A Eficácia Das Estratégias De Marketing De Serviços Voltadas Para O Turismo De Negócios Em Belo Horizonte

1 INTRODUÃ??Ã??OO Turismo de Negócios e Eventos em Belo Horizonte tem sido um dos principais fatores de desenvolvimento da cidade. Através dele tem-se um aumento significativo na taxa de ocupação dos hotéis, além de geração de empregos diretos e indiretos, divulgação dos produtos e atrativos da cidade e seu entorno. Os executivos reconhecem que Belo Horizonte possui um potencial turístico de grande relevância, porém há falhas na divulgação desses atrativos, o que faz com que este público retorne para sua cidade de origem nos finais de semana. Os motivos principais para a realização deste projeto são conhecer quais os produtos turísticos ou tipos de entretenimento que são de interesse dos executivos que vêm a Belo Horizonte para compromissos de negócios, tomando como base a baixa taxa de ocupação dos hotéis de Belo Horizonte nos finais de semana. Outro aspecto importante é a diversidade dos atrativos culturais, gastronômicos, esportivos e todos os roteiros turísticos existentes em Belo Horizonte e região, os quais poderiam ser visitados pelo turista de negócios, bem como obter suas impressões sobre a qualidade da oferta turística na cidade. Estudos já realizados revelam que há uma precária divulgação dos atrativos de Belo Horizonte, uma vez que os executivos permanecem na cidade apenas de segunda a sexta-feira não tendo motivação para prolongar sua estadia. Essas falhas na divulgação dos atrativos turísticos de Belo Horizonte e seu entorno são fatores comprovados que contribuem para a não permanência dos executivos na cidade. Conforme demonstram as pesquisas na área, acredita-se que para um aumento da taxa de ocupação dos hotéis, faz-se necessário a captação de eventos de grande porte aliada a um projeto de promoção publicitária dos atrativos da cidade para os visitantes e comunidade local. Expandir o mercado consumidor levando em consideração a importância no que diz respeito à qualidade dos serviços oferecidos e um atendimento diferenciado ao cliente. Focar e proporcionar maior ênfase em campanhas de marketing mais objetivas e direcionadas para atender esse nicho específico. Assim será alcançada uma vantagem no custo quanto na diferenciação. A questão que procura resposta para estas estratégias é: As estratégias de marketing de serviços utilizadas na divulgação dos atrativos de Belo Horizonte e seu entorno, contribuem para o seu desenvolvimento e retenção de clientes na cidade?A principal hipótese a ser considerada e justificada pelo presente trabalho, revela que é necessário uma campanha efetiva do Governo do Estado de Minas Gerais, juntamente com os órgãos competentes para a divulgação de produtos, serviços, programas de fidelização e melhoria na divulgação promocional da cidade para que estes executivos permaneçam nos finais de semana, aumentando a taxa de ocupação dos hotéis. Outra questão a ser discutida é a eficácia da contribuição das ações do marketing de serviços para o desenvolvimento e melhoria da imagem da cidade. 2 FUNDAMENTAÃ??Ã??O DO TEMAPara o desenvolvimento do tema proposto torna-se fundamental entender o conceito de turismo de negócios, como se dá a sua integração com os diversos equipamentos de suporte e quais as características desses turistas. Uma vez que o turista de negócios utiliza meios de transporte, alimentação, hospedagem, serviços de entretenimento e lazer, ou seja, ele movimenta toda a cadeia produtiva da cidade. Após considerar toda a infra-estrutura que Belo Horizonte oferece aos turistas de negócios, partiu-se para uma análise mais cuidadosa sobre o tratamento que a cidade dá aos seus atrativos considerados de lazer e entretenimento, que poderiam ser usados pelos turistas de negócios nos momentos de ócio. Vale ressaltar que o setor de eventos, principalmente os de grande porte, surge como uma forma de incentivar e gerar negócios, levando em consideração o grande movimento de divisas que ele capta para toda a cidade. Agregado a todos os elementos descritos acima, a cidade se beneficia ainda com o seu entorno que por sua vez, está enriquecido com roteiros de cidades históricas que além de proporcionar lazer, conta com uma forte tradição histórica, cultural e gastronômica. 