Família Ferraz no sertão de Mato Grosso

    FAMÍLIA FERRAZ NO SERTÃO DE MATO GROSSO INTRUDUÇÃO: José Dias Ferra, meu pai sempre foi comerciante em Minas Gerais, desde os dias bravos da 2º Guerra Mundial. e tinha armazém de secos e molhados e uma beneficiadora de arroz e café, na cidade de Cachoeira de Minas – MG, e por mais de uma vez seu estoque foi confiscado pelo Governo para mandar para os Paises que estavam sendo destruídos com a guerra na Europa. E com isso meu pai foi ficando descapitalisado, a ponto de acabar com tudo, e em 1956 ele e mais uns amigos, programaram uma viagem ao Mato Grosso. Nessa época Mato Grosso era considerado o fim do mundo, e essa comitiva alugaram duas combe, (carro fechado), para essa viagem. Era como se estivessem indo para a morte, foi uma choradeira danada das mulheres e filhos dos integrantes do grupo. Capítulo I Viagem para Mato Grosso Passou duas semanas e ninguém sabia de nada, pois não existia telefone e nenhum outro meio de comunicação a não ser por carta que levava as vezes um mês para chegar ao destino. Foi então que umas das combi voltou de Campo Grande, (neste tempo fazia parte do Estado de Mato Grosso), a metade da comitiva se acovardaram e desistiram de ir para a frente. A outra metade com mais uma semana viajando chegaram em Cuiabá, pois viajar naquela época era uma aventura, também não quiseram mais prosseguir a viajem, e voltaram para Minas Gerais, menos o meu pai que decidiu ficar para ver as terras de Mato Grosso. Ficou hospedado em um dos únicos hotéis de Cuiabá, e foi lá que conheceu um pessoal (corretores de venda de imóvel), e em conversa acabou cedendo a vontade de conhecer onde iria a ser a Cidade de Porto dos Gaúchos. Ele foi com outros compradores, percorreram a Gleba Gaúcha e gostaram da terra e da infra-estrutura da Empresa de Colonização, (Conomale). Colonização Noroeste Mato-grossense. No entanto, nós em Minas ficamos ansiosos por noticias, e foi que chegou o resto do pessoal menos o meu pai. Simplesmente, mandou recado que estava bem e que iria ainda permanecer em Mato Grosso mais um mês. E enquanto nós ficamos curtindo a saudade de nosso pai. Ele por sua vez, foi conhecer as terras que iria comprar, e só depois de um mês que realmente ele chegou, gordo bonito sem estresse nenhum, alegre, dizendo que comprou as terras, e disse para minha mãe, que se ela não quisesse ir, poderia ficar que depois que estivesse tudo ajeitado nas terras, voltaria para busca-la. Minha mãe falou. . . se é para ir, que vamos todos juntos. Meu pai transformou os móveis tudo em caixas, só levou o essencial. Capítulo II Mudando para Mato Grosso Alugou um caminhãozinho ford 1929, transformou-o em pau -de- arara e lá veio toda família de baixo da lona. Foi uma maratona essa viajem, para atravessar o Triângulo Mineiro e Goiás levou cinco (5) dias por causa da fragilidade do caminhão e as estradas que era precária, puro areão, E era nós que saia correndo pro meio do cerrado arrancando folhas e galhos para desatolar o caminhão que toda hora estava atolado na areia. Para eu e meus irmãos mais velhos já adolescentes, era como se estivéssemos num paraíso, meu pai tinha comprado em Minas duas espingardas, uma calibre 32 que deu para o meu irmão mais velho (Nelson) e uma outra espingarda calibre 36 que usava também bala 44 e deu para mim. E por todas as travessias, tanto de Minas como de Goiás a fauna e a flora era um espetáculo só, de vez em quando um bando de veado cervo, seriema, ema, anta, porcada, bando de papagaio, etc e lá ia nós para ver se matava pelo menos um. Mas não matamos nada a não ser passarinhos, assim mesmo com estilingue. Essa viajem nunca iríamos esquecer, meu pai arrumou um jeito que no próprio caminhão se fizesse comida. Tinha um fogão a querosene, porque nesse tempo ainda não existia gás, então de baixo da lona ficava aquele cheiro do querosene queimado que até hoje esse cheiro me acompanha, basta sentir um cheiro mais ou menos parecido, e o cheiro vem a tona, e já lembro dessa viajem. Uma semana foi o tempo que levamos para atravessar Minas, Goiás e chegar em Cuiabá, e na ultima posada nossa, foi em um ponto de ônibus (posada) ônibus que fazia o trecho Cuiabá/Campo Grande, hoje uma metrópole que é a cidade de Rondonópolis. Em Cuiabá, passamos três dias esperando para prosseguir a viajem, era mês de fevereiro de 1957 e o Paulo no dia dois de fevereiro completou 14 anos em Várzea Grande onde ficamos alojado, em uma casa próximo ao aeroporto, hoje uma avenida principal da cidade. Também Várzea Grande nessa época era só cerrado, muito poucas casas de moradias, e nós enquanto esperava em Várzea Grande, para Cuiabá antiga nós,era como se fosse uma parte das florestas de Mato Grosso, principalmente depois que veio um aviso para ficarmos com cuidado porque uma onça tinha escapado quando estava sendo posta no avião. Nesse tempo era permitido a exportação de animais selvagens. Capitulo II Rumo a Porto dos Gaúchos Foram dois dias de viagem para chegar em um porto do Rio Arinos com o nome de Cachoeira do Pau, fizemos uma pousada em um ponto de estrada, uma fazenda por nome de Fazenda Nabor, e de manhã era um espetáculo só, a sinfonia dos pássaros, as anarquia de centenas de papagaio nativos se misturava com os que já era manso, era de deixar qualquer pessoa encantado. Fazenda Nabor Daí prosseguimos a viagem e a tardezinha encostamos no Porto da Cachoeira do Pau. No outro dia cedo é que embarcamos numa lancha (Barca), com nome de Santa Rosa. Nessa posição do Rio Arinos, a largura é mais ou menos 60 metros, e desse ponto descemos navegando rio a baixo até onde o Rio tem 400 metros de largura, foi cinco (5) dias de lancha até onde era o destino nosso. Capítulo III Uma viagem de Chalana – Porto dos Gaúchos. Essa viagem também foi maravilhosa, as pousadas eram em barranco ao ar livre, cada um armava sua rede nas árvores, e era uma farra só. No segundo pouso, os tripulantes foram para a popa da lancha cada um com uma linhada de pescar, e não demorou e pegaram uma matrinchã mais ou menos de 4 kg, que deu para todos comer. E mais a noite, um dos passageiros, gritou: quem tem uma espingarda aí? Na mesma hora eu e meu irmão já levamos a nossa, pensando que seria onça, mas era só uma traíra (peixe) de mais ou menos uns 15 kg, bem grande, estava dentro da água de um córrego que fazia barra no Rio Arinos, e sua água era tão alva que se via o fundo com o foco de lanterna. O cara pegou a espingarda e atirou, mas o peixe nem se mexeu, estava muito fundo, foi então que teve a idéia de pegar um anzol por um pedaço de carne e por na frente do peixe. Não deu outra, o peixe abocanhou a isca e conseguiram tirar o peixe e mata-lo. Essa viagem foi um encanto, a toda hora surgia uma novidade a bicharada, e passarada surgia em cada curva do rio, era uma emoção a cada momento, e foi assim até chegar em Porto dos Gaúchos. Rio Arinos único meio de transporte Capítulo IV Histórico de Porto dos gaúchos Fundação Histórica do povoado de Porto dos Gaúchos Histórico – A região de Porto dos Gaúchos passou a ter vida sob o impulso do governo do Estado de Mato Grosso, a partir de leis colonizadoras, de 1948 em. . diante. Em meados da década de cinqüenta a empresa Transportadora Meyer S. A. , adquiriu terras à margem do Rio Arinos. Em seguida foi constituída a Colonizadora Noroeste Mato-grossense SA – CONOMALI – que passou a vender lotes de terras a empresas, grupo de particulares e colonos. Na maioria, esse contingente de pessoas se radicava no Estado do Rio Grande do Sul. A primeira caravana composta de futuros compradores de terras em Mato Grosso, partiu da cidade gaúcha de