A Inserção das etnias no contexto urbano

          O procedimento usado nesta pesquisa na primeira parte, se desenvolve com a base conceitual pelo aporte teórico. Vale-se igualmente de estudo de caso bem como método explicativo e exploratório. Convém esclarecer o que são  Unidades de análise.   São tipicamente pessoas, mas podem ser famílias, cidades, indústrias, clubes, nações, sendo cada unidade de análise descrita. Consequentemente promove-se o conhecimento da população investigada (BABBIE, 1999, p. 99). Para Babbie (1999) há técnicas para se estudar o objeto da pesquisa, pela definição das unidades de análise e busca da informação por instrumentos de pesquisa, tais como o questionário e posterior entrevista, que tiveram como base  os posicionamentos teóricos.  Adotou-se método explicativo e estudo de caso, onde cabe  analisar detalhadamente o passado, presente e as intenções sociais de uma unidade social: um indivíduo, grupo, instituição ou comunidade; Método exploratório: conhecer as características de um fenômeno para procurar, posteriormente, explicações das causas e conseqüências de dito fenômeno (RICHARDSON, 1999, p. 326).

2. INTRODUÇÃO

          Na configuração e confirmação do pressuposto deste trabalho, quanto a inserção das etnias na diversidade e multiculturalismo no contexto da cidade de Curitiba, admitiu-se que as políticas públicas culturais tem sido de folclore delimitando espaços regulados no meio urbano, enfatizando manifestações de traços folclóricos, ou seja, a  relação das políticas públicas culturais na inserção das etnias no contexto urbano, traço esse aproveitado pelas gestões municipais como um projeto global, particularmente em Curitiba, pela dotação de equipamentos urbanos em locais públicos. A população curitibana apresenta em sua historicidade um dinamismo plural de interfaces étnico-culturais, razão pela qual os gestores direcionaram esforços no aproveitamento deste traço, para reforçar uma identidade citadina para Curitiba. A base política de inserção étnica data do início do século XIX em que se observa  inicialmente a colonização germânica, com uma surpreendente abertura para os imigrantes de todo mundo, destacando os do continente europeu, constando registros de ucranianos, poloneses, italianos, franceses, austríacos, russos, espanhóis, portugueses, ingleses, suíços, entre outros. A chegada dos japoneses ocorre no século XX, em que se observa a continuidade da inserção étnica no contexto do Estado e de sua capital, Curitiba. No século XXI foi nomeada a Capital Americana da Cultura (2004), e tornam-se sensíveis os fluxos migratórios e remigratórios tanto do Estado para dentro da Capital como aqueles oriundos de outros estados brasileiros orientando-se para ela. As perspectivas sociais, de acesso a equipamentos urbanos, uma vida cultural mais dinâmica, a própria regulação das etnias num contexto social inspiraria desde os idos de 1970 aos gestores, a prática de intervenções urbanas, contemplando e dotando certos espaços públicos, tais como bosques, praças, parques, monumentos, memoriais, portais, de uma paisagem urbana de reconstrução de uma face da cidade historicamente apagada, que ressurge no olhar dos gestores como sendo um ícone identitário que projetaria Curitiba a partir de sua população, local e globalmente através da inserção de equipamentos. Embora as intenções tenham sido claras, observam-se fatores de todo não conhecidos, como o interesse público em manter a qualidade ambiental destes espaços, e agilizar sua utilização pela inserção de uma política de eventos, capaz de mobilizar os grupos étnicos num envolvimento cidadão.

          O fato das gestões urbanas valorizarem determinada etnia pela sua cultura, a exemplo de Nova Iorque com uma Little Italy (Bairro em Nova Iorque), ou China Town, sendo o segundo já uma característica de outras cidades americanas tais como Washington, concentrando neles, lojas de produtos vinculados aos países de origem e principalmente a gastronomia são exemplos internacionais de que a inserção enriquece o contexto urbano. São Paulo igualmente possui o Bairro da Liberdade, e o Bairro do Bixiga, onde se concentram imigrantes e descendentes de japoneses e italianos respectivamente.

           No Brasil e especialmente em Curitiba, há requintes de cultura e urbanidade de grandes centros urbanos, obra da mão firme do gestor, em conduzir o desenvolvimento urbano e a convivência saudável de seu povo.

          Justa é a intervenção por políticas públicas culturais quando sensível a estes aspectos, regulando e intervindo naquilo que parece ser suscetível de melhorias através de estratégias de inclusão, revertendo quadros de segregação e etnofobia, destacando ao cidadão comum, a importância das matizes históricas da cidade e de seus valores no investimento construtivo da imagem da mesma.

          A vida das cidades é determinada principalmente pela atuação de forças que concorrem para o desenvolvimento social e econômico de determinados grupos sociais, considerados em eixos de inclusão e exclusão social. Em Curitiba é importante analisar ações culturais desenvolvidas pelo poder público municipal na contemplação da diversidade étnica, e as questões inerentes a sua identidade histórica ou projetada pelas interferências que as políticas públicas fizeram no período em análise, 1970-2004.

          O pesquisador pode abraçar os ensinamentos de autores que fundamentam a justificativa da pesquisa, a começar por Rezende e Frey (2005), para quem a gestão urbana contempla um incomensurável conjunto de variáveis e de diferentes atores, experimentando transformações fundamentais que exigem o debate controvertido em torno dos possíveis caminhos da gestão pública das cidades na sociedade da informação que crescentemente vem se consolidando.

          Ao conduzir a pesquisa para o aspecto político e cultural, leva-se em consideração que normalmente o conceito de política cultural vem carregado de fundamentos ideológicos, seguido por um programa de intervenções realizadas pelo Estado, instituições civis, entidades privadas ou grupos comunitários com o objetivo de satisfazer as necessidades culturais da população e promover o desenvolvimento de suas representações simbólicas (COELHO, 1997).

           Ainda como ensina Poutignat (1995), que a cultura é a roupagem da situação social, e que esta como produto, reforça categorias de identidade étnica dependentes de chances relativas de sucesso na realização de uma identidade particular e das alternativas identitárias disponíveis na situação considerada.

          A visão mais ingênua do visitante de Curitiba é conceber a cidade como diferenciada pela valorização política de seu sedimento histórico e potencialmente étnico, obra da gestão urbana criativa que imprimiu valores estéticos manifestos, integrando soluções para problemas ambientais e culturais.