2. 1 BELO HORIZONTEA cidade de Belo Horizonte está localizada na Região Sudeste do Brasil, no estado de Minas Gerais. Ã?? cercada pelas montanhas da Serra do Curral, que lhe servem de moldura natural e referência histórica. A terceira maior cidade do Brasil localiza-se em ponto geográfico estratégico do País e das Américas. Considerando a inexistência de atrações turísticas relevantes para atrair uma massa de visitantes tão significativa quanto às cidades litorâneas e belezas naturais, que são tradicionalmente procuradas, percebe-se assim, a vocação da cidade de Belo Horizonte para o turismo de negócios.             Segundo Costa (2001), a vocação de Belo Horizonte para turismo de negócios e de eventos pode ser confirmada pela análise por ele empreendida sobre as atividades turísticas no estado e na capital mineira.             Belo Horizonte não se destaca no cenário do turismo nacional, não dispõe de vastos espaços livres para a instalação de grandes indústrias por estar rodeada por montanhas, o que demonstra a sua vocação empresarial para serviços. Na análise da composição da estrutura empresarial de Belo Horizonte, realizada em 1999, segundo Furtado (2000), considerando um total de 80. 000 empresas: 51,6% pertenciam ao setor de serviços; 34,5% ao comércio e 13,9% ao setor industrial.             Considerada internacionalmente como um dos maiores pólos econômicos do país, fazendo um paralelo com São Paulo e Rio de Janeiro, a cidade de Belo Horizonte é um importante vetor na realização de eventos nacionais e internacionais.             De acordo com Furtado (2000), Belo Horizonte descobriu nichos de mercado tão lucrativos quanto promissores. Por sua atividade econômica basear-se no setor de serviços, é reconhecidamente um pólo econômico que não depende apenas de grandes indústrias. Os setores terciários, como o turismo e eventos, se destacam no cenário da economia local.             A hotelaria pode ser compreendida como uma das principais atividades do turismo, já que atende uma necessidade básica para sua realização, quando viabiliza a permanência do turista no local visitado por meio da hospedagem (MOTA, 2001). Para melhor entendimento do atendimento do setor hoteleiro aos executivos, cita-se o livro Introdução ao Turismo e Hotelaria, Ed Senac Nacional, (1998). A oferta hoteleira específica para executivos destina-se, prioritariamente ao atendimento a empresas e homens de negócios. Suas características principais são a localização, quase sempre urbana, em grandes cidades. Possuem apartamentos e suítes apropriados, com escrivaninha, mesa para pequenas reuniões, instalações para computadores pessoais, equipamentos disponíveis para aluguel e pessoal treinado e qualificado para realizar tal atendimento. A hotelaria de Belo Horizonte é grande, moderna e dotada de um enorme potencial para ser usufruído. Mas, em grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, a demanda de hóspedes não acompanhou o seu ritmo de modernização e oferta crescente de leitos. Em Belo Horizonte existem mais de nove mil unidades habitacionais e 17 mil leitos. São  hotéis novos, tradicionais, ainda em construção e alguns com toda infra-estrutura para realização de eventos.             Nos últimos anos, seguindo a tendência de equipar hotéis com toda infra-estrutura para realização de eventos, a capital mineira ganhou novos espaços dentro da hotelaria, que também reformou e modernizou os espaços existentes. Enfim, além das vantagens naturais e da facilidade de acesso aéreo e rodoviário, Belo Horizonte destaca-se pelas belezas arquitetônicas e paisagísticas, pela forte vocação do comércio e da prestação de serviços e ainda por uma rica produção artística e cultural. 