Peixe sem espinha um bom negócio

Há alguns anos os restaurantes encontraram no peixe sem espinha uma fonte para agregar valor aos pratos regionais e atrair o turista que tem medo de comer peixe por causa das espinhas.

Nos restaurantes, a matrinxã e o tambaqui chegam a custar até 60% mais caro se for sem espinha. Mas nas feiras, a extração ainda é um serviço pouco explorado. “Para fazer esse trabalho, a pessoa precisa de pouca coisa: lugar arejado, luz, duas faca, uma lima e ter boa concentração”, conta Ana Carolina Pacheco Moura, 24, instrutora do curso de extração de espinha oferecido pela Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (ADS), na feira do Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS).

Ana tira espinhas de cerca de 250 peixes por semana, a maioria matrinxã, os quais são vendidos prontos para assar no forno, ou na brasa, para restaurantes, vizinhos, empresários e clientes da feira do Cigs. Trabalhando em casa, para amiga Bernal, 43, dona de um viveiro, Ana obtém um salário médio mensal de aproximadamente R$ 800.

Mais do que ela ganhava numa cozinha industrial. “É um mercado que, com muito pouco, dá para ganhar dinheiro”, disse Ana, que até dezembro mal sabia ‘ticar’ um peixe. Com duas aulas em casa, de uma hora cada, e quase um mês de treinamento para aperfeiçoar a sua técnica- ela aprendeu uma e desenvolveu outra, Ana fez tanto sucesso na feira que se tornou instrutora. “Para quem não trabalha diretamente com peixe, não é na primeira aula que aprende, mas tem que perseverar. Tem gente que já está na quinta, sexta aula”, orienta.

Para o coordenador da Pós-graduação em Ciências Pesqueiras nos Trópicos da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), o engenheiro de pesca, Antônio Inhamuns, esse tipo de produto tem demanda e é um mercado em expansão. “Tem uma classe social que está disposta a pagar mais e dá o peixe livre de espinha para o seu filho, sem risco de ele se engasgar”, disse o professor.

O Amazonas é o estado brasileiro que tem o maior consumo per capita de peixe por habitante, com 55 quilos (kg) por ano, superando até o Pará, 16 kg. No Brasil, o consumo é de 9 kg ao ano por habitante. “Já que a população do Amazonas possui um tabu alimentar para comer peixe liso, o peixe sem espinha é uma alternativa para quem está disposto a pagar um pouco mais”, disse Inhamuns, afirmando que não há nenhuma comprovação científica que peixe liso transmita vitiligo, hanseníse ou seja reimoso. “Só tem crenças”.

ADS oferece curso gratuito no Cigs

“Não sei comer peixe, mas coloca um desses sem espinha na minha frente, que não sobra nada”. O clima de tensão ao ter que comer peixe hoje, não existe mais para a roraimense Márcia Bernal, 43, que investiu com o marido R$ 30 mil, há dois anos, na piscicultura e desde o início deste ano, contratou Ana Carolina para cuidar da limpeza dos peixes a serem vendidos.

O viveiro de Márcia fica no quilômetro 10, da BR 174. “Estamos pagando o financiamento, mas já temos um lucro razoável”, contou Márcia. Uma matrinxã média tratada (limpa e ticada) custa R$ 8. Se for sem espinha: R$ 10.

Na Manaus Moderna e Panair, a extração de espinha varia de R$ 3 a R$ 5. Para quem deseja aprender o método, o treinamento é oferecido gratuitamente pela ADS. A próxima feira, ocorre dia 19.

As inscrições podem ser feitas na feira do Cigs (para a edição seguinte), ou pelo telefone 4009-8400. “No treinamento, a pessoa aprende noções de anatomia do peixe, higiene e extração da espinha. Ela só precisa comprar o peixe, que depois leva pra casa”, disse o coordenador do departamento da Cadeia Produtiva do Pescado da ADS, Erivan Santos.

Extração de espinha do pescado Diferencial O engenheiro de pesca Antônio Inhamuns diz que a venda peixe sem espinha, nas feiras e restaurantes, é um mercado em expansão. “Tem uma classe social que está disposta a pagar mais e dá o peixe livre de espinha para o seu filho, sem risco dele se engasgar”, disse o professor. 55 kg O Amazonas é o estado com o maior consumo per capita de peixe do País, com 55 kg/ano por habitante.

A média nacional é de 9 kg. “Para trabalhar com extração de espinha, só é preciso um lugar arejado, faca e boa concentração ” Ana Carolina Pacheco Moura, instrutora do curso da ADS.

Fonte http://acritica.uol.com.br

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