          Não obstante, um conflito entre bases culturais locais e globais tenha surgido, reforçando desigualdade e diferença, separando centro de periferia reconhecido está para Curitiba a existência de um viés multicultural, compreendido pelo dizer de Chauí (2001) em que a subversão existe exatamente pelo reconhecimento do óbvio, ou seja, toda palavra e toda ação que reafirme a existência de sociedade e política. Ainda, ao encontro deste referencial teórico, reforça Santos (2000), que o nosso lugar é hoje um lugar multicultural, um lugar que exerce uma constante hermenêutica de suspeição contra supostos universalismos ou totalidades.

          A posição que reconhece a vocação de Curitiba para a pluralidade étnica é reforçada não apenas em Curitiba, mas como mais uma das cidades contempladas pelo esforço dos imigrantes europeus, sua aptidão comercial, seu capital, e especialmente pela formação de novas instituições destinadas a proteger seu trabalho e seus interesses (BALHANA, 2003, v. 1, p. 403).

           Modernamente, este reconhecimento de diversidade étnica em Curitiba, ampliou-se com novos fluxos de imigrantes africanos e asiáticos inclusivamente, especialmente do séc XX em diante, com uma nova perspectiva desenvolvimentista, e deste caldo cultural, o reconhecimento de sua destacada posição nos cenários nacional e internacional em termos culturais.

           As relações entre as unidades de observação e os antagonismos constatados entre seus posicionamentos sugerem vulnerabilidade da efetividade das políticas públicas culturais que contemplam etnias em Curitiba, especialmente no reconhecimento de lacunas e carências a esse respeito.

           Percebe-se que a compreensão da dinâmica das populações de cidades em todo o mundo nos últimos anos tem sido um fator importante na compreensão das mesmas, portanto interessando diretamente às prefeituras dos municípios especialmente onde a diversidade étnica é mais marcante, requerendo políticas públicas culturais no âmbito da gestão urbana.

 

3. FUNDAMENTAÇÃO Teórica

 

3. 1 Aspectos urbanos e históricos da cidade de Curitiba e de sua população

 

 

           A competição pelos recursos disponibilizados pela organização da sociedade, acaba gerando interesse de movimentos diaspóricos e atratividade demográfica em direção aos centros urbanos. As cidades com regiões metropolitanas cujos níveis de organização se encontram mais configurados pela ação da administração estratégica e das políticas públicas expressas no Plano de Desenvolvimento Urbano (PDU), já elaborado em 1972/73, acabam “exercendo forte efeito de atração sobre uma região além de seus limites territoriais”, considerando Curitiba como pólo de desenvolvimento (HARDT, 2004, p. 289).

            Curitiba é a única capital que vem acompanhando o crescimento dos bairros desde a década de 1970. Isto acontece porque, desde então, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tem um acordo com o Instituto de Planejamento e Pesquisa Urbana de Curitiba (IPPUC) que faz coincidir a delimitação dos distritos censitários (divisão que o IBGE adota para aplicação do censo) com a divisão dos bairros da cidade. Desta forma, o IPPUC possui toda a série histórica do crescimento dos bairros nos últimos 30 anos monitorando o crescimento da cidade, dirigindo os programas e ações da Prefeitura para as áreas em expansão. O maior crescimento ocorreu entre os anos de 1970 e 1980, quando a taxa registrada foi de 5,34% ao ano. De acordo com o último censo, considerando o período 1996-2000, a taxa de crescimento anual foi de 1,82%. (Fonte: IBGE. Resultados da Amostra do Censo Demográfico 2000. Disponível em . Acesso em 10/11/2005).

           Observa-se a preocupação com a qualidade de vida urbana pela adoção de políticas públicas urbanas e investimentos que se fizeram na construção de novos espaços públicos, notadamente a partir de 1970, no sentido de manter o discurso histórico de Curitiba e suas tradições, amarradas numa perspectiva de futuro, com políticas culturais, na intenção de estar se trilhando o desenvolvimento sustentável.

          A tabela abaixo permite concluir que pela ordem de chegada no período de 1833- 1862, vieram para o Paraná, os alemães precedidos pelos franceses, suíços e ingleses.   Há pesquisas que apontam numericamente contingentes populacionais, e os japoneses não comparecem inseridos nas nacionalidades mencionadas, com presença majoritária de imigrantes europeus, pelo menos até 1934, embora sejam contemporaneamente considerados entre os cinco grupos mais fortes, ao menos no contexto da capital paranaense. Este fato nos faz concluir que é preciso diferenciar grupos significativos em termos sócio-econômicos, e grupos historicamente reconhecidos como pioneiros na construção histórica do Paraná. Tomando-se como referência os períodos apresentados por Balhana (2003), observa-se que no período compreendido entre 1870-1872, ocorre um expressivo movimento de imigrantes para o Paraná (15773 imigrantes), onde os ucranianos se ausentam. O próximo grande movimento é de 1840-1899, com ausência dos russos (33277 imigrantes). No período de 1900-1909 (30256 imigrantes), excluem-se os registros da vinda de italianos, austríacos, espanhóis e ingleses. E o próximo e último grande registro de deslocamentos imigratórios compreende o período de 1920-1929 (com 12419 imigrantes). Se o critério adotado for o número de imigrantes, então figurariam em ordem de classificação, os poloneses, ucranianos, alemães, italianos, franceses, austríacos, russos, espanhóis, ingleses, suíços e um contingente referente a outras nacionalidades não especificadas na tabela de referência, em que poderiam figurar inclusive os japoneses. Os quatro primeiros figurantes deste quadro confirmam a classificação dada por muitos autores, e até mesmo a importância que se deu aos mesmos, na contemplação contemporânea pelas políticas públicas na inserção das etnias nos espaços públicos, mas reconhece-se a importante contribuição dos alemães que, embora pouco significativa em termos quantitativos, garantia-lhe a dominação cultural (1833-1862), porém quebrada pela abertura nas políticas imigratórias a partir de 1870, quando, somente o número de imigrantes poloneses (1870-1872) que é de 3793, embora ausente até então, já supera o contingente populacional de alemães, franceses e suíços (1318 imigrantes) presentes no Paraná até 1872. TABELA 01 – Imigrantes entrados no Paraná entre 1829 e 1934

Ano

Poloneses

Ucranianos

Alemães

Italianos

Franceses

Austríacos

Russo

Espanhóis

Ingleses

Suíços

Outros

Total

238

238

1833

100

100

1847

87

87

1852

35

35

1855

250

250

60/62

421

39

08

140

608

70/72

3793

2205

5603

1103

241

956

38

858

451

525

15773

80/89

1160

287

773

1106

124

7

28

3485

40/99

9928

17808

306

2350

65

1097

1299

149

18

257

33277

1900-1999

27473

1464

284

13

274

125

623

30256

10/19

3481

24

34

57

3596

20/29

55484

5747

76

32

79

100

4

203

694

12419

30/34

18

136

154

Total

47838

19272

13319

8802

2469

1559

1330

1344

1019

1006

2320

10027888

FONTE: BALHANA (2003, v. 3, p. 451).