2. 2 TURISMO DE NEGÃ??CIOSA nova economia mundial exige que executivos e profissionais viajem em busca de novas tecnologias, cursos de reciclagem, novos parceiros e mercados. Assim surge o turista mais cobiçado do mundo atual: o turista de negócios. Para iniciar este capítulo propõe-se um conceito de turismo de negócios conforme Andrade (1997, p. 73-74):Turismo de negócios é o conjunto de atividades de viagem, de hospedagem, de alimentação e de lazer praticado por quem viaja a negócios referentes aos diversos setores da atividade comercial ou industrial ou para conhecer mercados, estabelecer contatos, firmar convênios, treinar novas tecnologias, vender ou comprar bens ou serviços. Considerada uma atividade em expansão, o turismo de negócios é uma área que busca inovação devido a sua grande demanda. Segundo Oliveira (2002) os executivos escolhem seus hotéis levando em conta critérios como localização, conforto das instalações, excelência de serviços, praticidade, recursos tecnológicos, facilidade e preços justos. O turista de negócios utiliza equipamentos diversos como meios de transporte, hospedagem, alimentação proporcionando uma movimentação em toda a economia da cidade. Segundo Oliveira (2002) hospedam-se em hotéis de luxo e que disponham de serviços especializados (guias bilíngües, tradutores, intérpretes, salas de reuniões, secretárias, motoristas e veículos especiais). Além disso, representam oportunidade de novos contatos, novas parcerias e novos negócios para a cidade. Dos diversos segmentos que compõem o universo dos produtos turísticos, o turismo de negócios consolida-se como instrumento fundamental para garantir a qualquer destino a expansão de uma demanda crescente, propiciando o desenvolvimento das economias locais e acima de tudo durante os sazonais períodos de baixa ocupação dos meios de hospedagem. O turismo de negócios aumenta a cada dia sua participação na economia brasileira, fomentando a atividade empresarial e a geração de postos de trabalho e de renda em viagens realizadas durante todo o ano.             De acordo com Ansarah (1999, pág. 54), sobre a movimentação do setor de turismo de negócios pode se dizer que:Trata-se de um segmento que dá ocupação a todos os braços da atividade turística, sejam hotéis, restaurantes, transportes, serviços de apoio, centros de convenções, equipamentos de lazer, etc. , além do consumo nos diversos segmentos da atividade comercial e artística das cidades visitadas, proporcionando o ingresso de uma considerável renda. O turismo de negócios propicia, em virtude do perfil do consumidor, um crescimento considerável do produto local, com reflexos imediatos em termos de absorção de mão-de-obra e de distribuição de renda. Contudo, quem quiser disputar o turista de negócios deverá ter uma infra-estrutura com centro de convenções, espaços para eventos em hotéis e outros recursos modernos capazes de motivar os organizadores de eventos. O Brasil é líder latino-americano no segmento turístico de negócios e feiras internacionais. Com oferta turística privilegiada e visível expansão na estrutura hoteleira nacional, o País desponta cada vez mais como destino potencial para a realização de congressos, convenções, feiras e exposições de todos os tipos de eventos. Como suporte fundamental a esse segmento, o País dispõe de aeroportos de grande porte e alta qualidade, infra-estrutura adequada e modernos centros de convenções, capazes de abrigar desde encontros setoriais até grandes congressos internacionais.             O Brasil tem potencialidade para ampliar ainda mais sua participação no mercado mundial do turismo de negócios. Além de possuir todas as condições para sediar eventos de qualquer natureza e porte, o País ainda oferece inúmeras opções de lazer, entre praias, centros históricos e culturais, parques e muitas belezas naturais. Um dos fatores que mais tem despertado a atenção de investidores e empresários de diferentes setores produtivos é o crescimento econômico brasileiro, proporcionado pela rápida expansão do setor de exportações e pela ampliação do mercado interno de consumo.             