes tende a eliminar, apagar as diferenças de posição mostrando que a vida coletiva coloca em contato pessoas iguais em sua particularidade, ou seja, essa recusa de ser classificado, definido por sua posição, constitui uma vontade de ser tratado como pessoa privada dentro da própria vida coletiva. Ela leva à diluição de papéis sociais.  É interessante perceber como esses novos comportamentos romperam com as gerações anteriores, no que diz respeito às estruturas tradicionais, de educação seguida pelos nossos pais. Essa mudança de comportamento foi refletida diretamente na juventude da época. Modificou-se a maneira de agir e de vestir-se, ou seja, as roupas encurtaram, provocando o desnudamento dos corpos, principalmente femininos, e a diluição de papéis sexuais e posições sociais. Contudo é fundamental compreender a importância desta época, perceber que existe um processo de mudança social e cultural que se revela aos poucos nas sociedades através de símbolos de desinibição, como as roupas, por exemplo.      3. O Desnudamento através da Moda (1960-1970)

A transformação nos costumes e na moda nas décadas 60 e 70 tem relação direta com o corpo. Acontece neste período um desabrochar, um desnudamento, uma reabilitação do corpo. A novidade do final do século XX é a generalização de atividades físicas que tem como objetivo o próprio corpo, a sua aparência, sua realização seu bem-estar. O prazer da própria higienização, do banho, da toalete, do esforço físico, a liberdade de poder olhar-se sem maquiagem, sem roupas, nua, no espelho.  O desnudamento através da moda acaba borrando as fronteiras do gênero, pois agora as mulheres podem igualar-se aos homens, no trabalho e na maneira de se vestir. Embora o desnudamento feminino não ocorreu com objetivo de ser libertador ou impulsionado com propósitos feministas, permitiu apagar um pouco as diferenças entre os homens e mulheres e permite que elas sejam vistas como gente tão capaz, tão prática no trabalho e na forma de se vestir. Todavia, as partes do corpo feminino perdem aos poucos sua conotação sensual e a concentração dos olhares com o passar do tempo. Torna-se comum, banal o desnudamento. No início da década de 70, as mulheres buscavam passar a imagem da sensualidade, do “ser sexy”, porém no final da mesma década, reclama-se da banalidade do sexo associada ao desnudamento através da moda. Fala-se até em “vulgarização da moda”, a nudez não causa mais “frisson”. O desnudamento do corpo foi uma imagem muito vendida nos cinemas desde 1940. A nudez feminina, assim como novos comportamentos foram divulgados principalmente por meio das atrizes de cinema. Já na década de 70, a questão da beleza era seriamente debatida nesta época. E quais eram os padrões de beleza em evidência?  Percebe-se que, o ideal de beleza aponta que o corpo para ser belo deveria ser magro e jovem. Os investimentos em exercícios, ginásticos e regimes eram indispensáveis. A beleza foi colocada, no final dos anos 50 e começo dos 60, como um “direito de todas as mulheres, como algo que se pode moldar”, neste caso as formas do corpo.  Nos jornais de circulação local, percebe-se bem esta questão de ser jovem, magra e moderna. É constante a presença de fotos de garotas de biquíni, mostrando o corpo nas praias, pela cidade de Florianópolis. Nos fins dos anos 60 e 70, em Florianópolis, observa-se os reflexos das mudanças ocorridas nos grandes centros, a revolução dos costumes atingiu Florianópolis. Os corpos transformarem-se, principalmente os femininos, que nesta época, “desnudaram-se” como antes nunca tinham feito.   Percebe-se isto através dos jornais que circulavam pelo Estado de Santa Catarina, principalmente os jornais como o Diário Catarinense; O Estado e A Gazeta; As revistas correspondem: Realidade, O Cruzeiro; Cláudia (revistas de circulação nacional) e A Verdade (revista local). Observa-se no Jornal Diário Catarinense, várias matérias e pequenas notas, que destacam o “desnudamento” das mulheres principalmente nas praias de Florianópolis. Essa “nudez” mostra-se acentuada no carnaval, principalmente (nos meses de fevereiro e março).  