          Em pontos da cidade, mais carentes de infra-estrutura urbana observa-se que a precariedade de condições de vida associa-se ao crescimento vertiginoso de determinadas áreas, em detrimento das comunidades que se formaram já no séc. XX, em regiões com menos confrontação étnica, para mediar estes interesses e mobilizar comunidades que respondem a uma perspectiva de miscigenação e ruptura de hegemonia, dominação cultural e social.

           Ao pensamento convergente e assertivo, necessário à continuidade dos planos até aqui executados na construção da imagem de Curitiba, como cidade-modelo, reconhecida tanto nacional quanto internacionalmente, o apagamento daquilo que não se gosta numa cidade decorre da sensação de pertencimento a um espaço maior em que existe valorização e admiração de seus habitantes nos predicados que lhes são atribuídos, étnicos ou não.

          Na tabela abaixo, se observa a ocupação da cidade de Curitiba e a distribuição da população nas colônias, sendo muitos bairros na atualidade conhecidos pelo mesmo nome, tais como o Pilarzinho, Abranches, entre outros.

 

Quadro 01 – Colônias estabelecidas nos arredores de Curitiba

Ano

Colônia

Área (ha)

Lotes

No Imigrantes

Grupos Étnicos

1869

1870

1871

1873

1875

1875

1876

1876

1876

1876

1877

1878

1878

1878

1886

1886

1886

1887

1908

Argélia

Pilarzinho

S. Venâncio

Abranches

Sta. Cândida

Orleans

Sto. Inácio

Lamenha

D. Augusto

D. Pedro

Riviera

Sta. Felicidade

Dantas

Alfredo C.

S. Gabriela

Antonio P.

Pres. Faria

Maria José

Afonso P.

276,0

500,0

300,0

720,0

613,0

377,0

359,0

922,0

200,0

266,0

825,0

1200,0

450,0

431,0

312,0

415,0

493,0

128,0

2240,0

33

50

31

82

64

65

70

139

36

24

97

120

50

40

40

54

50

13

112

117

242

160

323

340

290

334

746

281

98

406

580

188

220

180

248

450

78

486

Franceses/Argelinos/outros

Poloneses/Outros

Alemães/Outros

Poloneses/Alemães

Poloneses/Suíços/Franceses

Poloneses/Italianos/Outros

Poloneses/Silesianos/Outros

Poloneses/Silesianos/Outros

Poloneses

Poloneses/Suíços

Poloneses/Franceses/Alemães

Italianos

Italianos

Italianos

Italianos/Poloneses

Italianos/Poloneses

Italianos/Poloneses

Italianos

Poloneses/Alemães

FONTE: BALHANA (2003, v. 3, p. 452).

 

 

          Quanto à expansão e evolução da ocupação urbana, percebe-se que o município de Curitiba está próximo do esgotamento de seus limites geográficos. A área do município é de 432 quilômetros quadrados e está praticamente toda loteada restando poucas áreas para expansão. O esgotamento das fronteiras do município e o aumento populacional estão provocando um fenômeno que é o crescimento na taxa de densidade (medida pela relação habitantes por hectare). Esta taxa era 14,09 em 1970. Segundo o censo 2000, a densidade média na cidade é 36,72 habitantes por hectare. Este índice pode variar de acordo com o bairro e é maior nas regiões onde há verticalização mais acentuada. A população da cidade, segundo estimativa recente é de 1. 757. 904 habitantes (Estimativa, IBGE/2005). Tradicionalmente, o centro era o bairro de maior densidade da cidade, mas onde ainda as instituições culturais também se encontram, senão em suas imediações, tais como museus, cinemas, teatros, galerias de arte, cafés, parques étnicos, bosques, praças, feiras, entre outros . Interessante a observação de Canevacci (1997), que menciona o fato dos centros das cidades mudarem, a exemplo de Paris, Berlim, ou dos múltiplos centros em São Paulo, na perspectiva das atrações e repulsões (p. 140 e seguintes). Não ocorre o mesmo com Curitiba.

          O papel dos atores e dos cenários urbanos onde sucessivos eventos tomam lugar, pela orientação das políticas públicas locais, considerando aspectos discursivos e vinculados a etnias ao que se refere à participação social, como exercício de cidadania, promovem sempre que possível, as interfaces culturais e que igualmente podem integrar-se a eventos que incentivem o relacionamento humanitário numa perspectiva social cada vez mais voltada à suplência de valores comunitários. Vale dizer:

milhares de sonhos culturais semelhantes são representados em cenários urbanos e rurais em todo o mundo. Nesse jogo cultural da diáspora ficam borradas fronteiras familiares entre o “aqui” e o “lá” o centro e a periferia, a colônia e a metrópole. Quando o “aqui” e o “lá” ficam assim embaçados, as certezas e fixações culturais da metrópole são perturbadas tanto – senão da mesma forma – quanto as da periferia colonizada. Neste sentido não são apenas os deslocados que experimentam uma deslocalização (cf. Bhabha 1989, p. 66), pois até mesmo quem permanece em locais familiares e ancestrais vê mudar inelutavelmente a natureza de sua relação com o lugar e rompe-se a ilusão de uma conexão essencial entre o lugar e a cultura (FERGUSON; GUPTA, 2000, p. 35-36).

          Muitas vezes há quebra do individualismo destes grupos sociais, conhecendo suas razões e colocando-os num panorama de contemplação no grande contexto da cidade de Curitiba, muitas vezes como expressão do fenômeno “exclusão social”, rompendo as barreiras do local e reservado a atores de dada cultura, para global e universal, no sentido de compartilhar estes valores com os que se interessam pela pluralidade dos costumes e valores culturais emergentes. Há no entanto, contrastes que se observam nestes eventos, marcadamente os que acentuam as diferenças e desigualdades sociais, onde uma reflexão das políticas públicas e do papel do Estado se faz necessária.

          As políticas são uma disputa entre formas de discurso que são baseadas na luta pelo poder e na busca de significado. Os sistemas de idéias constroem os interesses dos tomadores de decisões. A ação política refere-se à linguagem que é um sistema de significação através do qual as pessoas constroem o mundo (FARIA, 2003, p. 23).

          Política pública é tida para Niero (2005, p. 07) como “processo de reprodução da força de trabalho através de serviços e benefícios financiados por fundos a eles destinados”.