Minas Gerais é hoje um dos estados mais promissores para o desenvolvimento do turismo, por seu acervo histórico e cultural, seus parques e reservas ecológicas, sua forte vocação para o turismo de negócios e de eventos, e pela tradicional hospitalidade mineira. Nota-se, no entanto, que o Turismo de negócios em Belo Horizonte apresenta grande divergência em relação à mesma atividade exercida em São Paulo. Esta divergência está ligada à falta de infra-estrutura para a realização de eventos de maior porte. O turismo de negócios apresenta entre suas especificidades grandes acontecimentos como, por exemplo, encontros na área de mineração, indústria de eletro-eletrônico entre outros os quais exigem locais apropriados e serviços de qualidade que amparem a sua realização. Atualmente, Belo Horizonte tem procurado solicitar tais problemas descritos acima na área de Turismo de Negócios, aliado com o Governo do Estado, mostrando o interesse em dinamizar o setor, definindo estratégias e políticas de fomento à atividade turística, principalmente para o turismo de negócios. Em relação ao turismo de eventos em Belo Horizonte a BELOTUR afirma que:                                      Belo Horizonte vem ampliando sua participação no turismo de eventos, lazer e negócios, tornando-se cada vez mais atrativa para a realização de promoções diversas. Em conseqüência, crescem as alternativas para os investimentos nesse segmento, consolidando a vocação de Belo Horizonte para as atividades do setor terciário, no qual o turismo de eventos e negócios é o marketing principal. Com esse perfil, Belo Horizonte vem atraindo novos investimentos também nos setores de bares e restaurantes, shoppings centers, nas áreas de entretenimento e lazer. Sendo que, o setor de serviços tem hoje o maior peso da economia da cidade e contribui para o desenvolvimento do setor terciário na capital mineira.             O principal projeto que mostra o interesse do Estado em fomentar o turismo de negócios é a obra de expansão do Expominas que parte do projeto do governo estadual de investir na infra-estrutura para transformar Belo Horizonte em referência para o turismo de eventos e negócios no país. A iniciativa do governo inclui também a ampliação e modernização do aeroporto de Confins, e o Projeto Linha Verde, que liga o centro da cidade ao Aeroporto de Tancredo Neves. 2. 3 EVENTOSCom a globalização, todos os fatos ocorrem de forma bem dinâmica fazendo com que as pessoas estejam preparadas para planejar, produzir, executar e fazer acontecer em um mesmo momento. Para tal, Oliveira (2000) entende-se por turismo de eventos:Turismo de eventos é praticado por quem deseja participar de acontecimentos promovidos com o objetivo de discutir assuntos de interesses comuns (profissionais, entidades associativas, culturais, desportivas) ou para expor ou lançar novos artigos no mercado. Estão nas categorias regional, nacional e internacional. De acordo com Ansarah (1999), organizar ou sediar eventos tem se tornado uma forma do país promover a sua imagem, de se apresentar ao mundo e de gerar lucros para as cidades ou regiões anfitriãs.             Cerca de 40% do movimento turístico internacional acontecem em função da realização de eventos. O de eventos é o tipo de turismo mais disputado pelos países, porque nessas ocasiões os produtos turísticos são vendidos por atacado (OLIVEIRA, 2002). Sobre os objetivos da Embratur em relação ao turismo de negócios no Brasil, Ansarah (1999) descreve: Por outro lado, cabe lembrar ainda que é objetivo primordial da Embratur a implantação de uma política promocional agressiva para divulgar o Brasil como um país de Turismo de Negócios por meio de várias ações, entre elas a criação de uma campanha a ser veiculada em revistas especializadas de alcance internacional e dirigidas a segmentos de públicos ligados a entidades que têm o poder de