O pedagogo empresarial e a importância da formação continuada na qualidade dos serviços prestados

 

 

 Tendo em vista que a educação e o mercado de trabalho vêm passando por mudanças significativas e acentuadas nos últimos anos como sendo de reavaliação de pressupostos e de paradigmas que, até então, sustentavam a sociedade vigente. As organizações precisam maximizar as chances de continuar no mercado, readaptando-se às “novas” tendências deste período.

A cada dia que passa, deparamo-nos com uma diversidade muito grande de situações, que, na maior parte das vezes, é fruto da economia globalizada em que vivemos, onde a exigência de atualização e reciclagem das informações é cada vez mais necessária. Hoje, algumas atividades chegaram a tal ponto que máquinas estão substituindo o homem e com isso as empresas estão exigindo cada vez mais de seus funcionários em busca de melhoria da qualidade, buscando novas qualificações profissionais, a multifuncionalidade, desempenho do serviço com maior precisão e perfeição, com o objetivo de trazer o retorno esperado, o lucro. Entende-se que um trabalho harmonioso de uma equipe é importante; no entanto, há pouco investimento por parte das empresas em capacitar, apoiar os empregados, ouvir suas necessidades e sugestões, reforçar a importância do trabalho em equipe.

Esse trabalho tem como objetivo principal ampliar o conhecimento e esclarecer a cerca da atuação do pedagogo empresarial frente a uma nova realidade e necessidade. A metodologia aplicada a este estudo foi baseada em uma pesquisa bibliográfica, cujos principais teóricos são, Alberto Chiavenato e Vicente Falconi e uma pesquisa de campo na empresa estagiada – Hospital Pronto Socorro de Várzea Grande.

Este levantamento de dados na organização orientara aplicação da atuação do pedagogo frente a essa realidade ocorrida no meio organizacional.

 

 

O termo Pedagogia Empresarial foi empregado pela primeira vez no início da década de 1980, quando surgiram alguns poucos cursos universitários sobre a matéria. O enfoque da Pedagogia Empresarial foi, em princípio, o Treinamento e Desenvolvimento (T&D) de pessoas nas organizações empresariais. Estudos e pesquisas realizados na época demonstraram que o treinamento, na fase do planejamento e programação, tinha um caráter didático no que tange à estruturação dos cursos, à formulação dos objetivos, à seleção de conteúdo e recursos instrucionais e métodos de avaliação. Incluía, também, a seleção de treinados e instrutores. Esse é o campo de Pedagogia e, a partir deste momento, fica o termo Pedagogia Empresarial para designar todas as atividades que envolviam cursos, projetos e programas de treinamento e desenvolvimento.

A Pedagogia Empresarial expandiu sua concepção inicial graças a fatos importantes ocorridos na realidade das organizações brasileiras. Na época de 1980, um deles referia-se à baixa escolaridade dos operários das fábricas, mais de 60% não concluíam as quatro primeiras séries da educação básica. Além disso, havia grande desperdício de matéria prima na indústria e na construção civil, aproximadamente 10% do PIB nacional. Um estudo apresentado pelo autor (FALCONI,1999). Ao mesmo tempo, as empresas viam-se forçadas a entrar no mercado mundial com produtos de qualidade que atendessem às normas internacionais e, para tal enfrentamento, sentiam-se despreparadas.

Com o fenômeno da qualidade, passam a ser empregados os termos Treinamento e Desenvolvimento para diferentes funções. Desenvolvimento referindo-se a uma visão mais ampla do conhecimento preparando para funções mais complexas do crescimento do ser humano na empresa. Treinamento fornece o essencial para o cargo atual. Seriam as qualificações rápidas da mão de obra.

Os avanços tecnológicos e científicos recentes introduziram novas estruturas de trabalho, exigindo outras qualificações e perfil profissional. Tais acontecimentos trazem impactos e geram transformações qualitativas na área organizacional, exigindo ampliação dos enfoques que dominavam o panorama empresarial até a metade dos anos 1990.

Todo pedagogo empresarial precisa saber que para atuar para atuar no âmbito organizacional, deve ter uma consistente base teórica, articulada entre investigação e prática, privilegiando conhecimentos específicos do campo educacional nas organizações empresarias, precisa identificar problemas, comuns, profissionais e sócio-culturais em busca da participação de todos, visando superar a exclusão social; despertando seus colaboradores para a nova realidade do mercado, liderando pessoas.