Santa Rosa, a 23 de março de 1955, com 20 homens distribuídos em dois caminhões, um Jeep Willys e um Unimog (veículo). A viagem demorou 41 dias, chegaram a três de maio de 1955, data em que se comemora a fundação de Porto dos Gaúchos. O final da viagem foi realizado em um barco – Lancha Gertrudes – construída pelo pioneiro Francisco Fernando Wilke, que a balizou em homenagem à esposa de Guilherme Meyer – o fundador e colonizador de Porto dos Gaúchos. A CONOMALI abria uma frente como ponta-de-lança na região do Arinos. Foi à primeira empresa colonizadora a receber do INCRA – Instituto Brasileiro da Reforma Agrária, a permissão de operacionabilidade. Como fruto de seu trabalho nasceu o município de Porto dos Gaúchos e uma vez iniciada a colonização da região do Rio Arinos, em volta da CONOMALI surgiram outras colonizações, que também produziram como fruto o nascimento de outros municípios. A segunda caravana seguiu o mesmo percurso da primeira, no final, subiu o Rio Arinos embarcada. Desta feita, pela Lancha Santa Rosa, construída pelo mesmo Wilke. Um fato marcou esta viagem – o filho de Francisco, o jovem Leopoldo Wilke, recebeu uma flechada no corpo, quase fatal, se não fosse a pronta intervenção do eficiente médico Carlos Soares. A empresa colonizadora lavrou uma Ata solene de tomada de posse da terra: “Aos três dias do mês de maio de hum mil novecentos e cincoenta e cinco, foi fundado pelos diretores Guilheme Meyer e Alfredo Leandro Carison – ambos rio-grandenses – à margem direita do Rio Arinos, a aproximadamente seis quilômetros de seu afluente Ribeirão Mestre Falcão, o primeiro núcleo de fixação da Colonizadora Noroeste Mato-grossense, na Gleba Arinos, município de Diamantino, Mato Grosso” . Durante o ato solene, registrou-se a presença dos componentes da primeira caravana de penetração neste solo. Além de Guilherme Meyer e Alfredo Leandro Carison – diretores – estavam ainda o jornalista Walter Irgang, Walter Benno Knecht – enfermeiro; Erni Weber, António Vargas, Oraci Vargas, Reinaldodos Santos e Guilhermino Cardoso – marinheiros; Gustavo Schimidt e Sérgio Jeziorski – motoristas; Ricardo Zimpel, Walter Erbach, Arnaldo Maliez, José dos Santos, Ênio Ricardo Martinelli, Vivaldino Espírito Santo, Adão Corrêa Paz, Emílio Lucas, Hermeto Schneider e Walter Zehie; Fernando Lages Mesquita e Mário Jorge Amaya – engenheiros encarregados do levantamento topográfico da gleba. Capítulo V Família Ferraz José Dias Ferraz, a oitava Família em Porto do Gaúchos No dia o8/02/1957, desembarca da Chalana Santa Rosa no porto do Povoado Porto dos Gaúchos a única família de Minas Gerais. José Dias Ferraz com 48 anos e Geny Prado Ferraz com 39 anos, e seus 8 filhos, Nelson Antonio Ferraz, 16 anos, Rômulo José Ferraz, 15 anos, Paulo Roberto Ferraz 14 anos, Odilon Francisco Ferraz, 12 anos, Luiz Carlos Ferraz, 10 anos, José Augusto Ferraz, 06 anos, Maria Salete Ferraz 04 anos e Paula Francinette Ferraz 02 aninhos. José Dias Ferraz e sua Família em 1957 Foto da primeira abertura onde será o primeiro barraco para abrigar a família pioneira Quando chegamos em Porto dos Gaúchos, os poucos moradores de lá fizeram uma recepção para nós. Um barco cheio de homens vestidos a moda de faroeste, com cinturão na cintura cheio de bala de revolver veio de encontro do nosso barco, e cada um com revolver na mão apontando para o céu e dando tiro como se fosse foguete. Quando descemos da chalana, dava a impressão que estávamos no Oeste americano, cada um cinturão mais bonito que do outro. No mesmo dia depois de almoçarmos fomos encaminhados para uns barracões a dois quilômetros da vila. Para o nosso transporte foi usado um tratorzinho de peneu puxando uma carreta, não existia outra condução ainda, e levou mais de duas horas para fazer esse percurso, pois ainda estava chovendo muito e estradinha improvisada estava uma lagoa só, e com muito buraco. Chegando nesses barracos, o que encontramos foi quatro barracões coberto com taboa em forma de telha e sem parede e a mata encostava nos barracões. Vi a minha mãe apavorada com tudo isso que estava acontecendo, meu pai improvisou parede com cobertores, e nós os homenzinhos amarramos redes nos postes do barracão. Mas, um susto acordou todo mundo, quando era ali pro meio da noite, meu pai tinha trazido de Cuiabá 10 galinhas e um galo, e como tinha um galinheiro já pronto meu pai soltou nele as galinha, e quando todos já tinha conseguido dormir, derrepênte as galinhas todas gritando, meu pai pegou a espingarda e deu um tiro no rumo do mato. Ficamos todos apavorados pensando que era onça, e realmente era onça, e achou as galinhas mais fácil. Onça pintada No outro dia, alguns vizinhos vieram dar boas vinda para a família mineira, e teve um que já tinha feita uma derruba de uns 10 alqueires para o plantio de café, o Sr Malles, ofereceu para o meu pai para plantar feijão e arroz no mesmo terreno. Meu pai aceitou e no outro dia, como era perto fomos para lá plantar as sementes que o mesmo vizinho doou. Para plantar essa roça foi preciso duas semanas pois era feito covas com enxada. Foi então que fizemos a primeira visita em nossa propriedade, e para chegar até lá usamos um caminho margeando o córrego até lá, os vizinhos nos ensinaram. Aquilo para nós rapazes, era como se fosse um paraíso, a cada momento um bicho corria, uma jaó voava, jacu berrava, era como se estivesse na áfrica do Tarzan. Na primeira visita nas nossas terras, já fizemos um clarão com as arvores que derrubamos, Quanto a terra para o plantio, já não era problema, pois o arroz e o feijão já estava crescendo. – Zé Ferraz e Paulo Arrozal quase no ponto de colheita O problema agora era carne, pois a carne que tinha era só carne seca e ruim, então teria que caçar alguma coisa e o meu pai pediu para eu o e meu irmão mais velho ir atrás de caça, e fomos cada um por um lado, e ninguém matou nada. Quando já no barracão que já estava todo cercado de pau a pique eis que assenta nas arvores que deixaram para sombra, um bando de papagaio dos grandes. Eu pegue a espingarda e apontei e dei o tiro e acertei e o papagaio caiu morto, dei mais outro tiro e matei também e aí começa minha vida de caçador. O Nelson por não ter matado nada ficou chateado e no outro dia pegou a espingarda e foi no mato, não demorou e veio com um jacu que matou, agora ele estava contente. As caçadas e pescaria nos fascinavam, mas, conseguir o primeiro bicho morto e o primeiro peixe grande, foi difícil, faltava a prática e os bichos fugiam, ou então, aquela estória: era grande demais por isso é que escapou. Por exemplo eu, a primeira anta que apareceu para mim, em vez de acertar o tiro na anta acertei num Sr. Eduardo Chuarts, uma das 7 primeira família a ser dono de um pedacinho de terra em Porto dos Gaúchos. Capítulo VI Caça e pesca Foi meio complicado, eu estava andando por uma estrada com uma espingarda calibre 32, atrás de caça, e numa meia curva escutei barulho de um bicho que vinha rebentando tudo e vinha na minha direção, mas o Sr Eduardo Chuarts e seu filhos estavam caçando a anta, que era o bicho que vinha fazendo o barulho Quando vi que era um bicho grande, quis tirar o cartucho de chumbo fino e por bala, mas não conseguia porque o cartucho estava apertado e eu andava com um alicate para trocar o cartucho. Mas ali, diante do fato, eu me afobei em tudo, a drenalina se apoderou de mim e parecia que estava diante de um fantasma, e quando a anta virou para mim e levantou a tromba, fechei a espingarda e com o dedo no gatilho disparei o tiro sem fazer mira e foi que a anta correu. O velho mais o menino chegou até mim e disse: acertou na anta? Eu, acho que