decidir o destino dos eventos, além de elaboração de  material específico para divulgação e capacitação de eventos. Outro cuidado que está sendo tomado é a atualização de legislação para o setor. Sobre o surgimento do setor de eventos no Brasil Ansarah (1999) descreve: No Brasil, o mercado de eventos nasceu nos anos 50, com o lançamento da Fenit â????Feira Nacional da Indústria Têxtilâ????, por Caio de Alcântara Machado, que a realizou pela primeira vez em agosto de 1958, reunindo 97 expositores. Esse foi o início das grandes mostras industriais e comerciais no país. O turismo de eventos, que compreende a realização de congressos, feiras, eventos técnico-científicos, exposições, dentre outros, nos últimos anos vem mudando o perfil turístico do estado de Minas Gerais. Sobre o crescimento deste setor Ansarah (1999) expõe:O setor de eventos é um dos que mais têm crescido no Brasil nos últimos anos. Com estabilidade da moeda, o desenvolvimento da indústria nacional, a abertura de mercado e a posição estratégica do Brasil no Mercosul, empresas, instituições, associações de praticamente todos os setores reúnem-se para apresentar seus produtos, resultado de pesquisas e estudos em eventos especializados. O turista de eventos e negócios costuma gastar até quatro vezes mais que o turista de lazer e, na afirmativa de Costa (2001), provoca uma grande movimentação na economia que se reflete na ocupação da rede hoteleira, do consumo em bares, restaurantes, transportes e infra-estrutura. Especificamente em Belo Horizonte, houve um aumento nos eventos captados na ordem de 50%, comparando os anos de 1999 e 2000, ratificando assim a sua vocação para turismo de negócios e de eventos (COSTA, 2001). A ampliação do setor de exportação é um dos fatores responsáveis pelo aumento do número de eventos ocorridos no Brasil. O minério de ferro também tem uma participação significativa para esse crescimento. Em Belo Horizonte há um grande aumento na demanda em eventos, para tanto a cidade passa por uma reestruturação da infra-estrutura dentre elas podemos citar a expansão do Expominas e o Projeto Linha Verde que liga o centro da cidade ao aeroporto Tancredo Neves. Com a expansão do Expominas, Belo Horizonte terá um espaço único no Brasil, tendo como principais competidores dois outros grandes centros de convenções, o Anhembi, em São Paulo, e o Riocentro, no Rio de Janeiro. Porém, este espaço tem a favor a proximidade com o centro da cidade, devido a facilidade de acesso. Vale ressaltar que será o único centro de feiras e convenções do Brasil atendido pelo metrô.             O Projeto Linha Verde é uma ação do governo do Estado de Minas Gerais que pretende criar novas pistas na avenida dos Andradas, sobre o rio Arrudas, construir viadutos e trincheiras na avenida Cristiano Machado e duplicar a rodovia MG-10, criando uma via expressa do centro da capital ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins. O executivo vive em meio a um mundo de compromissos, obrigações, metas a atingir, problemas a solucionar tudo isso com um único objetivo: gerar riquezas. Sabe-se o quanto o cotidiano das empresas absorve do tempo do executivo. Para tanto os eventos surgem como uma forma de amenizar tal situação, proporcionando a eles momentos de entretenimento, cultura mas sem fugir do ponto central que seria a geração de negócios. Os negócios estão cada vez mais orientados para relacionamentos e as festas desempenham o papel de uma ponte, proporcionando às pessoas um contato diferente para se relacionarâ????. Ele explica que festas ajudam a criar â????capital emocionalâ???? para que as pessoas confiem mais uma nas outras. Conclui-se que o aumento de eventos na cidade é uma necessidade comercial, e para Belo Horizonte esta situação não é diferente. Atualmente, atinge altos níveis de crescimento onde o objetivo é investir de forma coerente para com isso se tornar um importante pólo econômico de negócios. 2. 