 

 

O Pedagogo Empresarial é um profissional que domina determinados saberes, que em situação de quê, transforma e dá novas configurações e ao mesmo tempo, assegura a dimensão ética dos saberes, no cotidiano do seu trabalho. Faz-se importante contemplar a possibilidades bastante recentes, especialmente no contexto empresarial brasileiro; onde o seu surgimento é vinculado à idéia da necessidade de formação ou preparação dos recursos humanos nas empresas. Ele precisa de uma formação filosófica, humanística e técnica sólida a fim de desenvolver a capacidade de atuação junto aos recursos humanos da empresa.

Seu domínio de conhecimentos, habilidades e atitudes que, somadas à experiência dos profissionais de outras áreas, constituem instrumentos importantes para atuação na gestão de pessoas: coordenando equipes multidisciplinares no desenvolvimento de projetos; evidenciando formas educacionais para aprendizagem organizacional significativa e sustentável; gerando mudanças culturais no ambiente de trabalho; na definição de políticas voltadas ao desenvolvimento humano permanente; prestando consultoria interna relacionada ao treinamento e desenvolvimento das pessoas nas organizações.

O desafio desse novo profissional, diferentemente do que podem pensar alguns, não se resume a conduzir dinâmicas de grupo e preparar material de treinamento para o qual as pessoas não estão engajadas ou enxergando uma necessidade imediata. Isto requer muito trabalho. É preciso estudo e observações cuidadosas do que está acontecendo dentro da empresa e entender o seu ecossistema, como ele funciona e por que existe um desequilíbrio dentro dele. Tal diagnóstico requer do Pedagogo Empresarial perspicácia, observação, envolvimento, desprendimento, coragem, preparo técnico, ousadia, vontade, criatividade e desejo efetivo pela descoberta dos pontos de desequilíbrio dentro da corporação. De acordo com Ferreira 1985,

Um dos propósitos da Pedagogia na Empresa é a de qualificar todo o pessoal da organização nas áreas administrativas, operacional, gerencial, elevando a qualidade e produtividade organizacional. (FERREIRA, 1985, p. 74).

As políticas de Recursos Humanos, por si só, não garantem mudanças ou comprometimentos mais ou menos efetivos, pois tem no elemento humano o seu ponto-chave. A maneira de agir desse novo profissional Pedagogo precisa ocorrer de forma relacionada e cooperativa com a dos outros profissionais de gestão. com os outros profissionais de gestão, só assim os objetivos de mudanças alcançam possibilidades de concretização.

É uma questão importante para a atuação do Pedagogo Empresarial o entendimento dos comportamentos humanos no contexto organizacional, tendo em vista que toda sua atuação está pautada na dimensão humana.

 

Competência é o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que, quando integrados e utilizados estrategicamente, permite atingir com sucesso os resultados que dela são esperados na organização. Essa é a definição encontrada no livro de Benedito Milioni, Dicionário de Termos de Recursos Humanos, para a palavra competência. ( MILIONI,2003).

Conhecimento representa o entendimento teórico de certa matéria ou questão que a pessoa houvesse adquirido por meios formais. Habilidade simbolizava a experiência adquirida através da prática em certa área de atuação, basicamente, algo que você faz bem e já fez muitas vezes. Atitude representava a ação propriamente dita, ou seja, neste local ficavam homens voltados à ação prática, ou seja, ao “pôr em execução”.

 

 

Educação Continuada não é um conceito novo, mas nestes últimos anos vem ganhando especial relevância, tendo em vista as recentes transformações no mundo do trabalho. Educação Continuada é aquela que se realiza ao longo da vida, continuamente, é inerente ao desenvolvimento da pessoa e relaciona-se com a idéia de construção do ser. Florêncio (apud Chiavenato, 2007) ressalta que: “é vital permanecer numa condição de aprendizado e atualização contínuos”.

Nossa formação e conhecimento são para sempre nossos e são eles que nos conferem o embasamento para que possamos nos desenvolver, não apenas profissionalmente, mas em todos os campos da vida social. (chiavenato, 2007)

Esta continuidade nos conhecimentos abrange, de um lado, a aquisição de conhecimentos e aptidões e, de outro, atitudes e valores, implicando no aumento da capacidade de discernir e agir. Essa noção de educação envolve todos os universos da experiência do ser humano, além dos sistemas escolares ou programas de educação não-formal.