acertei nela. Ele: não acertou não, acertou em mim, mostrando alguns pontos sangrando no peito e braço, e o filho também se manifestou dizendo que acertou nele também. Na hora não sabia se corria ou enfrentava, fiquei mudo, não fui capaz de falar, então ele bateu suavemente no meu ombro e disse: tudo bem, está se vendo que é a primeira vez que vê um bicho desse, você deve ser da família mineira que está acampado nos barracões, certo? Eu disse que sim e que era a primeira vez que saia mais longe e que realmente nunca tinha visto um bicho do mato desse tamanho. Com isso eu ganhei uma amizade com todos da família dele, pois me levou até sua casa e me apresentou para todos da casa. E nesse mesmo lugar que era um carreiro das antas passarem, meu irmão Nelson matou a primeira anta com um tiro de espingarda já no anoitecer, depois foi chamar a gente para tirar o couro e carnea-la, e por coincidência o Sr Eduardo Chuarts e sua esposa e uma filha dele estava fazendo uma visita para minha mãe, e como todos estavam sem carne eles foram juntos para levar a metade da anta que era bem grande. E lá fomos nós equipado com facas e facões, lanternas e lampião a querosene e quando chegamos ficamos admirado com o tamanho, e como já fazia uma três horas que foi morta os carrapatos estrelas que as antas carrega no couro, saíram da anta e já estavam espalhado pelo chão, e eis que um ferrou a filha do Sr Eduardo chuarts por nome de Emília e bem nas averilhas e ali mesmo levantou a saia para pegar o carrapato que dói demais. Foi só riso e comentários depois, e ela não estava nem aí !!! A primeira anta que consegui acertar morreu no mato, pois, faltou experiência, e também eu estava acompanhando as crianças até a escola, Luiz Carlos, José Augusto e Salete, quando a anta atravessa a estrada, atirei nela mas o tiro não atingiu lugar mortal, teria que correr atrás e isso não fiz, pois não poderia deixar as crianças. Foi morrer no mato sem poder aproveitar a carne. A caça e a pesca foi a fonte protética para nossa sobrevivência neste lugar, tudo que a gente consumia em alimentação, era da nossa roça, caça e pesca. Infelizmente não temos nada registrado em fotos por ser muito difícil para tiragem e revelação de filmes, e nem tínhamos maquina fotográfica, e é por essa razão que não temos absolutamente nada, mas temos algumas fotos que foram doadas pelos moradores de lá que conseguiram registrar em fotos. A pescaria tornou-se um esporte para nós, e sábado e domingo era só para isso que nos iportava. Um rio por nome de Mestre Falcão, nas suas margens, tanto de um lado como o outro era de um barro mineral que os bichos vinham de longe para lamber o barro, e tinha nome de barreiro. E eu e meu irmão Nelson, nós vivia apostando quem matava mais antas. Nós estamos sempre empatados, se eu matava uma e passava na frente dele, ele procurava matar duas para passar na minha frente, e eu fazia a mesma coisa, e com isto até dois anos que fazia que estávamos em Porto dos Gaúchos, e quando eu fui ser seringueiro a contagem era de 75 antas cada um, e aí paramos de contar, mais foi muita anta, porco do mato, veado paca cutia e passarinhos como, mutum, jacutinga, jacu, jacamim, macuco, jaó, pombas e as vezes os papagaios pois dos grandes era do tamanho de uma galinha e bem gostoso. Dia de sábado e domingo os poucos moradores da região se encontravam ali, pois no barreiro quando amanhecia era uma algazarra de passarinhos, araras, papagaios, bomba do mato, chegavam aos milhares, e tudo isso era uma verdadeira beleza e a gente vivia naturalmente nesse meio como se fosse parte da gente. Mas não era só o barreiro que nos divertia, o rio Falcão também. O rio era gostoso não era fundo e todo cascalhado, não tinha arraia nem piranha, nem sucuris, só tinha jacaré, mas inofensivo. A água era tão transparente que se enxergava os peixes nadando Por cinco anos esse rio foi a nossa diversão, existia uma família que morava bem na beira do Rio, poderia pescar sem sair de casa, era constamtemente cheio de gente principalmente sábado e domingo. Capítulo VII Conseguindo vencer E em cinco anos, fizemos quinze alqueires de lavoura de café, seringa, pomar, canavial, mandiocal e no meio do café e seringa, plantávamos arroz, feijão, batata doce e batatinha, amendoim e sempre conservamos uma horta. Foi sofrido, quando começamos com a derrubada, os mais novos iam roçando e nós mais velho junto com nosso pai íamos derrubando as arvores aparando tudo não deixando nem toco por ser para plantio de café e seringa. Nossa mão saia calo, bolha por todos os lados e até que calejou demorou e as abelhas tanto européia como as abelhinha vinha aos montes e tínhamos que amarrar um pano na cabeça, e conforme o suor ia caindo elas vinham para lamber o sal de nosso suor, e de vez em quando entrava uma no olho. Alem de derrubadas ainda fizemos casa de tábuas de madeira serrada no estaleiro com uma serra de três metros. Um de nós ficava em baixo e outro em cima com aquele vai e vem serrando as tábuas. Capítulo VIII Terremoto: Tremor de terra Foi numa dessa que eu e o Odilon que era o meu companheiro de serra, estávamos serrando derrepênte tudo começou a tremer, a chacoalhar as arvores e derrubar galhos secos, que estavam em cima das arvores, e nós corremos com aquela montoeira de galhos caindo em cima da gente, até sair na roça. Fomos para casa e encontramos nossa mãe apavorada, que as louças, pratos começaram a tremer e fazer barulho. Esse fato se deu em 1957 ou 1958, não lembro precisamente o dia e nem tinha a noção do grau de tremor mas, pelo sintoma se fosse numa cidade derrubaria muitos prédios, classificarias se fosse hoje em 06º na escala Reencher e foi mais ou menos uns trinta segundos. Nunca mais eu vi falar de tremor de terra no Mato Grosso, até parece que aquele foi o único. Capítulo IV Dona Geny Enquanto para nós rapazes era tudo diversão, para nossa mãe era um inferno um martírio que ela não merecia. Nesta foto que tem ela se vê que as coisas não andava bem, pois as malárias e outras doenças atacavam principalmente as crianças pequenas, era das malária que se curava com comprimido de aralém, Mas, cada febre de malária uma pessoa perde muito na qualidade do sangue deixando a pessoa anêmica. Mas, ela era uma guerreira também, e vivia no sonho de nosso pai, em ficar rico com café e seringa. Ocupação ela tinha até de sobra, desde cedo tratar os porcos que eram mais de 50, Tratar das galinha que nem sabia a quantidade pois era muito, as galinhas chocavam no mato e só aparecia com os pintinhos. A primeira casa que construímos é mais ou menos igual essa foto só que era um pouco de pau, outro tanto de madeira serrada por nós e coberta com taboinhas, (uma aparência de telha francesa) Primeira casa dos Ferraz Nessa casa minha mãe acompanhava os nossos passos, ficava olhando nós entrarmos na mata até sumir a luz da lanterna, que era perto, só atravessar o córrego. Onde era o Rio Mestre Falcão, que tinha os barreiros, e que era onde nós íamos caçar, se déssemos tiros ela escutava, pois não era longe. E quando a gente saia para caçar, ela ficava rezando, e mais para fora da casa do que dentro, para escutar tiros, e quando escutava já sabia que tínhamos matado alguma coisa. Não somente ela, mais 10 cachorros que tínhamos e também ficavam de orelha em pé esperando os tiros, e quando isso acontecia, todos os cachorros saia em disparada e ia lá onde estávamos. Também tínhamos uma combinação, se desse um tiro e mais tarde outro era sinal que encontramos caça, depois era dois tiros em seguida para avisar e que mandasse gente para ajudar a trazer a carne, e isso era tudo a noite, pois