4 LAZER       O lazer apresenta grande importância para o turismo de negócios, pois esta atividade proporciona aos executivos um desenvolvimento pessoal, intelectual, mental e físico, fazendo com que eles reflitam sobre todas as atividades que realizam, tornando-as ativas e com qualidade. Uma vez que a sua rotina de trabalho é cansativa, e de certa forma acaba comprometendo a qualidade da atividade feita por ele. No Brasil os principais trabalhos e conceitos sobre o lazer fundamentam-se nas acepções teóricas do sociólogo francês Dumazedier (1976). Este autor define lazer da seguinte maneira:O lazer é um conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja para divertir-se, recrear-se e entreter-se, ou ainda, para desenvolver sua informação ou formação desinteressada, sua participação social voluntária ou sua livre capacidade criadora após livrar-se ou desembaraçar-se das obrigações profissionais, familiares e sociais. Esta concepção repercutiu de tal modo nas formulações teóricas sobre o lazer no Brasil, que Dumazedier transformou-se em pouco tempo na principal fonte de pesquisa sobre o assunto. O autor não considera a perspectiva de que o aumento do tempo livre para quem trabalha representa uma conquista de classe, sendo o resultado fragmentado da contradição intrínseca ao capitalismo entre capital e trabalho. No Brasil, a utilização do referencial teórico Dumazedier além de muito usual, possui variadas interpretações. Opondo-se a Dumazedier, está o conceito de lazer de Camargo (1989) que seria qualquer atividade que não seja profissional ou doméstica. Um conjunto de atividades gratuitas, prazerosas, voluntárias e liberatórias, centradas em interesses culturais, físicos, manuais, intelectuais, artísticos e associativos, realizadas num tempo livre roubado, ou conquistado historicamente sobre a jornada de trabalho profissional e doméstico e que interferem no desenvolvimento pessoal e social dos indivíduos. Apesar da generalização deste conceito, que compreende as manifestações do lazer como inúmeras atividades, exceto as domésticas e as trabalhistas. Camargo (1989) aponta um elemento importante, que merece destaque: afirma que o lazer é uma conquista vinculada à jornada de trabalho e tempo livre. Em contrapartida Rolin (1989) procura entender o lazer dentro de uma perspectiva psicossocial, apresentando-o como um tempo livre empregado pelo indivíduo na sua realização pessoal como um fim em si mesmo: â????o indivíduo se libera à vontade do cansaço, repousando; do aborrecimento, divertindo-se; da especialização funcional, desenvolvendo de forma intencional as capacidades de seu corpo e espírito. â????A definição de Rolin (1989) baseia-se na idéia de que o homem atua guiado pela autodeterminação, dependendo apenas de si próprio para desenvolver atividades de lazer. O sentido utópico do lazer pode ser visto em formulações teóricas que procuram dar-lhe uma conotação totalizante, sem especificar os limites que uma determinada realidade social, econômica, política e cultural pode apresentar. Já Castelli (1990), foi oportuno em observar uma condição marcante nos tempos atuais. Como engajar a população, sobretudo dos países do terceiro mundo, nessas diferentes atividades? Tarefa nada fácil, pois mexe-se diretamente com as classes dominantes. Para que a massa trabalhadora tenha acesso ao lazer, é preciso dar-lhe condições, não só criando uma infra-estrutura adequada, mas também condições de vida melhores: empregos, salários condizentes, educação, saúde, habitação. Como podem os trabalhadores dos países subdesenvolvidos ter acesso ao lazer se ainda estão lutando pela sua sobrevivência?De fato, o autor traz uma questão importante ao afirmar que a melhoria da qualidade de vida da população é a condição indispensável para se pensar no desenvolvimento do lazer.             