 Educação Continuada implica repetição e imitação, mas também apropriação, e criação. Enfim, a idéia de uma Educação Continuada associa-se à própria característica distintiva dos seres humanos, a capacidade de conhecer e querer saber mais, ultrapassando o plano puramente instintivo de sua relação com o mundo e com a natureza.

  

 

Os processos de educação continuada em saúde têm como objetivos a transformação das práticas profissionais e da própria organização do trabalho. Um dos desafios para os serviços de saúde é a adoção de medidas para a satisfação dos pacientes neste cenário, o desafio é investir em recursos humanos, utilizando-se da educação continuada como ferramenta para promover o desenvolvimento das pessoas e assegurar a qualidade do atendimento aos pacientes. Como prevê a lei: LEI Nº 8. 080, DE 19 DE SETEMBRO DE 1990.  

Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências.

Art. 14. Deverão ser criadas Comissões Permanentes de integração entre os serviços de saúde e as instituições de ensino profissional e superior.

        Parágrafo único. Cada uma dessas comissões terá por finalidade propor prioridades, métodos e estratégias para a formação e educação continuada dos recursos humanos do Sistema Único de Saúde (SUS), na esfera correspondente, assim como em relação à pesquisa e à cooperação técnica entre essas instituições. ( www. planalto. gov. br).

 

 

A modernidade exige mudanças, adaptações, atualização e aperfeiçoamento. Quem não se atualiza fica para trás. A parceria, a globalização, a informática, toda a tecnologia moderna é um desafio a quem se formou.

O conceito de trabalho passa por uma mudança em ritmo acelerado. Para fazer frente a uma concorrência crescente nos mercados globais, as empresas precisam ser ágeis, com poucos níveis hierárquicos. A nova organização distingue-se pela ambigüidade, por menos fronteiras e pela comunicação rápida entre empresa e seus empregados, fornecedores de produto, educadores e clientes.

Contudo a formação continuada ganha espaços nas organizações. Dentro do contexto contemporâneo ela é saída possível para a melhoria da qualidade dos serviços prestados, por isso o profissional consciente deve saber que sua formação não termina na universidade.

Formar o profissional para a modernidade através da formação continuada proporcionará ao mesmo a independência profissional com autonomia para decidir sobre o seu trabalho e suas necessidades profissionais. Além das ferramentas de treinamento e desenvolvimento no ambiente organizacional a empresa também deve adequar-se à atualidade, garantindo sua qualidade na prestação de serviços. Estes profissionais qualificados através do desenvolvimento organizacional devem encontrar um ambiente propício para a prática das competências. Para isto, a empresa pode buscar recursos através de certificados oferecidos pela ISO (International Organization for Standardization), um organismo internacional com sede em Genebra, editou a ISO-9004-2 (Gestão da Qualidade e Elementos do Sistema da Qualidade. Parte 2: Diretrizes para Serviços).

No momento em que a busca por diferenciais competitivos está se voltando para os serviços, torna-se necessário obter respostas adequadas que permitam rever os antigos modelos gerenciais. É neste contexto que abordamos a Norma ISO-9004-2, uma das alternativas existentes para modelar o Sistema da Qualidade de Empresas na prestação de serviços. A prestação de serviços torna-se parte fundamental na qualidade de produção de bens duráveis ou não. Empresas que querem ganhar espaços nos mercados competitivos vêm tomando conhecimento da necessidade de reestruturação organizacional em consonância com a qualidade na prestação de serviços.

 

 

Apesar das empresas visarem produtividade e lucratividade, no momento atual assume o compromisso de educadoras organizacionais, pois são em seu contexto que ocorrem as aprendizagens, as melhorias para a qualidade produtiva para o mercado exigente e predominante.

Os dirigentes organizacionais que compõem este novo século passam a ver o treinamento e desenvolvimento como qualidade a ser agregada de uma forma holística e não situacional. Uns dos principais objetivos do treinamento são preparar as pessoas para execução imediata das diversas tarefas do cargo. A progressão do desenvolvimento de pessoas está interrelacionada ao desenvolvimento de suas carreiras. Carreira é uma seqüência de cargos ocupados por uma pessoa ao longo de sua vida profissional, como afirma Chiavenato (p. 401 a 403, 2007)

No setor de Recursos humanos, cada vez são requeridos mais investimentos e esforços ao capital humano como nos aponta Escotto em sua obra Pedagogia Empresarial.