Com o passar do tempo essa mudança de comportamento na sociedade florianopolitana foi sendo aceita e tornou-se comum. Esse “desnudamento” foi diretamente associado a “modernidade” e a “revolução sexual” proveniente dos grandes centros. Como é sabido, a elite de Florianópolis copiava a carioca seja, nas roupas, nas atitudes, ou no comportamento, inspirados principalmente na França ( Paris).     A liberação sexual por meio da moda pode ser observada em 1971, quando aparecem os shorts curtos no Brasil, vindo de outros países, como os Estados Unidos, foi lançado aqui quase ao mesmo tempo que na França.  Para a estilista Tommy Robets, mestre da roupa inglesa, o negócio é que as moças querem mostrar as pernas. O short é uma boa roupa para mostrar as pernas. Já para John Hagges, também estilista, o short não só venceu a mini-saia, mas derrubou mais um obstáculo que entupia o caminho da liberação da mulher.  Percebe-se como o desnudamento principalmente dos corpos femininos está diretamente relacionado com os fatores modernidade, beleza e liberação dos costumes. Essas questões, por outro lado, estão relacionadas com a liberação sexual feminina, firmada na pílula anticoncepcional que agora é mais divulgada e mais consumida pelas mulheres “modernas”. Agora, com a modernização dos costumes, na vida privada e nas apresentações públicas, outros modelos de comportamento são exibidos para as mulheres. Era uma preparação para a vida moderna incorporada também nas atividades essenciais à vida doméstica, ou seja, outras necessidades foram incorporadas neste processo. Sabe-se que a imprensa brasileira foi submetida à censura. Um exemplo é a revista de circulação nacional a Realidade, que em 1966, teve um número censurado e também recolhido. Esta edição censurada estava intitulada: “A realidade da mulher brasileira”, que na opinião dos censores “feria a moral e bons costumes”.   Discutia a questão do aborto, além de mostrar fotos com cenas de parto. Constata-se que havia uma vigilância interna, que ditava quais enfoques deveriam ser tratados no tocante a problemas femininos discutidos nos jornais e revistas, apoiados e legitimados pela ditatura de 1964. Eram evidentes os limites no que era oferecido às mulheres. Forte exemplo foi o fato de que o movimento feminista no Brasil articulou-se mais tardiamente em relação a outros países. É interessante compreender que trajes como o biquíni (criado em 1946 e popularizado na década de 60), a mini-saia (criada em 1965), o short (aparece no Brasil em 1971), por exemplo, marcaram as décadas de 60 e 70. Estas peças que revolucionaram os costumes e comportamentos femininos, levando as sociedades de diversos países a mudanças. Na verdade, foi uma revelação que aconteceu lentamente, como um processo. Ou seja, quem estava acostumado a ir à praia de chapéus, luvas, vestidos, saiotes e salto alto não podia despir-se assim tão rapidamente. No entanto, essa mudança de comportamento, essa nudez presente no cotidiano das pessoas, foi um processo experimentado aos poucos. Na década de 50, por exemplo, podemos observar os primeiros biquínis de duas peças e maiôs exibidos na Revista O Cruzeiro. Já se falava previamente dessa nudez que invade a década seguinte. FORNAZARI mostra, por meio da Revista O Cruzeiro, vários anúncios de 1950, com moças vestindo biquíni de duas peças, um pouco mais comportado que o dos anos 60, porém expressava a liberação feminina e a busca pela independência. Naquela época, freqüentar a praia trajando roupas de banho era considerado uma questão moderna. A criação de novos modelos sugere uma corrida contra o tempo. O próprio “termo moda” tem no “ser moderno” o seu principal sentido, a sua principal finalidade. Em jornais e revistas, algumas colunas, ao sugerirem “modelitos” ás suas leitoras, reclamavam das mudanças e das dificuldades de segui-las”. Pode-se citar um exemplo forte de personalidade que marcou a cidade de Florianópolis, por volta de 1950. A lageana da tradicional família Ramos, veio morar em Florianópolis com cinco anos de idade. Marisa Ramos fez história na cidade, “bagunçou a conservadora sociedade” florianopolitana, como “a primeira mulher a usar biquíni de duas peças”. Profissionalmente, foi modelo de alta costura no Rio de Janeiro, colunista do jornal O Estado e apresentadora de televisão na TV Cultura. Comenta que era indispensável, depois da missa das dez na Catedral, a voltinha pela calçada do palácio, as primeiras paqueras, matinês no Cine São José, uma delícia.