os bichos anda mais a noite, e todo com luz de lanterna e lampião a querosene. As vezes até minha mãe com as crianças iam juntos para fugir da rotina, só que ela ficava esperando na casa do visinho que morava na beira do Rio Falcão. Quando foi para eu ir para o seringal, na verdade quem foi primeiro foi Paulo e Nelson, Pois eu era o caçador e não poderia sair de casa. Mas, o Nelson, na mesma lancha que foi, voltou, queimando de malária, e era para sarar e voltar pois tinha pegado adiantamento no qual tinha deixado para nós. Quando vi o estado dele, aí eu disse que quem iria agora seria eu, pois eu não pegava malária. Minha mãe ficou apavorada, principalmente em saber a distância e o quanto demorava a lancha para ir lá e voltar. Capítulo X Dona Geny nas orações Eu penso que ela deve ter rezado muito, pois depois de dois anos em Porto dos Gaúchos, (sítio), as doenças se multiplicaram, e Paula apenas com quatro aninhos, Pegou uma febre que todos classificaram como febre tifo, a febre foi tanta que derrubou todos os cabelos e teve que aprender a andar e falar de novo, pois voltou a ser neném, nasceu de novo. Tudo começou como se fosse uma febre de malária e todos os remédios que dava a ela não cortava a febre, e assim ficou dois ou três dias, e estava ficando cada vez mais ruim, lembro que na última noite, ninguém conseguiu dormir por ver ela chorando e gemendo e febre a toda hora. Estava decidido que logo que amanhecesse nós iríamos leva-la ao hospital da vila, mas amanheceu chovendo e bem pesado e até a vila teríamos que andar 4 quilômetros. Meu pai, de jeito nenhum queria tirar ela da cama para levar ao hospital com aquela chuvarada. E pediu que eu fosse lá no hospital e falasse para o médico passar um remédio para ela. Fui até o hospital, conversei e contei para o médico e ele passou um remédio e deu para levar para aplicar nela. Acontece, pensei eu, se for atrás do Sr Dilemburg para aplicar a injeção vou chegar a noite lá, então foi que resolvi mentir, entrei no hotel da cidade e pedi emprestado um pedaço de plástico que usam em cima da rede para dormir no mato. A dona do hotel na mesma hora me arrumou e segui correndo para casa que já era 4 horas da tarde. Cheguei em casa já fui falando para meu pai que era para levar ela urgente para o hospital. Meu pai a principio zangou e minha mãe em prantos que dava dó e dizendo, minha filha esta morrendo. Mostrei o plástico para ele e conseguimos convence-lo de leva-la. E tiremos as grades da cama e transformamos numa padiola pois ali era muito difícil de entrar automóvel. E lá fomos nós levando ela coberta com o plástico pois ainda estava chovendo, e mais no escurecer chegamos com ela no hospital, e na mesma hora o médico a examinou e mandou aplicar remédio direto na veia, sem o soro pois a vida dela estava terminando, mais duas horas e era tarde, (palavras do médico), e depois disso teve algumas melhoras, mas, o médico não conseguia saber o que realmente ela tinha, pois era muitos os casos de malária que ele curava. Com três dias, e sem melhora nenhuma, o médico disse para nós, só um milagre para essa menina. E o milagre veio. No outro dia ela já amanheceu melhor e foi cada vez mais melhorando, deixando o médico sem saber o que realmente ela teve, mas, falou na possibilidade de ser febre tifo. Paulinha estava curada, e minha mãe pagou a promessa que fez para Nossa Senhora de ter os quantos filhos que Deus quisesse e foi assim que nasceu a Sandrinha, de uma promessa. Paulinha teve que aprender tudo de novo, desde o falar, andar e comer, ficou carequinha de uma vez, e os cabelos começaram a aparecer depois de uns dias. Tudo já estava muito bem, minha mãe voltou a sorrir com o restabelecimento de Paula quando meu pai cai doente com a mesma doença de Paula, pois era ele que passava dia e noite na cabeceira da cama dela no hospital, até ele dizia que quem curou ela foi a mão dele que ficava direto em cima da barriga dela e realmente ele tinha uma mão quente. Pois bem, agora era ele, mas não precisou ninguém leva-lo, o tempo melhorou e um jipe veio em casa busca-lo, também foi a mesma coisa, só foi para o hospital porque arruinou de uma vez e chegando lá entrou no soro direto na veia por intermédio de seringa. Meu pai ficou na beira da morte também chegando a ponto de aceitar a unginção do padre João, mas, derrepênte ele começa a melhorar e poucos dias depois já está bom. Capítulo XI Outras propriedades Alem dessa propriedade também tínhamos outra a 9 quilômetros da nossa casa e lá muitas vezes fazia mutirão por ser longe, íamos todos para lá segunda feira e voltava sexta feira a tardinha ou sábado cedo. Mas também fazíamos derrubada para meu tio que também tinha uma propriedade neste mesmo lugar. Nessas propriedades ficou só em derrubada, pois em 4 alqueires de plantio de arroz que fizemos, 2 alqueires colhemos 80 sacos de arroz e em outros 2 alqueires só 4 sacos pois os passarinhos comeram tudo, era de assombrar as nuvens de passarinhos que vinha aos milhares e não adiantava espanta-los pois enquanto ficávamos numa ponta eles comiam a outra. Neste lugar a poucos quilômetros, participávamos de um mutirão, eu e meu irmão Odilon, e foi que passei um apuro com uma onça que queria me comer. Fiquei trepado num toco por mais de uma hora gritando até que o Odilon veio me socorrer. . . Capítulo XII Seringal e muitas onças [photo]12077827[/photo][photo]12077826[/photo] A seringa nesta região era nativa, nós conseguimos fazer a locação de trezentas arvores de seringa e até dava um dinheirinho, geralmente era eu e o Odilon que ficava lá. Todo dia era um que ia, e quem ficava ia roçar capoeira ou carpir roça. E numa dessa o Odilon saiu do barraco só para ir olhar se a seringueira tinha enchido o caneco, e quando ele vem voltando uma onça bem no rastro dele e ele sem arma, emprestou a canela do veado e sumiu pra dentro da mata, e correndo ele deu uma volta de mais ou menos 6 quilômetros. Nesse lugar tinha muita onça, outro dia sai cedo para colher seringa e o Odilon ficou roçando capoeira, quando cheguei na hora do almoço encontrei ele dentro do barraco com uma foice na mão, e foi dizendo que tinha um bicho que estava gritando bem pertinho daqui. Perguntei como que gritava, ele mais ou menos descreveu e falei que era mutum, que estava gritando. Almocei, e voltei de novo para terminar o corte e colheita, e quando volto lá esta o Odilon dentro do barrado, com medo. E nisso quando eu ainda estava conversando sobre os berros, o trem urrou, aí eu falei, isso não é mutum, e remedei coma boca o mesmo jeito que o bicho fez. Na mesma hora tornou a esturrar, mas, nesse dia eu estava com uma espingarda de dois canos marca belga calibre 16 que tinha comprado no seringal. Meti um cartucho bem recheado de chumbo na espingarda e fui lá na beira da capoeira e fiquei esperando. Derrepênte ela sai no limpo, mais ou menos uns quinze metros de onde estava, esperei ela virar a paleta para poder atirar, pois o pessoal dizia que na testa de uma onça não entra chumbo. Quando dei o tiro ela deu um pulo de uns três metros de altura e correu pela capoeira, nós seguimos o sangue até um pouco aí começou a escurecer, deixamos para o outro dia, mas deu azar que choveu e o sangue lavou e não conseguimos achar para tirar o couro, só depois de uns quatro dias é que começou a feder e os urubus estavam comendo ela. Com meu pai também, uma onça pulou nele, ele vinha vindo de bicicleta pela estrada e num lugar que tinha um barranco de lado, a onça estava ali, e quando ele vai passando ela da o bote, só que em vez de pular nele, ela pulou num saco de roupa suja que meu pai ia levando na