           Este fenômeno pode ser explicado especialmente pela forma como as políticas públicas se formaram especialmente na década de 1970, pois que correspondia com os níveis federal, estadual e por vezes municipal, mas que transcorria um período marcado pela busca da eficiência, iniciando uma diminuição do aparelho do estado, onde a dificuldade da implementação de qualquer política que exigisse a participação de diversos atores da sociedade no processo era um forte traço (HARDT, 2004, p. 250).

 

 

   

 

        Observa-se numa mesma cidade, três níveis de manifestações étnicas, se compreendermos a definição de etnia , de acordo com Ferreira (1999, p. 849):

População ou grupo social que apresenta relativa homogeneidade cultural e lingüística, compartilhando história e origem comuns. A partir do séc XX – grupos com relativo grau de homogeneidade cultural, considerado como unidade dentro de um contexto de relações com grupos similares ou do mesmo tipo, e cuja identidade é definida pelo contraste em relação a estes [grifo nosso].

         Entenda-se por Etnia – Etim. Grego ethnikos, nacional, que indica a raça e o lugar de origem. Grupo de indivíduos unidos não por uma raça em geral, mas por uma civilização ou uma língua (ABBAGNANO, 2003, p. 97).

         Tendo em consideração as diferentes culturas, com mesmos sedimentos em essência, porém não integradas observa-se que a grande Curitiba, a Curitiba dos bairros, e a Curitiba no anel central apresentam diferenças quanto à formação étnica constituindo pois, uma pluralidade das mesmas, requerendo políticas públicas adequadas aos anseios populares a exemplo das de segurança.

          A questão da dominação de dado grupo étnico e nacional em determinado território já não é mais de todo transparente, em razão da dinâmica social e dos movimentos dos fluxos migratórios e remigratórios que reconfiguram grupos em territórios tidos como dominados ao longo da história da cidade de Curitiba. Observa-se que o Município de Curitiba necessita de políticas públicas culturais integradas que permitam valorizar os municípios vizinhos destacando suas potencialidades.

          Cândido Grzybowski (1990, p. 51) direciona suas atenções para as formas de confrontação especialmente ao falar sobre integrados e excluídos: Apresentam-se duas faces da estrutura agrária e da luta política no campo. Não incomum os movimentos sociais nas regiões periféricas de Curitiba terem sido conquistas dos “sem terra” oriundos principalmente do campo até meados de 1970 especialmente dos municípios vizinhos, onde se percebe em grau crescente, a elaboração de políticas públicas culturais específicas.

          O fato que a dimensão política da identidade étnica a qual se referiu Ferreira (1999), está de conformidade com o conceito de identidade étnica,  pois é uma identidade que se constrói pela “ organização das relações e condutas a partir da consciência da diferença”, logo, trata-se de uma identidade que se organiza a partir das diferenças para responder à situação de confrontamento, logo um fenômeno político (HARTUNG, 1992, p. 194).

          Logo, o multiculturalismo presente no diverso legado patrimonial das diversas etnias em Curitiba, resultante deste acaso não deve ter suas bases derrubadas na concepção das gestões contemporâneas de Curitiba (1970-2004) que procuram resgatar estes traços étnicos num contexto de relações comunitárias mais flexíveis e heterogêneas, promovendo o envolvimento coletivo nas múltiplas possibilidades de integração de políticas culturais capazes de sustentar as matizes históricas e incorporar as novas tendências sociais decorrentes, embora de tendências homogeneizantes e globalizantes.

           No sentido de justificar os feitos em Curitiba, Jaime Lerner (2005), aponta uma série de características que se tornaram únicas, ao que chama “acupuntura urbana”. Para ele, identidade, auto-estima, sentimento de pertencer, tudo tem a ver com os pontos de referência que uma pessoa possui em relação à sua cidade. Algumas delas são reconhecidas internacionalmente, tais como a reciclagem do lixo, a questão do transporte coletivo, além, é claro, da transformação que a cidade sofreu em função da construção de espaços públicos e da valorização de espaços culturais e históricos. Em suas palavras: “É fundamental que uma boa acupuntura urbana promova a manutenção ou o resgate da identidade cultural de um local ou de uma comunidade” (LERNER, 2005). Este é o ponto onde se procura focar a importância que se dá à valorização dos espaços urbanos nos seus aspectos psicológicos, artísticos e culturais, visto que reforçam o sentimento de pertencimento e influenciam sobremaneira na forma como as pessoas se conduzem em seus interiores.

Na medida em que este se verifica:

Há necessidade de dotarmos os espaços, mesmo que verticalizados, de boa iluminação, ar saudável, silêncio apropriado, facilidade de contatos, comunicação de massa, para promover a qualidade ambiental local (LE CORBUSIER, 1984, p. 77).

          Esta condição estende-se aos novos espaços recriados em Curitiba, não apenas no Setor Histórico, e de importância cultural local, mas também aos bosques, praças, e parques transformados em verdadeiras apologias naturais de preservação ecológica e valorização cultural das raízes étnicas e históricas do Estado, especialmente concentrados na capital, Curitiba.

            Conseqüentemente, dotá-los de condições de visitabilidade, atratividade e sustentabilidade cultural, não são tarefas menos importantes. Desta forma, a cidade de Curitiba pode ser vista com seu potencial reconhecidamente verde, nas áreas de concentração de recursos naturais, como um cartão de visitas para os visitantes, viabilizando o acesso às mesmas por um sistema de transporte coletivo viável, não apenas pelas elites – Jardineira – como também pelo moderno sistema viário, para turistas e a própria população da cidade, cujo fundamento advém das convicções seladas já no Plano Diretor (1965). Entenda-se por  Jardineira – Nome dado aos ônibus que pertencem ao sistema de transporte coletivo em Curitiba, ou Linha Turismo, que conduz passageiros pelos principais locais turísticos da cidade.

           A revitalização dos locais antes abandonados que ganharam, na maioria das vezes foram pontuados com importantes equipamentos culturais (1970 em diante). E se Curitiba ganhou com parques e praças, a exemplo da Ópera de Arame, a Pedreira Paulo Leminski, em termos de inovação, em conseqüência das feridas deixadas pela ação antrópica, assim como sucessivos parques que retratam as contribuições das várias etnias à vida da cidade, têm em seu centro, uma séria discussão sobre a função dos mesmos.