Nunca me senti escandalosa e nunca usei biquíni para escandalizar. Simplesmente usei a moda um pouco antes de outras moças. Sempre fiz o que gostei. Eu já esqueci, faz tanto tempo. Ainda agora durante a festa Troféu Manezinho da Ilha, algumas pessoas ainda relembram o fato. Credo, eu nunca fiz nada para derrubar conceitos e preconceitos. Na época, as pessoas que me rodeavam aceitaram naturalmente o meu traje.   Percebe-se que o biquíni, por exemplo, veio revolucionar o vestuário da praia e provocou na altura um enorme escândalo na Itália, na Espanha e na Bélgica. O biquíni foi imediatamente interditado nas praias. No Brasil, o presidente Jânio Quadros resolveu proibi-lo nas praias, mas, como tudo que é proibido, o uso de biquínis cresceu e seu tamanho foi diminuindo. Em Florianópolis não foi diferente. Se formos olhar a pesquisa de Sérgio Luiz Ferreira, intitulada: “O banho de mar na ilha de Santa Catarina (1900-1970)”, percebemos que a nudez nas praias já era muito discutida. Aqui, o banho de mar foi visto primeiramente como um “abuso de Código de Posturas”, depois foi como “tratamento médico”, “refrigério contra o excessivo calor”, “divertimento das famílias” e mais tarde como turismo. Os jornais e revistas nas décadas de 60 e 70 e até hoje, destacam nos meses de janeiro e fevereiro, vários trechos falando do clima e das praias. As garotas de biquíni e maiôs funcionaram como cartão de visitas das nossas praias.  O banho de mar, segundo Sérgio Luís Ferreira, modificou a configuração da cidade, ditou modas, novos trajes, transformando mentalidades e hábitos, calou preconceitos e suscitou outros tantos. Ou seja, quando as pessoas começaram a tomar banho de mar, isto implicou em vestir “trajes sumários”. Ferreira deixa bem claro que este fato não foi aceito de forma pacata. As críticas não demoraram a chegar, muitas reclamações surgiram acerca dos abusos dos imorais e do decoro à praia. Aos poucos o banho começava a expandi-se e adquirir cada vez mais adeptos, a partir de 1930, como mostra o jornal O Estado , pesquisado pelo autor. Já com o biquíni o processo foi parecido, aos poucos a sociedade acostuma-se com o desnudamento feminino.  Neste contexto, as revistas, o cinema e a televisão com imagens aceleravam a divulgação das últimas tendências de moda, que não estava mais restrita á elite. A urgência da moda pronta, o pronto para vestir “prét-à-porter” veio acelerar este processo, pois “a mulher moderna não faz roupa em casa”. A indústria brasileira nesta época tinha tudo para produzir e criar a sua própria moda, porém apresentava uma defasagem com relação à “criação”. Como comenta Edith Pasquier, os artistas brasileiros podem criar, sozinhos, a moda brasileira. O que mostra o domínio da moda dos grandes centros atuando na indústria brasileira.  Verificando os jornais e revistas da década de 70, época constata-se que as críticas em relação às vestes curtas neste não ficaram evidentes. O desnudamento traz consigo a questão de modernidade que é um ponto forte para a moda com roupas curtas se inserir na sociedade brasileira, como havia comentado anteriormente. Porém analisando de forma detalhada estes jornais encontram-se raros comentários criticando estas vestimentas curtas, associando-as a um atentado aos bons costumes da família cristã. Portanto, concluí-se que as revistas e jornais pesquisados e divulgados pela imprensa em geral procuravam “inovar” ou “fornecer” as bases para o “bom senso” na moda, multiplicavam-se os livros, as colunas de jornais e matérias em revistas comentando sobre a indústria da moda no Brasil, fornecendo dicas para o consumidor descobrir o estilo pessoal.  Em Florianópolis, a sociedade segue o comportamento carioca inspirado nos grandes centros, dando continuidade ao antigo processo de copiar, principalmente suas roupas A questão do “bom senso” era necessária, pois se copiava muitas vezes a moda que não era adequada ao nosso clima, como, por exemplo, vestidos longos com casacos de pele por cima. Porém, os trajes de banho e as roupas curtas fizeram muito sucesso pela cidade de Florianópolis nesta época. As capas dos jornais e revistas na maioria das vezes traziam garotas de biquíni nas praias da cidade. Sempre jovens e magras atendendo o padrão de beleza da década de 70, nos quais o tema “beleza” era discutido seriamente. Destaca-se a colunista do Jornal O Estado Marisa Ramos, a primeira jovem a desfilar de biquíni por volta de 1950.  Neste contexto estão envolvidos “padrões de beleza” da época, os papéis sexuais, pois as mulheres conquistaram seu espaço e começaram a usar roupas dos homens (calças), a trabalhar fora, ou seja, outros discursos a respeito das mulheres começam a surgir com força. Estas décadas ficaram presentes na memória como grande época da revolução da juventude, em que caracterizados pelas transformações em grande escala, pela libertação sexual, as experiências com drogas ou a reclamação dos direitos das mulheres.