Salvo seu sentido utópico, no Brasil a realidade social impede que grandes camadas da população tenham acesso à atividade de lazer numa perspectiva de integração e de bem-estar. O lazer, em sua forma ideal, seria um instrumento de promoção social, servindo para auxiliar no rompimento da alienação do trabalho, apresentando-se como um mecanismo inovador aos trabalhadores na medida em que estabelece novas perspectivas de relacionamento social. Em termos históricos o lazer é uma atividade que no período pré-industrial onde o trabalho era intenso durante as estações de colheita, e fora deste período tinha-se uma estagnação das atividades permanecendo apenas momentos relacionados a jogos, cantos, cerimônias etc. Evidentemente, a sociedade neste período não apresentava a estrutura do lazer moderno, mas propunha formas de distração que não deixam de ser um tipo de lazer. O aumento do tempo livre observado desde o início das sociedades industriais até os últimos anos, tem sido de fato importante para o futuro dos homens. Embora não beneficie as classes menos favorecidas. De acordo com De Masi (2000), um dos mais polêmicos e inovadores pensadores da era pós-industrial, afirma que â????o homem que trabalha perde tempo preciosoâ????. Nesse contexto, o autor considera que:Dos 6 bilhões de habitantes do mundo, somente 1,5 trabalham, o restante não conhece ou não tem acesso ao ritmo pós-industrial de trabalho. Se a vida média útil de um ser humano tem hoje cerca de 530 mil horas, o tempo médio gasto com o trabalho é de apenas 80 mil horas (considerando a jornada universal de 40 horas por semana). Restam 220 mil horas, passadas dormindo, e mais 220 mil horas livres, reservadas para a pessoa fazer o que lhe der na telha. Esse tempo pode ser aproveitado de maneira criativa, saudável e produtiva, no sentido mental e físico. Enfim, após os conceitos descritos acima percebe-se que cada vez mais as atividades de lazer trazem benefícios irreparáveis para aqueles que vivem em uma sociedade globalizada e massificante, onde o tempo é precioso e nada mais importa, tudo gira ao redor do capital e de perspectivas de crescimento. 3 METODOLOGIA DE PESQUISAPara validar o estudo proposto, adotou-se a pesquisa descritiva, de caráter exploratório, com enfoque qualitativo. Os dados necessários ao desenvolvimento deste estudo foram coletados através de pesquisa documental e bibliográfica feita em livros, artigos de jornais, revistas e sites especializados, observação participante e aplicação de entrevista com hóspedes do Manferrari Hotel, que possuem o perfil dos executivos de negócios que freqüentam a cidade de Belo Horizonte. Para atingir o objetivo geral deste estudo, foi criada e aplicada uma entrevista aos executivos do Manferrari Hotel com perguntas abertas e relacionadas de forma a mapear os objetivos específicos e consolidar as informações. 4 RESULTADOS E ANÃ??LISESOs resultados esperados pelo projeto estão focados no amadurecimento da discussão sobre a importância das estratégias e ações do marketing de serviços para a valorização dos atrativos da cidade de Belo Horizonte e seu entorno, bem como para o aumento da taxa de ocupação dos hotéis da cidade. Através da entrevista, foram identificadas algumas características e percepções quanto aos interesses e satisfação de um executivo durante a estadia na cidade de Belo Horizonte e Região Metropolitana. A pesquisa contou com a participação de 41 executivos, predominantemente do sexo masculino com elevado nível de escolaridade, cuja maior concentração é do nível superior completo. Quanto à faixa etária, houve indicação de executivos em todas as faixas e a maior concentração refere-se ao intervalo entre 31 a 40 anos (46,69%).             