             Logo, nem só de planos vivem as cidades, mas da condição de vida de sua gente, o que suscita estudos mais pormenorizados a respeito da identidade sócio-histórica e demográfica da população que constitui cada uma das cidades, ou analisadas comparativamente. Importante perceber que grande parte dos equipamentos culturais e espaços públicos destinados à cultura encontravam-se no centro da cidade, e especialmente nos parques, também direcionados para homenagens étnicas. Esta perspectiva de descentralização acaba se constituindo num desafio para a Administração Municipal, que por projetos desenvolvidos no PDU de 1978, desenvolve um programa de preservação ecológica e ambiental por nível de implantação (HARDT, 2004, p. 240). E a programação cultural para estes locais se faz acompanhar através dos anos, após a conquista e dotação de infra-estrutura necessária.

            Esta conclusão é reafirmada também nos Relatórios Anuais da Prefeitura Municipal de Curitiba, pelas estratégias da Fundação Cultural de Curitiba (1970-2004), especialmente as que romperam com práticas tradicionais tais como levar livros aos parques para sessões de leitura (Parque Barigüi), ou o próprio Bonde da Rua XV de Novembro (local de lazer para crianças cujos responsáveis fazem compras no comércio local) – em 2005, houve uma parceria com o Grupo HSBC para recuperação do Bondinho da XV – e ainda, a “contação de histórias infantis” na casa de bonecas do Bosque do Alemão.

             Com o advento das Ruas da Cidadania (Pólos de informação e serviços públicos nos bairros de Curitiba) e dos Faróis do Saber (Pólos de material didático e informática em pontos estratégicos da cidade) as populações ditas “segregadas” tiveram mais acesso à informação e à cultura, rompendo com paradigmas sociais de favoritismo étnico e privilégios sociais, como acesso aos cinemas, teatros, locais de lazer, compras, centralizados a ponto de promover deslocamentos constantes de atores sociais economicamente diferenciados.

             Note-se que no início desta periodização (década de 1970) o período foi considerado rebelde, havendo na cidade 700 mil habitantes e fechando 277 anos de existência oficial. O Plano Agache, de 1943, não acompanha mais o ritmo das transformações, sendo o Plano Serete,  discutido à exaustão, iniciado em 1965, não havendo, conforme o documento em questão, autoridade ou circunstância, ou vontade política que conseguisse colocá-lo em prática. Entenda-se por Plano Serete: O Plano Diretor de Curitiba remonta ao ano de 1965, criado a partir de um plano preliminar de urbanismo pela Empresa Serete Engenharia S. A. em associação com o conceituado escritório de arquitetura de Jorge Wilhem, ambos de São Paulo (OLIVEIRA, 2000, p. 49).

            Logo, a busca de uma forma urbanista e humanista, inspira-se na Carta de Atenas, culminando com o Plano Diretor da Cidade de Curitiba (1966, alterado em 2004), que revitalizou espaços da cidade, especificamente residenciais, comerciais, e industriais ligados por velozes vias de circulação. Observa-se, pois, a tentativa de integrar espaços urbanos propícios ao fomento de atividades culturais à população, facilitando inclusive os deslocamentos dos atores na cidade, por um moderno sistema viário, bem como, democratizar a utilização do patrimônio cultural, descaracterizando a desigualdade social que frisa principalmente a dificuldade de acesso aos mesmos.

            Na Constituição Estadual do Paraná, em seu artigo 175, estabelecem-se princípios regedores dos mesmos, entre eles, a garantia dos plenos direitos culturais de acesso às fontes da cultura regional e o apoio à difusão e às manifestações culturais.

           Também em conformidade com a Constituição da República Federativa do Brasil (Artigos 215 e 216), há princípios regedores e norteadores para a Constituição Estadual, quanto à tutela jurisdicional do Estado, nas questões atinentes à cultura, que devem ser lembrados e aplicados nas arenas estaduais e municipais, pela supremacia da Carta Magna em relação às demais esferas de poder. Alguns pontos são nela mencionados, tais como a valorização e difusão das manifestações culturais, proteção às manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras e de outros grupos participantes do processo civilizatório, patrimônio cultural brasileiro, conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico e paleontológico, ecológico e científico, tombamentos, arquivo de documentos e incentivos à cultura (Vide Art. 183 – Constituição Estadual do Paraná, para comparar as determinações legais). Veda igualmente em seu artigo 187 toda e qualquer censura de natureza política, ideológica ou artística. Em seu artigo 149, confirma que para a elaboração das partes que compõem o Plano Diretor de Curitiba, em especial à delimitação das zonas urbana e agrícola – sistema viário, zoneamento, loteamentos, preservação, renovação urbana, equipamentos – deverão obrigatoriamente, ser levadas em consideração, entre outras, diretrizes várias nele estabelecidas, com foco na formação de um cinturão verde em volta da cidade, evitando a conurbação aberta e adensamento desordenado.

            Observa-se que o desenvolvimento econômico dos municípios tem ligação direta com seu desenvolvimento cultural, porque a sociedade civil está cada vez mais envolvida na construção identitária, e pelos incentivos que o Estado proporciona a todas as instituições produtivas que se colocam ao lado do fomento cultural. Um importante documento que norteia as orientações legais das políticas culturais no país é o Decreto-lei 5520, que estabelece normas de regulamentação para as políticas culturais nacionais e o Comitê de Integração de Políticas Culturais (CIPOC).

           A Lei Orgânica do Município de Curitiba (1990), traz em seu bojo, a cultura vinculada com outras garantias, tais como a educação e o desporto, inseridos na Ordem Econômica e Social (p. 49). Atende aos princípios da Democracia Participativa, o que implica dizer, respeitar a diversidade étnica de todos os atores sociais que a compõe, permitindo sempre que possível o estudo de viabilidade de planos, programas e projetos, a partir do Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado, do Plano Plurianual, das Diretrizes Orçamentárias e do Orçamento Anual (Art. 79, II). O Plano Diretor de Curitiba (Lei 2828 de 10 de agosto de 1966) constitui instrumento de gestão imprescindível na compreensão dos fenômenos urbanos de Curitiba. Ressalta-se, no entanto, que o Prefeito Cassio Taniguchi, assinou em 20 de dezembro de 2004, a Lei Municipal que regulamenta a Lei Federal 10257/2001 para controle do desenvolvimento integrado do Município, que dispõe sobre a adequação do Plano Diretor de Curitiba ao Estatuto da Cidade, dividida em 92 artigos. Entre eles, encontram-se aqueles que regulamentam as questões vinculadas ao patrimônio histórico, ambiental e cultural do município, a exemplo do artigo 72, que versa sobre as operações consorciadas do município, cuja finalidade entre outras, é também a proteção e recuperação do patrimônio ambiental e cultural, o que caracteriza, de fato, um dos pontos críticos desta pesquisa, uma vez que regulamenta tais associações e dispõe sobre os vários procedimentos adotados para viabilizar a utilização de áreas ecologicamente importantes para a cidade e prevendo a possibilidade da participação social e parcerias convenientes nestas áreas.