garupa para lavar. Com o impacto de um bicho de oitenta quilos jogou meu pai longe, mas já caiu com o revolver na mão e atirou de qualquer jeito e a onça correu. Capítulo XIII Destino ou imprudência Meu pai viajou sozinho para Minas pois ele passou a ser corretor da Colonizadora, isso já fazia um ano que estávamos morando em Porto dos Gaúchos. Pois bem, lá ele vendeu terras para terceiros e parentes. E foi então que um tio com toda a família que eram ricos lá em Minas, e derrepênte ficaram pobres, e decidiram que iria morar no Mato Grosso também, plantar café e ficar rico de novo. E nessa loucura, trouxeram a minha avó, mãe de meu pai, com mais de 80 anos, que ficou morando com a gente, mas o mosquito perseguia ela talvez por ter a pele muito fina, ela era loura de olhos azuis, pele muito branca. Meu tio chegando aqui, como eles nunca pegou no pesado, o diretor da Colonizadora deu um emprego para ele de cuidar de uma cantina num outro povoado que estava iniciando, a vinte e cinco quilômetros, e para minha tia ser professora. Agüentaram nessa vida um ano, pelos pais tudo bem, mas, eles tinham um filho único que casou para vir junto, e resolveu ir de volta para Minas. Essa decisão repentina pegou meu pai de surpresa, pois eles estavam contentes. Meu tio falou o porque, o único filho indo embora, aqui já não teria graça e a nora estava grávida de seis meses, e já vieram com toda bagagem para viajar de chalana, pois ainda a estrada era o rio Arinos. Capítulo XIV Malária, ou febre tifo Embarcaram numa viagem que seria para meu tio e minha avó o fim de seus sonhos. Ninguém sabia de nada e num determinado lugar na beira do rio Arinos uma guarnição de soldados do Exercito de Brasília estavam esperando essa chalana para levar quatro corpos de uns magnatas americanos que estavam em um avião que caiu nesse lugar e matou todos. Vieram desenterrar o que já fazia uns quinze dias que foram enterrados. Estavam todos fedendo carniça pois não conseguiram trazer os corpos do mato sem furar o plástico. Conclusão da viagem: mais dois dias viajando junto com aqueles defuntos, e foram pra Minas direto. Quando chegaram, todos estavam doentes, e os médicos de lá, trataram como se fosse malária, ainda demorou para chegar o remédio que foi pedido, pois lá não existia remédios de malária. E o que aconteceu; Minha avó morreu num dia, e enquanto estavam acabando de enterra-la, meu tio também veio a falecer. Minha tia e meu primo e a nora, todos ficaram ruim mas por ser mais novos resistiram a febre, mas a nora perdeu a criança que nasceu morta. Mas,o que matou realmente eles foi febre tifo pegado no transporte dos defuntos. Dos soldados do exercito de Brasília, só escapou dois o resto morreu todos com a febre. Capítulo XV Rotina diária e vida social Apesar dos casos e acasos que não foram nada legal, tinha o lado bom que seria a chegada de novos moradores a cada semana e sempre faziam uma festinha no povoado para os moradores. Aos poucos foram chegando os sapateiros, ferreiros, carpinteiros, pedreiros etc. e junto veio a construções de escolas, igrejas hotéis e diversões para os jovens que ali moravam. [photo]12152927[/photo] Escola em que Luiz Carlos e José Augusto e mais tarde Mara Salete também estudaram. Ainda quando estávamos acampado nos barracões, pois lá permanecemos por mais de ano, seria justamente onde vai indo esse menino. Essa reta para traz tinha 2 quilômetros depois virava para a esquerda e seguia mais 2 quilômetros onde estava os barracões. Não era preciso acompanha-los pois era bastante meninadas que vinha para a escola, só quando mudamos de vez para o sítio é que tinha que acompanhar, pois tinha muitas onças, nesta região. Uma vês que o pessoal fizeram um feixe numa porcada em que foi morto 48 porcos, Luiz Carlos, José Augusto e Salete, vinha da escola e quando entraram na estradinha já no nosso sítio, lá estava ela sentada na estrada, mas estava de costa e não percebeu eles que fizeram meia volta e foram para outro sítio, com medo e um senhor já vinha trazendo-os quando nós preocupado, já imaginando onça, pois é muitas onças que acompanha uma porcada. Eu é que fui de atrás e eles estavam com um rapaz de uma família grande de sobrenome Raiser. [photo]13410064[/photo] Escola – inauguração da Igreja Católica e um churrasco gaúcho Meu pai era muito amigo do Padre João e toda vez que vinha na vila tinha que fazer uma visita para ele. Também o meu pai era político e chegou a ser Juiz de Paz quando ainda era município de Diamantino, e com esse cargo teve que ir diversas vezes lá por causa do cargo. E foi numa viagem dessa, que já fazia dias e meu pai não dava notícia porque demorava tanto, na verdade, nem tinha jeito de avisar pois esse tempo era só por carta. E minha mãe resolveu ir até a vila saber notícia dele, lembro que minha mãe pediu para mim ir com ela, e ela tinha um óculo de sol parecia dois olhos de gato, e ela disse vou usar esses óculos e foi toda bacana na vila. Chegamos lá fomos no escritório da CONOMALE e disseram que era porque lá só tem que depender da lancha e se perde uma tem que esperar mais quinze dias, e foi o que aconteceu com ele. Capítulo XVI Uma notícia nada agradável Pois bem, deixamos o escritório e eu falei para minha mãe ir andando que eu alcançaria, que iria chegar até no armazém para saber se tinha alguma correspondência de Minas ou até do nosso pai. Tinha um telegrama fechado de minas, da minha tia Silvana, irmã de mamãe. Quando peguei no telegrama, pensei, vou abrir para ver primeiro o que é, e quando li, quase cai de costa, estava escrito assim: Sa Alta mãe de Zé Ferraz e Seu Afonso morreram, causa malária. E agora, que iria dizer para minha mãe que já estava preocupada com papai, Teria que contar, e quando cheguei perto dela, falei para ela, mamãe recebemos um telegrama e não é nada bom a notícia. Mamãe já foi dizendo: é com o seu pai? Aconteceu alguma coisa com ele? Eu disse não, é de Minas. De novo ela: é de mamãe ou papai? Eu disse não, é parente do papai. Ela de cara adivinhou que era a vovó, e eu disse que tinha mais gente que morreu, que era o Tio Afonso e mostrei o telegrama para ela. Ficou horrorizada dizendo: e agora, como vou dar essa notícia para o seu pai? Ele vai ficar arrasado com essa notícia!!! E meu pai chegou, minha mãe contou o que aconteceu, meu pai como qualquer um que perde a mãe chorou sentido e ainda mais o Tio Afonso que foram amigos desde criança. Capítulo XVII A união faz a força Todos os meus manos tem histórias também, e se fosse falar de cada um, teria que fazer um livro para cada. Mas a verdade é que temos que agradecer e muito a nosso pai em trazer nós para esse lugar, pois ali aprendemos a amar os irmãos de verdade, porque onde um ia, praticamente todos iam, meio intercalado, mais ia. O lema era, um por todos e todos por um, e tudo que a gente ganhava, era para uma panela só, era uma união sem limite, como que de fato é até os dias de hoje pois são todos vivos. Foram tantas histórias que precisaria muitos livros para descrever, por exemplo: O veado que pulou no chiqueiro de porcos na quinta feira Santa. . . No ano seguinte a mesma história de veado na mesma quinta feira Santa. . . O caso do arco-íres, no córrego onde tomávamos banho. . . O mistério dentro desse córrego, uma prancha que lutamos, cavamos de todos os lados, e era uma só, e ficamos sem saber o que significado aquela prancha. . . . Os cacos de panelas de barros todo moldurado encontrado com dois metro de terra em cima, num poço que fizemos junta com a nossa casa que ficava a 100 metros do córrego. . . A mina de ouro que passamos por cima sem explora-la. . . O pau de