A precariedade dos sistemas educacionais e os índices de analfabetismo são considerados como os dois grandes obstáculos, na America Latina, para o desenvolvimento de programas de recursos humanos mais efetivos. (ESCOTTO, 2003, p. 16)

O papel do pedagogo empresarial, entretanto vai se solidificando na busca de uma identidade profissional clara à medida que integra diferentes enfoques existentes no processo metodológico, prático, tendo como suporte o conhecimento na área da educação, como também a possibilidade de interagir e colaborar para o desenvolvimento do indivíduo na sua área de atuação profissional. Ou seja, este profissional é apto a interagir em diferentes áreas por ter competência de investigação das necessidades do potencial humano. Assim:

É quase unânime entre os estudiosos, hoje, o entendimento de que as práticas educativas estendem-se às mais variadas instâncias da vida social não se restringindo, portanto, à escola e muito menos a docência, embora estas devam ser a referência da formação do pedagogo escolar. Sendo assim o campo de atuação do profissional formado em pedagogia é tão vasto quanto são as práticas educativas na sociedade. “Em todo lugar onde houver uma prática educativa com caráter de intencionalidade, há aí uma pedagogia”. (LIBÂNEO, 2001, p. 116).

As práticas educativas não se dão de forma isolada das relações sociais que caracterizam a estrutura econômica e política de uma sociedade, mas estão subordinadas a interesses de grupo e de classes sociais. O pedagogo empresarial é um profissional capacitado para lidar com fatos e situações diferentes da prática educativa em vários segmentos sociais e profissionais.

 

Nessa era da informação está surgindo à sociedade do conhecimento e a economia do conhecimento, fazendo com que as organizações assumam um papel de gestores de conhecimento do capital intelectual, como seu mais importante patrimônio.

As empresas precisam ser capazes de enxergar seus funcionários como parceiros e envolvê-los, em busca dos resultados, mostrando, com clareza e transparência de todas as situações e condições que lhe são impostas. O funcionário deve ser capaz de identificar, interpretar, decifrar todas as condições, ter o olhar global da organizacional para que juntos, gestores e parceiros, possam trabalhar como equipe, onde os setores são diferentes, mas a qualidade e o envolvimento são o mesmo. O trabalho pedagógico organizacional é importante, pois, visa melhorar as condições de trabalho da organização, como também, dos funcionários, cujo objetivo principal é a qualificação profissional.

Vemos que dentro desse desenvolvimento, treinamento e educação permanente entra o papel pedagógico onde sugere alternativas na qualidade produtiva. Este profissional com formação em pedagogia empresarial deverá ter um profundo conhecimento acerca do funcionamento de grupos, bem como, um equilíbrio emocional e um código de ética profissional muito bem elaborado, pois estará constantemente administrando conflitos e propondo qualidade na produtividade. Portanto, para que pedagogo empresarial conquiste e expanda seu espaço nas organizações será necessário conhecer o mercado, conhecer os empreendimentos da empresa e seus concorrentes, conhecerem sua real necessidade diante do mercado competitivo, conhecer tanto o ambiente interno quanto o externo, que é o diferencial competitivo nessa área onde a abertura ao campo da pedagogia institucional está se expandindo no meio empresarial.

 

CHIAVENATO, Idalberto. Recursos Humanos: O capital Humano das Organizaçoes. São Paulo, Ed. Atlas, 2004.

FALCONI, Vicente Campos. TQC: Controle de Qualidade Total. Niterói: Ed. Edg, 1999.

http:// www. planalto. gov. br 

FREITAS. Jodrian S. Amorim. A ISSO 9004-2 e a qualidade em serviços. SENAC: Brasília, 2008. Disponível em: http://www. senac. br/BTS/221/boltec221d. htm. Acesso em: 02 de junho de 2009.

MILIONI, Benedito. Dicionário de Termos de Recursos Humanos. São Paulo: Ed. Central de Negócios, 2003.

RIBEIRO, Amélia Escotto do Amaral. Pedagogia empresarial: atuação do pedagogo na empresa. Rio de Janeiro: ed. Wak, 2003.

 

 

 

 

 

 

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