           A cultura remete à idéia de uma forma que caracteriza o modo de vida de uma comunidade em seu aspecto global, totalizante. O termo cultura aponta, portanto, para atividades determinadas do ser humano como esclarece o autor:

não se restringem às tradicionais (literatura, pintura, cinema – em suma as que se apresentam sob uma forma estética), mas se abrem para uma rede de significações ou linguagens incluindo a cultura popular, as publicidades, a moda, o comportamento, a festa, o consumo (COELHO, 1997).

            O que se percebe nitidamente na Lei de Incentivo Fiscal a Cultura, é que a mesma adquire sentido de manifestação cultural, voltada para as produções, cujas principais motivações direcionam-se para a promoção e difusão cultural visando atender às demandas sociais (LOMANDO, 2005, p. 8-9). As mesmas ocorrem em diferentes pontos com referências culturais diversas.

            Neste sentido, a heterogeneidade e o arranjo das habitações no meio urbano formam paisagens heterogêneas em muitos bairros da cidade de Curitiba e as razões podem ser compreendidas por dados observados por urbanistas e geógrafos. É nos bairros das cidades que se pode observar as diferenças de classes sociais e peculiaridades de seus habitantes (SENE; MOREIRA, 2002, p. 99-100).

           Esta mudança enseja o entendimento de que a transformação urbana, especialmente nos bairros menos nobres da cidade, estaria ocorrendo em razão dos fluxos migratórios e remigratórios de vários pontos do Estado e fora dele, mas especialmente dos cidadãos brasileiros descontentes com o determinismo geográfico a que se julgam vítimas, a ponto de se lançarem à procura de cidades onde a prosperidade lhes anima no intuito de redirecionar seus anseios reais de vida.

            Em regiões menos privilegiadas, carentes de infra-estrutura que contrastam com locais onde as estratégias de desenvolvimento se fazem necessárias, cabe a atribuição de função de uso e continuidade de propostas e desempenho.

            É importante estimular os serviços, mesmo que por estruturas provisórias nos espaços vazios, até mesmo como recursos de lazer, como adverte o então ex-prefeito de Curitiba e governador do Estado do Paraná, Jaime Lerner: “A mistura de funções é importante”. Os projetos de continuidade na cidade são fundamentais. Assim se refere à problemática em foco:

            Muitos dos grandes problemas urbanos ocorrem por falta de continuidade. O vazio de uma região sem atividade ou sem moradia pode se somar ao vazio de terrenos baldios. Preenchê-los seria boa acupuntura (LERNER, 2005, p. 39).

           As oportunidades, portanto, devem ser democráticas e não direcionadas, onde se tenha critérios e possibilidades de investimentos assertivos, para dinamizar as relações sociais, inclusive étnicas e culturais. Um bom exemplo é a falta de estacionamento do Bosque do Papa, razão de luta desta etnia ali representada, uma vez que mesmo existindo terrenos próximos ao local, em que demandas jurídicas lhes roubam a propriedade de uso, este importante ícone étnico da cultura polonesa que remonta à vívida lembrança da visita do Papa João Paulo II a Curitiba, continua desprovido de acomodação para os veículos de turistas que se aproximam da área para visitação.

            A criação de espaços e promoção de participação respondem ao que Rezende e Castor explicam da seguinte forma:

           As vocações da cidade definem, validam ou revisam os principais potenciais do município. Estas vocações estão relacionadas com as escolhas, preferências ou tendências de toda a cidade (REZENDE; CASTOR, 2005, p. 76).

           Nos clássicos “mapas etnográficos” que pretendem mostrar a distribuição espacial de povos, tribos e culturas, observa-se que o espaço torna-se uma grade neutra sobre a qual a diferença cultural, a memória histórica e a organização social são inscritas. É desta forma que o espaço funciona como um princípio organizador central nas ciências sociais, ao mesmo tempo em que desaparece da esfera de ação analítica (FERGUSON; GUPTA, 2000, p. 32).

           Neste sentido, permite-se imaginar a possibilidade de adequação da ocupação dos espaços como reitera, pela contemplação de diferentes centralidades tais como o lazer, cultura, sociedade, indústria, comércio, atividades agrícolas, pecuária, serviços, de inovação, ciência e tecnologia entre outras. Mas, bem explica, são as atividades potenciais que norteiam a determinação das vocações locais, que podem ser obtidas pela formação de redes de participação, desenvolvimento, integração e sustentabilidade (FERGUSON; GUPTA, 2000, p. 77).

            Em Curitiba, apresenta-se a variedade de países investidores em unidades produtivas da Cidade Industrial de Curitiba (CIC) e Parque Tecnológico, bem como um estudo para implantação de um Tecnoparque nos próximos anos.

            Especificamente em Curitiba, observou-se a multiplicidade de países investidores na CIC, e Parque Tecnológico, a partir da implantação em 1973, através de dados fornecidos pela Companhia de Desenvolvimento de Curitiba (2004), em mapa georeferenciado das empresas estrangeiras nestes espaços. Há evidências, no entanto, que o processo de participação estrangeira no setor industrial disputa espaço com as empresas nacionais de maneira ainda a representar apenas uma pequena parcela em termos comparativos.

            A Companhia de Desenvolvimento de Curitiba ( Pesquisa realizada pelo autor no banco de dados da Companhia de Desenvolvimento de Curitiba em 2005)  desenvolveu pesquisa investigativa, constantemente atualizada, utilizando como critério o registro das cartas de intenções fornecidas ao Poder Público, de controle desta instituição. Chega-se à conclusão de que das treze empresas investigadas no Parque de Software, apenas uma é estrangeira, a argentina IMPSAT.

            Das 4620 empresas constantes deste cadastro (2004), há 140 de capital estrangeiro, incluindo a última mencionada, onde se percebe a abertura de espaços para o mercado internacional em proporções ainda de liderança nacional, ocupados por países como EUA, Alemanha, Itália, França, Portugal, Espanha, Argentina, Japão, Suécia, Holanda, Inglaterra, Áustria, Bélgica, Canadá, Chile, Dinamarca e Noruega, em ordem de classificação quanto ao número de empresas observadas nos registros cadastrados. Este fato é relevante, pois poderia ensejar interfaces com redes sociais pré-constituídas, bem como reforço identitário em Curitiba, por parcerias, alianças sociais e redes urbanas, inclusive étnicas.