quase um metro de diâmetro que estava enterrado, e derrepênte estava fora do buraco. . . Das viagens de canoas que não foram poucas e que cada uma qualquer coisa acontecia, pois os pousos não tinha endereço certo, era onde anoitecia. . . O espinho que fincou mais de meio centímetro dentro do olho do Odilon e que eu com a ponta das unhas tirei. . . Capítulo XVIII A vida continua Eu era diferente dos meus irmãos, O paulo era mais para o social, o Nelson depois que não deu certo no seringal pegou uma fazenda para cuidar e ficou lá direto. O Odilon, era o Cristo nas lavouras e brigava com uma ferida braba (leixa manhosa), que precisou mais de 200 ampolas de grucantime para cura-la o Luiz Carlos estava na escola e era um menino, só que ele ia para a escola mais o Jose Augusto e Salete e levava uma espingarda junto. . . Mas o mais gostoso para mim era o mato, e eu não deixava faltar carne em casa, e o meu jeito típico de encarar as matas era igual Tarzan, era só de calção que eu andava, e descalço. Naquela época calçado lá era caro e os mais baratos era uma sandália de lona e sola de corda, era só molhar e acabava o calçado e descalço meu pé criou um casco que nem espinhos entrava. E nas caçadas que fazia sempre encontrava com os gaúchos moradores do lugar que já não eram poucos, vestidos de bombachas, botas, camisas com lenço vermelho e chapéu, tudo de gaúcho, e me vendo quase pelado no mato, só de calção, descalço, com um cinturão, faca e espingarda, me batizaram de Tarzan, e como Tarzan eu peguei a unha seca e matei, um jacaré de mais de três metros para defender uma cachorrinha que o jacaré ia comer. Era uma lagoa e a cachorrinha entrou e o jacaré foi para come-la, dei um tiro mais era de chumbo fino e nem entrou, o jacaré começou a pular na água desordenado e a cachorra em vez de sair da lagoa, foi em cima do jacaré, pensando que era a paca que nós estamos caçando. Não pensei duas vezes e pulei na água com um facão na mão dei um golpe no rabo do jacaré, e ele virou para traz e me deu um bote. Joguei o corpo para traz, e a água segurou a camisa santista de brim que eu tinha, e no pulo o jacaré encontrou a camisa, e os dentes dele enroscou na camisa, e eu segurei na mão do jacaré e golpeei na cabeça dele com o facão até ele morrer. Também lutei com uma anta a noite numa lagoa com moitas de capim navalha, e só de calção e com uma lanterna na mão. Eu estava correndo atrás da anta para mata-la com tiro, e como já tinha dado um tiro nela e errei, no que entrou na lagoa eu também entrei sem recarregar a espingarda. Nisso a anta virou para traz e saltou de boca aberta em mim, joguei a espingarda na moita e tirei a faca e com a lanterna sem tirar da cara da anta, no que ela saltava, batia os pés no chão já tornava a pular com a boca aberta em mim, e assim foi um punhado de vez, o Odilon estava perto e não podia atirar porque a anta estava embolada comigo, até que uma hora eu acertei uma facada na garganta dela e foi que ela começou a morrer pois a facada pegou a veia artéria dela, aí dei mais umas facadas, mais não precisava. Teve outras antas que para garantir a carne e não estando com espingarda fui de facão mesmo e matei por duas vezes. . . Capítulo XIX Como ganhar um bom dinheiro Neste tempo a exportação de pele de animais era permitido e as madames de Londres, Paris e atrizes do mundo inteiro pagavam caro pelos casacos de peles de animais selvagem, como de ariranhas, jaguatiricas, e outros que conseguia curtir. E para nós seria um campo bom, pois agora éramos caçadores experientes. E foi que o Paulo e mais outro visinho, resolveram subir o Rio Falcão até onde fosse possível, para explorar e aventurar qualquer atividade, e também atrás de airanhas pois o preço de uma pele era alto. Na volta, resolvemos subir o Rio outra vez mas com a finalidade de explorar seringueiras e se compensava fazer locação das mesmas. Nesta exploração vimos que era possível por ter muitas seringueiras. Matamos um punhado de ariranha e cada uma que matava tinha que acampar para tirar o couro e estaquear para que secasse. E mais ou menos com 70 km rio a cima, pintou uma mata alta e se via algumas seringueira, e justamente neste lugar ficamos acampados um punhado de dias, pois a manada das ariranhas estavam por ali, e cada dia nós matava uma ou duas ou mais. Pois bem, nesse acampamento ficamos com tempo livre de eu e um outro companheiro, visinho de morada na colônia. E chegamos a conclusão que as seringueiras que tinha ali daria um punhado de estradas de seringa o suficiente para as duas família. Mas, ai ficamos em dúvida, de quem seria o proprietário das terras, o dono não iria deixar ninguém roubar sua borracha e fiquemos naquela, o que fazer? Quando voltamos depois de quase um mês de viagem de canoa, fomos ter com o Diretor da Colonizadora, saber de quem era as terras, e ele disse que o lado de cá era da Colonizadora e que dava permissão para explorar a seringa castanha e o que encontrarmos por lá e o outro lado era terras devolutas, do Governo e que era de quem chegasse primeiro e como ele estava com representação do Banco da Borracha, financiou tudo para nós fazermos a locação das arvores e encaneça-las e ainda se prontificou a pagar o mesmo preço que pagava aos seringalistas. [photo]13410079[/photo][photo]11412273[/photo] Capitulo XX Locação de Seringueiras: Não precisou nem do financiamento do Banco da Borracha, pois a venda dos couros das ariranhas que matamos foi o suficiente para comprar suplementos para o serviço e mantimento para dois meses. Tornamos a subir o Rio Mestre Falcão com duas canoas grande, e depois de dois dias remando chegamos no acampamento das ariranhas que mais depois passou a ser meu e dos meus irmãos. Por ser devoluto as terras do outro lado do Rio Mestre Falcão, passemos a ser proprietário possessório das terras uma vez que eram do Governo. A extensão da propriedade era uma frente no Rio equivalente a 10 km mais ou menos. Na colação das seringueiras, começamos com a minha estrada, (minha e dos meus irmãos). Fizemos a locação das seringueiras até interar 2000 arvores. Então fomos fazer a locação de 1000 arvores para o Bruno acima do nosso seringal, e 1000 árvores para o Joãozinho, irmão do Bruno abaixo do nosso seringal. Capitulo XXI Tempo da exploração da borracha: O tempo certo de explorar a borracha é de iniciar no mês de Maio e parar um 15 dias entre agosto e setembro por causa da brota, e terminar em Dezembro. De fim de dezembro a Maio é muita chuva e impede de explorar a borracha. Neste ano de 1960 fizemos uma safra de 4 toneladas, foi bastante dinheiro ganho tendo em vista que vendemos a borracha três vezes mais caro do que os seringalistas. Não foi muita moleza tirar a borracha lá do mato, cada fim de mês levávamos uma carga de 400 a 500 kg para entregar (vender) para o Banco da Borracha, e o transporte era feito de canoa a remo por não ter condições de usar motor no rio. Tinha que descer 70 km de Rio Mestre Falcão até o Rio Arinos e depois subir mais 6 km Rio Arinos até Porto dos Gaúchos, esse transporte levava quatro dias. Depois da venda feita o saldo já ficava no Banco. Fazíamos novas compras de mercadoria, tanto para levar para o acampamento como para nossos pais e irmãos mais novos. Levar nossos pais para Cuiabá Antes mesmo de encontrarmos esse seringal nativo, já estávamos decidido a arrumar dinheiro para tirar nossos pais e as crianças daquele lugar, e fomos felizes na colheita de borracha no pouco tempo de colheita que foi de junho a dezembro. Mas nesse mesmo mês de dezembro no dia 5 de dezembro de 1960 nós tínhamos vindo em casa para caçar uma anta para levar