4. Considerações Finais

Desta forma conclui-se que as décadas de 60 e 70 foram fundamentais para a mudança de comportamento de diversas gerações, principalmente dos jovens que construíram um novo estilo de vida. A sociedade brasileira inspirou-se nos jovens de vários países e também revolucionou os costumes de nossa sociedade. Verifica-se pôr meio destes jornais e revistas pesquisados e citados no corpo deste trabalho, que a moda veio sempre de fora, dos grandes centros. Outro determinante primordial foi a falta de criatividade dos estilistas brasileiros naquela época, criticados na Revista Realidade, que aponta nossa indústria carente de criação.   Além da falta de “bom senso” da sociedade elitizada, em usar determinadas roupas que não conferem com nosso clima. Tudo em função de “estar na moda” conforme sociedade européia. A história explica que desde a época colonial, o Brasil sofreu a influência dos colonizadores europeus que deixaram por suas terras e principalmente na população os seus costumes e traços culturais. Observa-se essa cultura em vários aspectos principalmente na maneira de se vestir. É importante observar que as mulheres alcançam uma emancipação em todos os aspectos, inclusive na maneira de vestir. Passam a usar roupas antes permitidas somente aos homens, como as calças, os smokings e até shorts. É fundamental perceber que o desnudamento através da moda como as minissaias, vestidos curtos, biquínis, que acabam borrando as fronteiras do gênero, pois as mulheres podem igualar-se aos homens. Embora o desnudamento não ocorreu com o objetivo de ser “libertador” ou com propósitos feministas, permitiu apagar um pouco as diferenças entre os sexos e possibilitar que as mulheres sejam vistas como “gente” capaz de usufruir da praticidade ao vestir-se, do trabalho e da habilidade de seus dons, como cidadã digna. Com o passar do tempo essa mudança de comportamento na sociedade florianopolitana foi sendo aceita e tornou-se comum. Esse “desnudamento” foi diretamente associado a modernidade e a revolução sexual proveniente dos grandes centros. Como se sabe a elite de Florianópolis copiava a elite carioca seja nas roupas, nas atitudes e no comportamento, inspirados principalmente na França ( Paris). Essa “modernidade” agora comum na forma de se vestir estava presente nas páginas de jornais e revistas de circulação em Florianópolis. Constata-se, que essa mudança de comportamento, essa nudez presente no cotidiano das pessoas, foi um processo experimentado aos poucos. Na década de 50 observamos os comentários a respeito de Marisa Ramos usando biquíni em Florianópolis, trazendo um primeiro impacto para nossa sociedade que se acostuma lentamente com a novidade, apesar da resistência da igreja, que fazia comentários sobre estas vestimentas pornográficas. É evidente a presença do fator “modernidade”, inserido na imprensa brasileira. Percebe-se a existência da crítica e do receio ao que é novo. A moda e os novos costumes são discutidos com freqüência nos jornais locais. Em sua maioria, são destinados às mulheres, pela sua preocupação com as roupas, com a beleza e exposição do corpo. Verificam-se estas evidências nos jornais pesquisados, que ditam a moda para a sociedade de Florianópolis, como as colunas, de Iara Pedrosa, Marisa Ramos e Zury Machado (muito citado em outros trabalhos), colunistas sociais do Jornal O Estado. Observa-se que a moda discutida pela sociedade local era baseada na moda vigente na França (Paris). Porém, o que chama a atenção são os trajes de banho, as roupas curtas que nesta época invadem as ruas, as praias e modifica o comportamento de uma juventude. Os biquínis, a minissaia, os shorts, marcaram esta época e é interessante perceber o contexto que envolve essa mudança nos costumes. Nesta época acontece uma reabilitação do corpo, a descoberta de novas sensações, a liberação sexual, a presença da pílula anticoncepcional. Compreende-se que a revolução sexual está inserida na revolução dos costumes, refletida nas roupas, na maneira de agir. O comportamento da juventude desta época revela as características desta revolução. O desnudamento do corpo, principalmente feminino é um forte exemplo deste conjunto de mudanças que são refletidas de diversas formas. As roupas neste período são apenas um ponto importante que revelam toda uma época, aqui observada através de jornais locais e revistas nacionais e locais pesquisados.