           Destacam-se estratégias da Administração Pública, no sentido de promover eventos que permitam fazer do espaço público urbano algo muito mais dinâmico do que a simples ocupação, com rotinas conhecidas e traçadas, dotando-o de infra-estrutura e dinamizando sua utilização, não esquecendo das questões de conservação e preservação, nem tão pouco ignorando o fato das sociedades estarem se fundando em redes sociais, nem sempre de cidades reais e sim virtuais, traço marcante da nova era em que vivemos (TAIN, 1994, p. 154).

           Há, no entanto uma tendência de mudar estas características. No Passeio Público, por exemplo, já ocorrem feiras de hortifrutigranjeiros, como um dos poucos pontos onde não há monopólio de utilização. As ruas também se tornaram espaço para a execução de projetos de exploração de atividades comerciais, para pequenos produtores, além é claro, de atividades culturais, a exemplo do Festival de Teatro de Curitiba, com apresentações em vários espaços alternativos da cidade.

            As praças também reúnem artesãos de vários pontos da cidade, incluindo os que vendem alimentos típicos de várias e distintas culinárias internacionais. A Prefeitura Municipal de Curitiba tem uma divisão específica para tratar dos interesses dos projetos que implicam na utilização da rua como espaço público.

             O termo comunidade constantemente vem à tona nas discussões que tem por objetivo entender o processo civilizatório e é tida como “um grupo de pessoas que ocupam um espaço comum, interagem dentro ou fora de seus papéis institucionais, e criam laços de identidade a partir dessa interação” (SOUZA; COSTA, 2005, p. 24).

             A identificação parece, no entanto, mais marcada em lugares menores. Da mesma forma, faz-se estudos sobre a identidade e comunidade observada pelo compromisso local em termos de necessidades humanas. Observa-se que a modernidade extinguiu a comunidade tradicional como fonte de identidade e o declínio de um maior envolvimento nas comunidades locais (CONNOR, 1997, p. 60).

            Reconhece-se a necessidade de reforço em termos da contribuição dos princípios democráticos. A atividade social não deveria ser incumbida para uma instituição que é maior do que a necessária para o trabalho. Reconhece-se, finalmente, a força potencial da capacidade da comunidade em planejar, dirigir e promover governança local (DAGNINO, 2000, p. 180).

              Mas novamente o ponto chave da discussão, qual seja, a cultura direciona-se ao fato de dar forma, ouvindo a comunidade com relação a que influências ocorrem  no consenso em relação ao entendimento de poder. O ímpeto de construir novas formas de comunidades orientam governança que deve ser entendida na sua multiplicidade de variedades (STEWART, 2000, p. 181).

A construção do étnico pode ser assim compreendida:

a construção do étnico como uma expressão multicultural de destaque pode substanciar este apelo. O “global” e o “local” têm fundamentalmente acesso desigual a esta construção (Bauman, 1998, p. 99-102) e embora com sucesso a trilha do étnico pode aparecer como um testemunho da interpenetração das preferências de consumo na música, culinária, moda etc. O étnico não é construído como (ou pelo não só como) a celebração da diferença, mas como uma emenda colorida e descontextualizada ao dominante (MALOUTAS; MALOUTA, 2004, p. 458).

           Significa dizer que por mais diversas que sejam as características culturais e étnicas dos grupos, ainda assim se submetem a uma ordem geral estabelecida pela própria sociedade, quanto à aceitação ou não de seus costumes e atitudes cidadãs e citadinas norteadas por políticas públicas e o próprio poder público, porém, reconhecida a necessidade de compreender lideranças locais e compartilhar as decisões de forma participativa e democrática.

             A emergência da sociedade está em intrínseca relação da determinação da responsabilidade para funções e tarefas que a comunidade deve assumir na divisão do poder, sendo este ponto, aquele que mais se ajusta com as posições defendidas, cujo entendimento é favorecido pelo tripé no qual conscientização, participação, e no desenvolvimento de projetos e ações comunitárias, visando tornar efetivos os princípios de empowerment, segurança e participação (Frey, 2004).

4. CONCLUSÃO

             Os historiadores reconhecem a pluralidade étnica de Curitiba ensejando uma riqueza cultural ainda maior, influenciando sobremaneira a gestão municipal, nas possibilidades de sustentabilidade da diversidade étnica na cidade, observável em diferentes contextos, seja pela inserção na gastronomia, na cultura, nos eventos e na imagem de uma cidade multicultural expressa pelos equipamentos, quebrando o efeito homogeneizante sofrido por diferentes culturas em tempos modernos.  

           A notoriedade da necessidade de interpor posicionamentos condizentes com a realidade contemporânea, em que se observa o apagamento ou folclorização de valores culturais internacionais e o fortalecimento de uma identidade nacional multicultural, porém dinâmica no equilíbrio de suas relações, faz refletir na cidade um posicionamento político cultural consistente, muito mais do que aquele que incentiva eventos apenas. Há uma estreita ligação entre os equipamentos e a representatividade das etnias no contexto urbano como política cultural.

            Algumas reflexões finais são necessárias. Sabe-se que há cenários naturais e recriados em Curitiba, em que se movem atores e discursos étnicos, oriundos de vários segmentos da sociedade, estratificada e clivada, de forma a delinear limites e fronteiras, territórios e espaços, cuja dominação parece visivelmente a forma pela qual a estabilidade das condições de sobrevivência repousam sobre o leito do egoísmo de muitos. Dimensiona-se pelos movimentos sociais, especialmente os étnicos, modernamente conectados em rede ou não.

            Diante da realidade do múltiplo, o descontentamento é também daquilo que parece ser o orgulho de todos os curitibanos, onde todos se sentem parte de uma grande obra, e poucos são os construtores da mesma. A missão se torna difícil para os que já há anos participam das atividades culturais da cidade, contribuindo com aquilo que lhes parece único, sua música, sua dança, e seus costumes, através de seus grupos folclóricos.

            As políticas públicas culturais em Curitiba assumem posição de relevância pelos resultados conferidos, confirmando a posição inicial do pesquisador de que teria sido fortalecida na década de 1990 pela gestão de Rafael Greca de Macedo, mas já era um projeto enraizado urbanisticamente, desde 1970. O público pesquisado é conhecedor deste aspecto, possui parcerias discretas quanto ao suporte político e cultural e tem sido empreendedor no desenvolvimento de suas atividades neste período de estudo (1970-2004), demonstrando engajamentos em esferas municipais, estaduais e federais, e internacionalmente, na representatividade de seus valores e formas de expressão. Justa é a intervenção por políticas públicas culturais quando sensível a estes aspectos, regulando e intervindo naquilo que parece ser suscetível de melhorias através de estratégias de inclusão, revertendo quadros de segregação e etnofobia, destacando ao cidadão comum, a importância das matizes históricas da cidade e o quão importante estes valores são na imagem da mesma, inserindo no contexto social estas diferentes configurações de culturas nas oportunidades oferecidas.