lingüiça que só a Dona Jeny sabia fazer, posamos no rio atrás da caça, matamos uma anta e no outro dia cedo chegamos com a carne em casa, e minha mãe não pode fazer a lingüiça poraquê acabara de dar a luz a Sandra, nossa irmãzinha caçula. Foi só festa e não teve lingüiça, só carne seca. Capítulo XXII Fim da safra da borracha Ainda tiramos borracha até antes do natal, quando então desencanecamos a estrada, ou seja, recolhemos os canecos que estavam nas arvores de seringa pois costuma dar enchente no mês de janeiro, fevereiro e março e com isso periga levar os canecos por não afundar devido a borracha. Precisou mais duas viagem para levar toda a borracha, uma vez que a canoa carregava apenas 500 quilos. O fim da safra foi de bom resultado, sobrou um bom dinheiro depois de pagar as dívidas com cantina e hospital ainda de quando a Paula e nosso pai ficaram internados. Fizemos a conta e meu próprio pai achou que o dinheiro era pouco para arriscar a sair dali. Então como tinha um terreno visinho e ficamos sabendo que o proprietário queria derrubar 8 alqueires para plantio de café, nós nos apresentamos ao senhor proprietário e fizemos a derrubada para ele só com a nossa alimentação, quer dizer que ficou tudo livre, foi um mês inteiro, a carne já não tinha por o rio estar em enchente, as caças somem, mas, tínhamos uma cachorrinha que era boa para caçar, e era o Luiz Carlos o encarregado da caça. Todo dia cedo nós saiamos para o serviço com foice e machado, e ele também com um machado e um facão e espingarda e ia para o mato mais a cachorra, e ela achava a cutia entocada em pau oco, ele ia até lá, pois ela ficava latindo, tapava o buraco de saída, e furava o pau e aí matava a cutia. E foi assim a cada dia, uma por dia até terminar a derrubada. Agora sim, o dinheiro da borracha mais o da derrubada daria para meu pai comprar pare ele uma chácara em Cuiabá ou Várzea Grande. E lá foi o Zé Ferraz na programação da saída de uma terra que ficou só nos seus sonhos. Capítulo XXIII Preparação para viagem. Tudo certo, meu pai foi na frente e comprou a chácara que ele queria, muito boa, e mandou recado que já poderia ir, que ele iria esperar lá. Mas, o transporte ainda era pelo rio Arinos e quando tudo corre bem, para subir o rio é uma semana, então quem viaja tem que levar matula. Mas, meu pai para aumentar mais o dinheiro, vendeu toda criação de porcos, galinhas, patos e até um engenho de moer cana que eu e o Nelson fizemos, só de madeira de lei. Com isso teríamos que achar uma caça de qualquer jeito, e os rios já estavam abaixando da enchente e já tinha lugar que as antas e porcos vinha para comer o barro. E eu e Odilon, fomos para um barreiro que tinha no rio Arinos, teria que pousar lá, e foi o que fizemos. Saímos de casa depois do almoço, pegamos a nossa canoa que ficava no porto do nosso visinho e déssemos o rio Mestre Falcão até sua barra e depois mais três quilômetros até onde era o barreiro. Chegando lá encontramos lugares bem batido por anta, tanto eu como o Odilon já estava com a rede armada a uns 10 metros de altura para esperar as antas. E foi que nisso, foi chegando uma porcada e desci rápido da rede fui lá onde estavam e matei um porco. E agora, um porco é pouco, e teríamos que tirar o couro e as tripas e deixar pendurado até amanhã chegar. Pegamos o porco e fomos para a beira do rio onde estava a canoa e fizemos o serviço. Resolvemos então que iríamos esperar até dar mais ou menos 22 horas, para dar uma volta no barreiro com a lanterna acesa procurando ver os olhos dos bichos que a noite é uma tocha vermelha. Como tinha bastante de anta decidimos ver primeiro se a anta era gorda, pois nossa mãe pediu uma anta gorda para por as postas de carne. Fomos focando os pitocos das antas até que apareceu um bem roliço, e sapequei fogo, A anta era tão gorda, que dei a metade para o Sr Carlos onde guardamos a canoa e a metade que levamos deu mais de vinte litros de gordura, (óleo). Capítulo XXIV Viajando para Várzea Grande Embarcado em uma chalana de dois andares, essa viagem foi bem mais confortável por poder armar rede e ir mais a vontade e com cinco dias subindo o rio Arinos até o Porto do Rio Claro e mais um dia de caminhão até chegar em Várzea Grande. Chegando e vendo a chácara que nosso pai comprou, vi que ele fez um bom negocio, até umas vaquinhas tinha. Quando entramos, deu uma impressão que ali era uma escola, pois tinha um quadro negro pendurado na parede, e realmente era disse o Zé Ferraz, o antigo dono deu a sala para ser uma escola, e meu pai mediu um quadra de 50×40 e doou para a prefeitura fazer um prédio para escola, e a escolinha na sala continuou até aprontar o prédio da escola Capítulo XXV A Rotina Bom agora nós os rapazes tinha dois período diferente para viver a vida, uma temporada com belas namoradas e conforto da cidade, e outro período de mato onde a vida de seringueiro continuava. Antes de ir para o nosso acampamento que ficava rio Falcão acima, fomos fazer uma visita na lavoura de café e seringa e vimos que não estava nada fácil a limpeza. Uma lavoura nesta região depois que passa de um ano, é difícil de manter limpa, é muita praga, muita erva daninha, e as forças de nosso pai mais as crianças era pouco, e nós envolvido com o seringal, não tinha tempo e com isso ficou impossibilitado de limpar, sendo tempo de chuva, é arrancar de um lugar e plantar em outro, não morre a praga, e no tempo seco não sobra tempo. Assim mesmo ficou decidido, que depois que parasse as chuvas, iríamos contratar gente para a limpeza do cafezal e seringal, e também do pomar que era uma verdadeira beleza. Só que esse dia não chegou, pois começou a safra de borracha o tempo já estava sem chuva, mas não encontrávamos ninguém para fazer o serviço. Então nós resolvemos que em setembro iríamos parar com o corte da borracha por 15 dias para a flora da seringa, e esse tempo iríamos limpar a roça. Mas, uma outra história triste aconteceu, e foi de dar um nó no coração, pois, sempre que trazíamos borracha, parávamos na casa do Sr Carlos, onde ficava a canoa, primeiro íamos até a nossa casa que era perto dali. E era setembro e iríamos fazer a limpeza na propriedade, mas, quando lá chegamos o que vimos foi só cinza preta pois não fazia nem uma semana que tinha queimado tudo, cafezal, seringal, pomar, casa, tudo, ficou tudo limpo. Foi um fogo que veio do mato, e quem não estava na propriedade para cercar com aceiro, o fogo entrou na propriedade e destruiu tudo. Capítulo XXVI Conclusão de um sonho Tanto eu como o mano, ficamos chocado com a sena, tudo destruído, o sonho de nosso pai, como dizer para ele agora, ele ainda pediu para nós cuidar das plantações dele. Pensamos em escrever uma carta, pois ainda teríamos que ficar na seringa até dezembro. Mas, pensamos do susto que ele iria sentir e lá nós iríamos mentir para ele que a seca estava acabando com tudo maior parte do cafezal estava seco. Realmente os cafezais nessa região tem vida curta, e já estava morrendo bastante pés. Então ficamos no hotel uma semana e depois voltamos para o seringal, porque não tinha nada mais para fazer lá na propriedade. Terminamos a safra sem novidade, e por perto do natal estávamos chegando em casa. Primeiramente demos a notícia da propriedade queimada para nossa mãe, que ficou arrasada, e ela achou que deveria contar a verdade para nosso pai. Chamamos o papai e a mamãe começou, e nós contamos tudo, já tinha visto meu pai chorar quando a Paula estava em coma no hospital, mas com a notícia, ele embranqueceu e foi na sala e sentou numa cadeira que estava na parta da rua e lágrimas caia dos olhos dele, todo sentimento despencou no