 

NOTAS

   O presente artigo é uma síntese do Trabalho de Conclusão de Curso em História pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC/2003).  

   PALOMINO, Erika. A moda. São Paulo: Publifolha, 2002. p. 15.    LIPOVETSKY, Gilles. O império do efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas. São Paulo: Companhia das Letras. 1989. p. 155.    PEDRO, Joana Maria. Relações de gênero na pesquisa histórica. In: Revista Catarinense de História. Florianópolis: UFSC, 1994. p. 41.    PEDRO, Joana Maria. Relações de gênero na pesquisa histórica. In: Revista Catarinense de História. Florianópolis: UFSC, 1994. p. 41.    DUBY, Georges. História da vida privada: da primeira guerra aos nossos dias. São Paulo: Cia das Letras, 1994. p. 146.    Revista Realidade. Ed. Abril. São Paulo. 07/1969. p. 80.    Revista Realidade. Ed. Abril. São Paulo 07/1969. p. 80   Revista Realidade. Ed. Abril. São Paulo 11/1969. p. 141   LIPOVETSKY, Gilles. A terceira mulher: permanência e revolução do feminino. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. p. 237.    PIOVEZAN, Veridiana. As roupas da moda: a construção do gosto e do “bem vestir” em Florianópolis nos anos 50 e 60. Florianópolis: UFSC, 2002. p. 1.    OLIVEIRA, Núcia Alexandra. As páginas de beleza. . . as representações sobre a beleza feminina na imprensa (1960-1980). Dissertação de Mestrado História Cultura. Florianópolis, UFSC, 2001. p. 73.    FORNAZARI, Luciana Rosar. Gênero em revista: imagens modernas de homens e mulheres na revista o Cruzeiro do segundo pós-guerra. Dissertação de Mestrado em História Cultural. Florianópolis, UFSC, 2001.    SIMÕES, Aldírio. Retratos à luz de pomboca. Florianópolis:1997. p. 108.    FERREIRA, Sérgio Luiz. O banho de mar na ilha de Santa Catarina (1900-1970). Dissertação de Mestrado em História. Florianópolis:Ufsc. 1994. p. 22.    Jornal O Estado. 15/02/1929. p. 79.    Revista Realidade. Ed. Abril. São Paulo. 03/1969. Nº 36. p. 109.    Jornal O Estado. 16/07/1969. Nº 16225. p. 1   Revista Realidade. Março de 1969. Nº. 36. p. 106.

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