Em relação à faixa salarial tem-se uma porcentagem de 43,96% de executivos com ganhos mensais entre 06 a 10 salários mínimos, e 37,36% acima de 10 salários mínimos. A procedência dos executivos é na sua maioria proveniente da Região Sudeste, sendo 48% de Minas Gerais; 32% do estado de São Paulo e 11% do estado do Espírito Santo. Esses dados permitem traçar o perfil do executivo, como sendo brasileiro, da região Sudeste, do sexo masculino, jovem, bem instruído e com ganhos mensais acima de 06 salários mínimos. No que diz respeito à permanência na cidade para os compromissos de negócios, a maioria dos executivos ficam em Belo Horizonte de segunda-feira a sexta-feira (51,22%) e de terça-feira a sexta-feira (41,46%). Esses executivos têm uma freqüência mensal de 82% e quinzenal de 18%. Tais dados são coerentes com a afirmativa de que eles vêm a Belo Horizonte freqüentemente e não permanecem durante os finais de semana para desfrutar dos atrativos oferecidos pela cidade de Belo Horizonte.             Em relação à permanência na cidade, a maioria dos executivos entrevistados (87%) demonstrou em permanecer em Belo Horizonte nos finais de semana. Mostra também que os atrativos de maior interesse são feiras de artesanato (31,11%), gastronomia (23,33%) e cidades históricas (18,69%). O que os motivariam permanecer na cidade durante os finais de semana seriam para fazer compras (39,02%) e visitar os pontos turísticos de Belo Horizonte (18,29%). Em relação aos meios de comunicação pelos quais os executivos conheceram os atrativos de Belo Horizonte ressalta-se que uma porcentagem de 66% não conhecem os atrativos. Dentre os executivos que responderam positivamente a pergunta nota-se que 53% conheceram os atrativos através de mídia televisiva e 30% através de revistas. 5 CONCLUSÃ??OO interesse pelo tema estudado desperta-se por que Belo Horizonte e a Região Metropolitana passam hoje por um processo de reformulação de sua infra-estrutura para o atendimento receptivo, o que proporciona um aumento significativo do turismo de negócios e eventos na cidade, respectivamente a taxa de ocupação dos hotéis. Aliado a esses pontos de interesse pelo tema, outro fator instigante que orientou a escolha foram a insuficiência de divulgação dos atrativos da cidade de Belo Horizonte e a baixa taxa de ocupação do setor hoteleiro. Os dados apresentados na entrevista comprovam o interesse dos executivos que vêm a Belo Horizonte a negócios em permanecer na cidade para usufruir os atrativos por ela oferecidos. No entanto, a cidade não possui uma estratégia de divulgação e promoção de seus atrativos aos visitantes. A pesquisa comprova que há uma busca desse público por cultura e descanso. Curiosidade em conhecer novos lugares, ter contato com diferentes culturas e vivenciar novas emoções, mas para que isso ocorra é necessário que a cidade esteja preparada para prestar este serviço. Conforme já discutido neste trabalho acredita-se que para um aumento da taxa de ocupação dos hotéis faz-se necessário a captação de eventos de grande porte aliada a um projeto de promoção publicitária dos atrativos da cidade para os visitantes e comunidade local.             Para que haja um reconhecimento deste público é necessário que a oferta dos serviços seja personalizada, oportunizando a sua fidelização ao local. Acreditamos que a retenção dos executivos se dá a partir da forma com que esses serviços são prestados a eles, por se tratar de um público exigente. Assim, o turismo de negócios e o setor de eventos estão permanentemente procurando se desenvolver e aprimorar, devido ao nível crescente de exigência de seus clientes, acirramento da concorrência, bem como a expansão deste setor. Dessa forma, constata-se que a cidade precisa buscar novas oportunidades para viabilizar a sobrevivência futura dessa atividade, que está sendo ampliada através de incentivo do governo do Estado de Minas Gerais. Definitivamente, para aumentar a taxa de ocupação dos hotéis é necessário que se agregue aos produtos e serviços, programas de fidelização e melhoria na divulgação promocional da cidade para que estes executivos permaneçam na cidade nos finais de semana. REFERÃ??NCIAS BIBLIOGRÃ??FICASANDRADE, Jose Vicente. Turismo: fundamentos e dimensões. São Paulo: Ã??tica, 1997. ANSARAH, Marilia Gomes dos Reis (org. ). Turismo: segmentação de mercado. São Paulo: Futura, 1999. BELOTUR, Guia Turístico: Belo Horizonte – Assessoria de Comunicação, 2005. 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