coração dele e também me emocionei e disse para ele, vamos arrumar uma terra por aqui mesmo que de para plantar café, e vamos começar tudo de novo, nós temos condições porque o seringal da dinheiro. Ele concordou mas tenho certeza que não acreditou, tanto é que ele vendeu em seguida as terras por qualquer preço, dizendo que era para curar a Maria Salete da garganta. Ele não precisava fazer isso, o próprio Diretor da CONOMALI disse que se estivesse precisando de dinheiro, nós já tinha autorizado, mas ele não aceitou porque queria livrar-se das terras em Porto dos Gaúchos. [photo]13410095[/photo] Este é o final de um sonho que virou pesadelo, engolindo pessoas queridas, como meu tio Afonso e minha querida Vovó Alta. Capítulo XXVI Novos Rumos Meu pai ficou contente com a compra da chácara, além de uma pastinho com algumas cabeça de vacas ainda tinha um pomar com diversa qualidades de frutas e naturalmente ele tinha um espaço para curtir. A vida para a família continuou, e em Várzea Grande, nossa mãe passou ser outra, principalmente porque voltou a comer carne de gado, sendo que em Porto dos Gaúchos só podia comer carne de anta. Talvez foi a mudança de região que a curou. As crianças agora estavam indo para a escola e sem preocupar a Dona Geny, só que para trás ainda estava Paulo e Nelson trabalhando em enxertia de seringueira, e eu mais o Odilon éramos os seringueiros, e nosso tempo de espera para a volta ao seringal só podia ser curtindo as festinhas e bailes de carnaval e namoradas, claro. Mas, quem ainda garantia o sustento em casa era o seringal, e antes de descer para Porto dos Gaúchos fizemos uma compra grande para deixar em casa e voltamos para nosso serviço. Chegando em Porto dos Gaúcho fomos visitar Paulo e Nelson. Depois de conversarmos ficou decidido que o Nelson iria pro seringal também, porque queria arrumar dinheiro para montar uma oficina de consertar rádios e também casar. [photo]13410101[/photo] Nelson Tudo bem, a safra não poderia ser melhor, sendo que tinha três seringueiro para a colheita de borracha. Na flora da seringa costuma-se passar 15 dias sem mexer com a seiva das arvores, e por isso fomos curtir esses dias em Porto dos Gaúchos, e o Nelson seguiu com o dinheiro que ele queria para Várzea Grande. Eu mais o Odilon voltamos depois do tempo estipulado, e sem novidade foi até o fim da safra de 1962. Um detalhe que ficou sem falar, quando o nosso pai foi para comprar a chácara, ele comprou de um suíço um rádio de pilha portátil, foi o primeiro rádio portátil dessa categoria a aparecer em Cuiabá que era também resumido e cinco avenidas calçadas co paralelepípedo e o restos de ruazinhas sem alinhamentos, muito pobre. Com esse rádio assistimos a copa de 1962, digo assistimos porque da maneira que o locutor narrava o futebol nos rádios, faz a gente em pensamento como se estivesse no campo assistido. E também serviu de escola, principalmente para mim, que sai expulso do grupo escolar e claro as músicas. De volta em Cuiabá, encontrei o Nelson com a oficina montada e casado com Maria. E eu e Odilon, naquela, curtir o tempo parado, mas levei de Porto dos Gaúchos taboas de itaúba para a construção de uma canoa grande, e também para ocupar o tempo. Depois da canoa pronta apareceu um interessado que queria a canoa por troca de um caminhão Ford 1951, só que queria uma volta em dinheiro, e acabei fazendo o negócio para deixar o caminhão com o Luiz Carlos para fazer frete. Capítulo XXVII Jose Dias Ferraz (Política) Meu pai não perdeu a oportunidade de estar no meio da política dele, hora do lado comunista e do outro lado como espião e assim ia levando a vida esperançoso de uma reviravolta como de fato aconteceu. Com o Presidente da República por direito sendo João Gulart elegido pelo voto dos Brasileiros e tachado de comunista pela oposição que transformou do dia para a noite o Brasil em parlamentarismo, e com isso os correligionários de meu pai trabalha para a luta de um plebiscito que veio acontecer 1963. E com isso ele ganhou boa amizades como a Sarita Baracat, Nelson Ramos, Dr Bais, Dr Antero de Barros, Garcia Neto e outros, e com isso ele as vezes era convidado para viajar em comitivas políticas mesmo não sendo a verdadeira política dele. Mas o lema deles ara assim: morar junto com o inimigo para saber o que estão fazendo. Os Ferraz agora estabilizados, nosso pai loteou a parte de pastagem e transformou a área e 54 lotes, e de vez em quando vendia um para seus sustentos, assim nós ficamos mais folgados. Em a963 volta eu e Odilon para fazer mais uma safra de borracha, e nós estávamos decidido que este seria o último ano, e fomos no vai e vem no subi e desce no Rio Falcão, trazendo borracha e levando mercadoria, mas o rádio que não era pequeno estava sempre junto e ligado escutando musicas. Terminado a safra voltamos, para Várzea Grande, fiquei uns dias lá e fui para Dom Aquino por uma oficina de rádio lá pois tinha estudado no mesmo curso do Nelson. Escolhi Don Aquino porque meu pai já estava em contacto com uns posseiros que precisava dele e foi uma luta de mais de ano mas conseguiu junto com outros políticos a legalização ao qual o Governador em palanque entregando os títulos e nosso pai junto. Com a oficina serviço não faltava, mais era aquela de fazer só pra viver, as vezes não tinha serviço e eu ia ajudar o Luiz Carlos e Odilon que já estavam fazendo roça na Colônia do Barroso do meio, e por causa das caboclinhas de lá, umas baianinhas mais bonitas do que as de Don Aquino, e que também pegava na enxada. Agora a família Ferraz estava divida de novo, mas entre Don Aquino e Várzea Grande. Entramos no ano de 1964 e a política do PTB estava serrada, os grupos de onze tinha por todo lado, até eu fazia parte de um desses grupos em Don Aquino. Capítulo XXVIII 31 de Março de 1964 Revolução Estavam eu Rominho, e meu irmão Luiz Carlos, carpinando uma roça de feijão que meu pai tinha no município de Dom Aquino estado de Mato Grosso. Pois bem, estavamos trabalhando ao som musical da Rádio Mariqueyveiga do Rio de Janeiro, quando derrepente começou a tocar músicas patrióticas, como, Hino Nacional, Canção do Soldado, Canção dos Marinheiros, etc, enfim, fora da rotina, foi então que ouvimos o pronunciamento do atual Presidente do Brasil, João Gulart dizendo que estava decretado a Revolução e convidando o povo para que não deixasse o País virar ditadura. [photo]11999563[/photo] Ultimo Comício de João Gulart 31 de março de 1964, dia que nunca me saiu da memória, senti assim, como se fosse uma força estranha subindo pela minha espinha, e eu arripiava todo quando ouvindo aquelas canções patrióticas e ao apelo que o Governo Jango fazia na Rádio Mariquyveiga. Para mim, eu já estava na guerra, só que estava perdido sem saber por onde começar. E assim fiquei nessa agonia até que meu pai chegou acompanhado por outros correligionários, e falou: a guerra começou. . . Foi tristeza para todos nós no acampamento, quando um estafeta chegou com ordem expressa de que cada um ir para suas casas porque a revolução já tinha acabado. Capítulo XXVIX Mandato de prisão Consequencias: Disolvendo o pelotão, os líderes que estavam com a gente, a maioria pediran esilio na Bolívia, menos meu pai, que junto comigo e meu irmão voltamos para Varzea Grande onde era a nossa casa. Chegando em casa meu pai ja foi direto na sua biblioteca, e foi pegando tudo que poderia comprometer ele e fez uma fogueira, queimou tudo, até trofeu que tinha ganhado. Dai passou uns dois dias, mais ou menos a meia noite, batem na porta. Meu pai, levanta só de cueca e pergunta: Quem é L

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