             Porém é no processo histórico, na dinâmica e nas contradições da sociedade, em cada época, que os nossos elos identitários vão sendo firmados, apoiados por determinações estruturais que partem da condição definida pela etnicidade e o papel social do indivíduo, na forma pela qual atende às suas necessidades emergentes, e o faz lutar contra a desigualdade e diferença naquilo em que é contraditório ao seu repertório de referências identitárias, ou conflitante com outras concepções de mundo e construções de realidade.

            De suma importância foi o conhecimento do aporte teórico-prático apresentado em que a compreensão da dinâmica das populações de cidades em todo o mundo nos últimos anos tem sido relevante, portanto interessando diretamente às prefeituras dos municípios especialmente onde a diversidade étnica é mais marcante, requerendo políticas públicas culturais no âmbito da gestão urbana.

             Em síntese, alguns desafios para a gestão urbana podem ser previstos, tais como a necessidade de administrar os custos com preservação e conservação do patrimônio cultural do município, e ativá-los a serviço da sociedade como resposta ao investimento e cumprimento de sua funcionalidade (exigência do cumprimento do Estatuto da Cidade e da sociedade). Também o cumprimento da população no sentido de reconhecer que a posição da Capital Americana da Cultura/2004 é contraditória. Projetos de construção identitária, que reforçam esta tendência de gestão urbana, especialmente pela diversidade étnica e cultural da população deste município, dependem de continuidade. Naturalmente há reconhecimento da formação étnica múltipla da população da cidade de Curitiba, bem como políticas públicas culturais que tentam responder às tendências sócio-econômicas e que façam frente ao reforço de sua imagem pelo marketing público, especialmente priorizando investimentos onde as demandas sociais são mais emergentes, não obstante seus impactos.

            Há que se reconhecer que a força de trabalho, uma vez direcionada e conduzida para fins desejados, no cumprimento de objetivos claros e específicos, comprova o poder modificador e transformador do ser humano e de seu espaço, constituindo a plataforma básica de sua construção identitária, em seu extrato cultural, pelas intervenções urbanas que são capazes de gerir, tanto no plano espacial quanto populacional.

            O pressuposto, da contemplação das etnias pelas gestões municipais, confirma-se no sentido de que as mesmas teriam enfatizado a participação social em eventos de folclorização e equipamentos de espaços (praças e parques, por exemplo) de homenagem a etnias definidas historicamente pelos fluxos imigratórios. Isto é, que a diversidade cultural tem sido fragilmente articulada na perspectiva da construção da identidade multicultural da cidade. Um dos motivos dessa fragilidade seria a falta de integração dos espaços públicos disponíveis (exemplo: Praça da Suíça, Praça da Grécia) aos interesses de possíveis agentes sociais étnicos, tais como articulações consulares ou de grupos folclóricos.

           Observa-se que o valor cultural das manifestações étnicas transcende a projeção percebida nas ações vigentes quanto às possibilidades de realizações que parecem frágeis no tecido urbano, na análise conjuntural das políticas públicas culturais de cunho étnico em Curitiba.  

C                ertamente os munícipes tornam-se mais exigentes, quanto à qualidade de vida, porém a direção da cidade ainda é pouco participativa, requerendo estratégias de integração e resgate identitário, uma vez denotado o apagamento de seu argumento principal, uma cidade diferenciada pela cultura de seu povo, que em suas entranhas é também inculto, pobre e infeliz, naquilo que deseja em termos da conquista de seu lugar na malha urbana, certamente de ordem diversa, entre elas os fenômenos sociais, políticos, étnicos e culturais, que provocam impactos e reações de relutância e resistência aos equipamentos culturais dispostos na cidade e eventos com um público bastante pequeno, comparado a possibilidade de alcance de consumidores destas políticas.

            A possibilidade de reconhecer as intervenções políticas feitas em Curitiba, que reforçam sua identidade étnica, bem como a de cada indivíduo pertencente à população curitibana, favorece uma construção a partir de várias interfaces afetivas, cognitivas, culturais, políticas, econômicas entre outras, reforçando seu pertencimento a uma cidade modelo, tanto nacional como internacionalmente.  

             Especificamente na perspectiva da gestão urbana, fica reconhecida a importância da população, no que diz respeito à manutenção da ordem e da imagem da qual supostamente vive a Curitiba de hoje, às margens de evidências plenas de subdesenvolvimento e de subculturas oriundas de segmentos diversos da sociedade, inclusive de uma classe média degenerada e de elites esquecidas. Os gestores urbanos de Curitiba (1970-2004) consideraram a trajetória histórica da cidade sobrepondo a possibilidade de romper com o seu passado e de salientar diferenças étnicas sem propriedade.

            Como lembram Ferguson e Gupta (2000) incorre-se no risco de que explicações convencionais sobre etnia, mesmo quando utilizadas para descrever diferenças culturais em cenários onde povos de regiões diferentes vivem lado a lado, podem gerar uma ligação problemática entre identidade e lugar.

            Por fim, destaca-se que é no processo histórico, na dinâmica e nas contradições da sociedade, em cada época, que os ideais humanitários vão sendo firmados, apoiados por determinações estruturais que partem da condição definida pela etnicidade e o papel social do indivíduo, na forma pela qual atende às suas necessidades emergentes, e o faz lutar contra a desigualdade e diferença naquilo em que é contraditório ao seu repertório de referências identitárias, ou conflitante com outras concepções de mundo e construções de realidade.   Logo, possibilita a leitura contextual urbana, ou seja, a linguagem paisagística da cidade de Curitiba  e a hipótese de uma população múltipla e segmentada quantos as matizes sócio-econômicas e culturais, mas sobretudo multicultural, como forma de gestão urbana municipal.

              Para tanto,  o autor deve focar em seus estudos futuros, formas de emancipação social e cultural e políticas públicas que reconduzam a pluralidade étnica em Curitiba, com assento nas mudanças ocorridas nas últimas décadas invertendo discursos étnicos dominantes especialmente pelo branqueamento típico no sul do país, já com adiantado processo de fusão cultural e diminuição das distâncias dos eixos antagônicos da cultura brasileira, quais sejam o norte e o sul.

 

 

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